Série de ações para impulsionar a discussão sobre a prevenção do suicídio tiveram início nos Estados Unidos e se espalharam por todo o mundo

Setembro é marcado pelas campanhas de conscientização sobre suicídio. Em diversos espaços, como ruas, escolas, universidades e redes sociais, várias atividades são realizadas para promover o debate acerca do tema, que ainda é considerado um tabu. Mas você sabe o porquê de essas ações acontecerem nesse mês específico ou qual é a razão de a cor amarela ter sido a escolhida para representar o movimento?

O que é o Setembro Amarelo?

Setembro Amarelo é uma campanha mundial de promoção do diálogo sobre o suicídio com o objetivo de prevenir tragédias. No Brasil, a iniciativa começou em 2015 e é promovida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Os principais objetivos das ações são fomentar a discussão acerca da prevenção do suicídio e abrir o diálogo sobre o tema, uma vez que ele é pouco abordado pela mídia e a população ainda tem medo de tocar no assunto.

Falar sobre suicídio é de suma importância. De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, por ano cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida, sendo que 90% dos casos poderiam ser evitados com ajuda psicológica e apoio emocional. Outro fator que comprova a necessidade de abrir a discussão sobre esse tema é o fato de que por volta de 60% das pessoas que cometem suicídio nunca se sentiram à vontade para procurar ajuda ou falar sobre o assunto.

Assim, o Setembro Amarelo define um mês para dialogar, abrir conversas e mostrar às pessoas que sofrem com pensamentos suicidas que elas não estão sozinhas e que a morte não é a solução para qualquer tipo de problema.

A campanha ocorre em setembro porque o dia 10 marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, promovido pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (Iasp) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A cor amarela, segundo o site do CVV, representa a vida, a luz e o Sol, símbolos que refletem a proposta da campanha de preservação da vida. Porém a história do Setembro Amarelo, seus símbolos e sua cor têm outras influências.

Por que o amarelo?

A escolha da cor amarela para representar o mês da conscientização acerca do suicídio foi feita por Dale Emme e Darlene Emme quando eles deram início ao programa de prevenção do suicídio chamado Yellow Ribbon (fita amarela, em português).

A ação foi iniciada pelo casal em 1994 depois que seu filho, Mike Emme, cometeu suicídio aos 17 anos de idade. O jovem era conhecido por sua habilidade mecânica e por sua personalidade caridosa e sempre muito animada. Mike era apaixonado por carros e ganhou o apelido de Mustang Mike depois de restaurar um Mustang 68 e pintá-lo de amarelo.

Como era um adolescente animado e muito carinhoso, ninguém próximo de Mike notou que ele dava sinais de depressão ou pensamentos suicidas. Chocados com o acontecimento, seus amigos confeccionaram cerca de 500 cartões com fitas amarelas dizendo: "Se você precisar, peça ajuda" e distribuíram no funeral. A ideia dos cartões se espalhou pelos Estados Unidos e em pouco tempo o número de buscas por ajuda aumentou consideravelmente.

Assim, a fita amarela, da cor do Mustang de Mike, foi escolhida para ser o símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscarem ajuda. Em 2003, a OMS firmou o 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Prevenção necessária não apenas em setembro

Setembro é responsável por estimular conversas sobre essa questão, porém a luta contra pensamentos suicidas precisa acontecer o ano todo. Pensando nisso, o CVV abre espaço para auxílio a qualquer pessoa que precise de apoio emocional.

A iniciativa começou nos anos 1970 e é reconhecida como Utilidade Pública Federal. Para ser atendido pelo centro basta ligar para o número 188 ou acessar o chat online, enviar um e-mail ou ir a um dos pontos de atendimento presencial. Todas as interações são realizadas de modo anônimo por voluntários que guardam sigilo.

Fontes: Setembro Amarelo, Centro de Valorização da Vida.