Terapia personalizada traz resultados para casos graves de câncer

5 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
Estudo indica que atenção especial está conectada com maiores taxas de sobrevivência ou períodos prolongados sem avanço da doença

Um novo estudo feito pela Escola de Medicina da Universidade da Califórnia (UC) de San Diego, nos Estados Unidos, tem mostrado a importância da terapia personalizada no tratamento de pacientes com câncer

O relatório feito pelos pesquisadores da UC apontam que os indivíduos em tratamento avançado para câncer no Moores Cancer Center sobrevivem por mais tempo ou ficam maiores períodos sem que a doença progrida quando recebem um atendimento planejado para eles.

A terapia personalizada é uma metodologia da medicina que permite à equipe médica um maior planejamento estratégico sobre cada caso e concede ao paciente toda a atenção necessária e um atendimento mais humanizado.

Tratamento de câncer molecular

Pacientes com câncer que receberam tratamento especializado tiveram maior taxa de sobrevivência. (Fonte: Shutterstock)
Pacientes com câncer que receberam tratamento especializado tiveram maior taxa de sobrevivência. (Fonte: Shutterstock)

O procedimento foi conduzido pela diretora do Centro de Terapia Especializada para Câncer no Moores Cancer Center, Razelle Kurzrock. Em conjunto com um conselho multidisciplinar de tumores, Kurzrock e sua equipe aconselharam a equipe médica local sobre como lidar de forma estratégica com a comorbidade de cada paciente.

Em laboratório, o grupo conseguiu analisar as alterações genômicas em cada câncer, o que facilita no estabelecimento de uma medicina de precisão. De acordo com as cientistas, pacientes com tratamentos inadequados apresentavam sobrevida de três anos em apenas 25% dos casos, número que crescia para 55% em conjunto com a terapia personalizada.

O artigo publicado na Nature Communications em agosto de 2020 ressalta que 62 de 429 pacientes que participaram dos testes utilizaram pelo menos um tipo de medicamento. Em 20% dos casos, os indivíduos eram compatíveis com todos os tratamentos ou uma combinação deles.

Abordagens diferentes

Durante o experimento, o conselho multidisciplinar atuou na tutoria dos médicos que lideravam o quadro clínico. Em 38% das vezes, a equipe médica escolheu ignorar as recomendações do conselho e optar pelo tratamento convencional e generalizado do tumor. De modo geral, esses pacientes tiveram menores taxas de sobrevivência ou regressão da doença.

O sequenciamento genômico dos tumores permite aos médicos uma série de abordagens estratégicas inovadoras no tratamento dos pacientes. 

Apesar disso, na visão do professor de Medicina na UC e também autor do estudo, Shumei Kato, a terapia personalizada ainda não é uma realidade para todas as situações. “Isso pode ser desafiador, visto que a gente tem customizado todo um tratamento em torno de um padrão genômico de um paciente e, por isso, é difícil prever sua resposta”, disse. 

Para Kato, a terapia personalizada também exige a presença de uma equipe multidisciplinar trabalhando nos bastidores para guiar todo o processo e vasto acesso a todos os medicamentos. Em ambientes mais compactos, o procedimento pode não ser possível.

Medicina personalizada

Sequenciamento genômico é utilizado para prever caminhos que uma doença pode rumar. (Fonte: Shutterstock)
Sequenciamento genômico é utilizado para prever caminhos que uma doença pode rumar. (Fonte: Shutterstock)

Não é só no tratamento oncológico que a terapia personalizada vem sendo utilizada. Como diversas doenças estão associadas à predisposição genética, outros campos podem utilizar a técnica do sequenciamento genômico para compreender os caminhos aos quais a enfermidade pode se direcionar.

Além disso, o procedimento pode se aliar às leituras dos exames de rotina e às análises dos históricos familiares, que surgem como uma fonte de informação paralela para complementar o panorama do quadro clínico de um paciente.

Embora as novas tecnologias estejam se tornando cada vez mais comuns no campo da medicina, vale ressaltar que a terapia personalizada ainda é um procedimento custoso e, portanto, não é acessível financeiramente para toda a parcela da população brasileira. 

Por outro lado, essa técnica surge como um dos principais métodos de prevenção para o futuro. Em casos de doenças silenciosas ou de fatores hereditários, como o Parkinson, Alzheimer, diabetes e cardiopatias, ambas as partes na relação médico/paciente podem se preparar para lidar com o problema antes mesmo que ele apareça.

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Fontes: Science Daily, Summit Saúde, Onco Guia, INCA, Shutterstock.

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