Como o cérebro experimenta o efeito placebo?

23 de novembro de 2021 4 mins. de leitura
Percepção da dor através da liberação de substâncias analgésicas pelo organismo pode ser afetada por meio do efeito placebo

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A palavra placebo tem origem do latim placere que significa “eu agradarei”. Ela já foi definida de diversas formas com pequenas variações, sempre indicando que seria uma medicação inativa, com efeito de agradar o paciente, oferecendo efeitos psicológicos importantes. Pesquisas demonstram que a técnica tem efeitos reais no corpo.

Placebo é usado como método de controle em testes de medicamentos. (Fonte: JJ van Ginkel/Shutterstock/Reprodução)
Placebo é usado como método de controle em testes de medicamentos. (Fonte: JJ van Ginkel/Shutterstock/Reprodução)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) define o placebo como uma formulação, que é administrada a um paciente, sem efeito farmacológico. Ele não tem ingredientes ativos, porém é formulado de forma que apresente sabor e aparência idênticas a de um medicamento real. Geralmente, essa substância é utilizada em estudos clínicos possibilitando a verificação da eficácia de determinada substância ou medicamento.

O primeiro experimento demonstrando seus efeitos

O médico Elisha Perkins (1741-1799) acreditava que os efeitos magnéticos provenientes de varas de metal tinham propriedades curativas e que, ao tocar o corpo com esse instrumento seria possível curar seus pacientes de diversas doenças.

Após a morte de Elisha, o médico John Haygarth (1740-1827) realizou um experimento em que pintou varas de madeira de forma com que ficassem semelhantes às de metal. Em seguida, tratou pacientes com doenças reumáticas e observou que eles tiveram benefícios iguais aos que foram tratados com as varas de metal. Esse foi o primeiro experimento na história que mostrou o poder do efeito placebo.

Como funciona?

Existe um mito relacionado ao placebo de que ele age apenas na mente do indivíduo e não sobre o corpo. O placebo tem efeitos reais psicológicos que desencadeiam uma série de eventos no cérebro, causando reações fisiológicas como, por exemplo:

  • constrição das pupilas;
  • aumento da pressão sanguínea;
  • modificações nos ritmos respiratórios e cardíacos;
  • modificação da temperatura corporal.

Para elucidar o efeito do placebo, cientistas estão buscando entender as maneiras com que o cérebro é ativado diante de experiências de dor. Sabe-se que indivíduos participantes de estudos utilizando placebo apresentam redução da atividade em áreas que envolvem a sinalização inicial da dor pelo corpo e também em circuitos motivacionais não ligados somente à dor.

Evidências científicas indicam que o placebo afeta a parte do cérebro onde a dor é construída, ativando o córtex pré-frontal em antecipação a ela. Quando isso acontece, a região desencadeia a liberação de opioides, com efeito analgésico, que podem bloquear a sinalização da dor.

Efeito placebo tem efeitos reais no cérebro. (Fonte: Microgen/Shutterstock/Reprodução)
Efeito placebo tem efeitos reais no cérebro. (Fonte: Microgen/Shutterstock/Reprodução)

O efeito do placebo está relacionado à crença que o paciente tem de que a substância ingerida é efetiva. Elas podem influenciar a neurobiologia humana e criar processos terapêuticos.

Diversos fatores podem interferir na atividade do placebo como: aprendizagem, experiência prévia, genética e até traços de personalidade, o otimista se beneficia mais dos efeitos do que o pessimista.

O placebo “honesto”

O efeito do placebo há muito ocupa a mente de pesquisadores que tentam desvendar os seus mistérios. Recentemente, mais um fator veio somar perguntas a essa questão. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica PLOS ONE, indivíduos melhoram desempenho esportivo ou sintomas de dor ingerindo placebo conscientemente.

O placebo “honesto” ou “aberto”, como é chamado, é caracterizado quando o paciente é avisado de que a substância que está ingerindo não tem ingredientes ativos. Mesmo assim, alguns indivíduos apresentam benefícios após a utilização da formulação.

Informações como essa demonstram que o mecanismo de ação do placebo é extremamente complexo, e ainda são necessários muitos estudos para desvendar sua forma de ação e possíveis benefícios ao organismo.

Fonte: Inca, Science Daily, Scielo, Psychiatria Danubina, USP. 

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