Atividades físicas podem diminuir risco de depressão entre jovens

7 de abril de 2020 3 mins. de leitura
Pesquisa relacionou a prática de exercícios leves e intensos com a redução da depressão entre adolescentes

A prática regular de atividades físicas traz inúmeros benefícios para as saúdes física e mental. Movimentar o corpo, ainda que em exercícios moderados, como uma simples caminhada, pode diminuir os riscos de depressão entre jovens de até 18 anos de idade — é o que afirma um estudo publicado na revista The Lancet Psychiatry por pesquisadores da University College London.

“De forma preocupante, a quantidade de tempo que os jovens passam de modo inativo tem crescido nos últimos anos, e surpreendentemente há uma falta de pesquisa de alta qualidade sobre como isso afeta a saúde mental. O número de jovens com depressão também parece estar crescendo, e nosso estudo sugere que essas duas tendências podem estar conectadas”, disse Aaron Kandola, um dos pesquisadores, ao Medical News Today. O estudo também indicou que não é necessário fazer exercício pesado, já que atividades leves podem ser suficientes para promover a saúde mental.

Como ocorreu a pesquisa

Durante 6 anos, o estudo analisou 14.901 adolescentes de 12, 14 e 16 anos de idade para a coleta de informações. Todos eles usaram acelerômetros por três dias, no mínimo, que registraram se houve realização de atividade física moderada, intensa ou se eram sedentários.

(Fonte: Pexels)

Segundos os pesquisadores, atividades leves enquadravam inclusive a caminhada, enquanto os exercícios mais intensos podem ser corrida ou pedalada. No fim da pesquisa, foi constatado que 4.257 adolescentes tiveram depressão aos 18 anos. Os dados mostram que o nível de atividade deles apresentava declínio dos 12 aos 16 anos, quando se tornavam mais sedentários.

O estudo analisou que, para cada hora extra diária dedicada à atividade física moderada aos 12, 14 e 16 anos, os adolescentes apresentaram menores índices da doença aos 18 anos. Em relação às idades mencionadas, os índices ficaram, respectivamente, em 9,6%, 7,8%, e 11,1%.

O próximo passo no dia a dia

Sair do sedentarismo não exige de medidas tão drásticas quanto a maioria das pessoas pode pensar. “Descobrimos que não são apenas as atividades mais intensas que são benéficas para a nossa saúde mental — qualquer nível de atividade física que pode reduzir o tempo em que ficamos sentados pode ser benéfica”, disse Kandola.

Os exercícios mais leves podem se tornar aliados na mudança de rotina. “Atividade leve pode ser particularmente útil porque não requer muito esforço e é fácil de encaixar na rotina da maioria dos jovens. Escolas deveriam integrar atividades leves no dia a dia dos alunos […]. Pequenas mudanças em nossos ambientes podem facilitar que sejamos menos sedentários”, afirmou o pesquisador Joseph Hayes, PhD, ao Medical News Today.

(Fonte: Shutterstock)

O aumento do sedentarismo na adolescência também foi comprovado por outras pesquisas. De acordo com estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado no ano passado pela revista The Lancet Child & Adolescent Health, 81% dos jovens entre 11 e 17 anos que frequentam a escola não realizam o mínimo de 1 hora diária de atividade física recomendada.

No Brasil, isso piora: 84% dos adolescentes na mesma faixa etária estão sedentários. Vale lembrar que, segundo dados da OMS, o País lidera o índice de pessoas com depressão da América Latina, com 5,8% dos cidadãos sofrendo com a doença.

Fontes: The Lancet Psychiatry.

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