Como a tecnologia está revolucionando diagnósticos?

25 de maio de 2020 6 mins. de leitura
Avanços em áreas como análises moleculares e sequenciamento de genoma permitem diagnosticar doenças precocemente e com precisão

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), diagnósticos “são essenciais para promover avanços na cobertura de saúde universal, responder a emergências de saúde e permitir que as populações sejam mais saudáveis”. Essa afirmação, retirada da primeira lista de exames essenciais publicada pelo órgão em 2019, reconhece a importância dessa ação para o avanço da saúde no mundo.

Conforme as análises avançam, é possível detectar enfermidades e outras condições de saúde com mais precisão e cada vez mais cedo, permitindo tratamentos mais eficazes. Além disso, os diagnósticos avançados possibilitam predizer condições de saúde e realizar procedimentos de precaução. E eles estão se tornando cada vez mais importantes para a prevenção e o controle de surtos e epidemias.

Um artigo publicado pelo jornal científico Eurosurveillance ajuda a entender como esse avanço está ocorrendo: “é evidente que a revolução diagnóstica no campo da microbiologia já está criando um grande impacto nas respostas de saúde pública e políticas relacionadas a doenças infecciosas”, afirmaram os pesquisadores.

Como explica o material, os exames diagnósticos podem ser divididos entre aqueles que necessitam de cultura e os independentes dela. O primeiro tipo é o mais comum e compreende as análises laboratoriais em que as amostras são colocadas em uma cultura para que microrganismos cresçam ou se multipliquem.

Muitos avanços ocorreram no campo dos diagnósticos baseados em cultura, dos quais o jornal destaca o sequenciamento de genoma. Essa tecnologia “permite precisão e poder de resolução sem precedentes”, diz o texto do Eurosurveillance.

Fonte da imagem: Pexels
(Fonte: Pexels)

A revolução dos diagnósticos independentes de cultura

Embora os diagnósticos baseados em cultura também tenham evoluído bastante, o artigo do Eurosurveillance destaca que a maior mudança aconteceu nos diagnósticos independentes dela. Esse tipo envolve a aplicação de métodos de observação diretamente nas amostras, tornando possível detectar os mais variados tipos de patógenos com muito mais rapidez e precisão. Em vários casos, é possível identificar enfermidades e outras condições de saúde em uma mesma amostra.

Esses testes são importantes para diminuir ainda mais os tempos de análise e permitir a realização de diagnósticos em locais variados em que não há laboratórios. Um exemplo disso são os testes rápidos, criados para facilitar diagnósticos junto ao paciente ou em trabalhos de campo, como ocorre em caso de epidemias ou lugares carentes.

Embora o próprio artigo reconheça que esses exames ainda têm precisão menor que aqueles feitos em laboratórios com cultura, observa-se uma grande evolução dessas tecnologias nos últimos anos. A perspectiva para o futuro é animadora, com evoluções cada vez maiores em áreas como análises moleculares, sequenciamento de genoma e sequenciamento de nova geração (NGS).

A revolução dos diagnósticos já está acontecendo

Como analisa um artigo da revista norte-americana The EMBO Journal, especializada em microbiologia, os sistemas estão ficando cada vez mais baratos e eficazes. Uma startup de tecnologia médica de Oxford, na Inglaterra, desenvolveu um pequeno equipamento que precisa apenas ser conectado à porta USB de um computador para sequenciar o DNA de um patógeno. Esse produto já está sendo testado no diagnóstico de doenças como ebola em Serra Leoa.

Um dispositivo desenvolvido pela Universidade Columbia, em Nova York, permite o diagnóstico de HIV e sífilis com o auxílio de um smartphone. Os resultados podem ser transmitidos instantaneamente para um centro de saúde pelo aparelho.

Por fim, a The EMBO Journal também cita uma máquina desenvolvida na Califórnia que permite a pequenas clínicas fazerem vários tipos de diagnósticos rápidos. Cada dispositivo, que custa cerca de 3 mil dólares, pode fazer até quatro testes simultaneamente com uma grande variedade de amostras.

Fonte: Unsplash
(Fonte: Unsplash)

As próximas inovações no setor

Em artigo publicado recentemente, a organização não governamental Path, que trabalha no desenvolvimento de soluções de saúde pública com foco em regiões carentes, listou quatro inovações que estão acontecendo no setor de diagnósticos e prometem revolucionar a saúde pública.

Em primeiro lugar está o desenvolvimento de testes rápidos mais eficientes e baratos, ideias para países com menos estrutura. Entre os trabalhos da organização está a criação de um novo exame para malária até dez vezes mais preciso que os anteriores. O exemplo dessa doença ajuda a entender a segunda inovação listada pela Path: a importância dos diagnósticos para a prevenção de epidemias. Segundo a organização, eles “ajudam a detectar ameaças emergentes cedo, para que uma resposta possa ser mobilizada”.

O terceiro ponto é tornar os testes mais fáceis de aplicar por especialistas em diagnóstico, nos laboratórios ou por profissionais da saúde, de modo que possam ser mais disseminados. Por fim, há o aspecto da conexão: os testes geram resultados digitais que são comparados em bases de dados para orientar os agentes de saúde de forma mais eficiente. Segundo a Path, no futuro, esses registros podem incluir tecnologias de aprendizado de máquina para selecionar as melhores estratégias de saúde ou prever surtos de determinadas doenças.

Dessa maneira, a evolução dos diagnósticos permite que os exames não sejam apenas utilizados para detectar enfermidades ou condições de saúde mas também para prevenção de doenças e auxílio em estratégias de saúde pública. Levando em conta a maior parte dos estudos publicados recentemente, a evolução tem sido notável nos últimos anos e deve continuar em ritmo acelerado, permitindo ainda mais avanços.

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Fonte: Organização Mundial da Saúde, PATH, Eurosurveillance (via US National Library of Medicine) e Organização Europeia de Biologia Molecular.

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