Covid-19: vacina em spray deve ser produzida em 2022

2 de dezembro de 2021 4 mins. de leitura
Iniciativa inédita no mundo pretende interromper a covid-19 nas vias aéreas, cessando a transmissão do vírus

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No fim de outubro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu o pedido de autorização para estudos clínicos, fases um e dois, de uma vacina contra a covid-19 em forma de spray, a ser aplicada nas narinas. 

A nova vacina está sendo desenvolvido pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor), em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), da mesma instituição, com pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É uma iniciativa com técnicas inéditas na prevenção da covid-19. 

Os benefícios da nova vacina em spray vão muito além da aplicação prática: ela estimula a resposta imune direto no primeiro local infectado pelo vírus, as narinas, podendo oferecer uma imunidade muito mais forte ao vírus. 

Além disso, a infecção seria interrompida, com potencial de impedir a transmissão do vírus — diferente das vacinas atuais, que impedem que o Sars-CoV-2 cause sintomas graves e mortes, mas ainda permitem que as pessoas sejam infectadas e transmitam o vírus para outras. Para penetrar a mucosa das narinas, a vacina em spray irá usar uma tecnologia de nanopartículas, também inédita na prevenção da covid-19 .

É interessante observar que a vacina spray do InCor utiliza componentes do vírus diferentes daqueles usados nas vacinas já disponíveis: em vez de proteínas spike, peptídeos sequenciais derivados das proteínas do Sars-CoV-2. 

Vacina em spray está sendo desenvolvida por pesquisadora do InCor, USP e Unifesp (Imagem: freepik)
Vacina em spray está sendo desenvolvida por pesquisadora do InCor, USP e Unifesp. (Fonte: Freepik)

Vacina de reforço com produção 100% nacional

O objetivo, com todas essas diferenças, é criar uma vacina de produção mais simples e 100% nacional, mas que também gere uma resposta imune mais rápida e longa. Considerando os resultados dos testes pré-clínicos, a vacina spray do InCor parece ser capaz de conquistar tudo isso, trazendo grandes avanços no combate à covid-19. 

A equipe estudou profundamente a resposta imune contra o Sars-CoV-2 para, assim, desenvolver uma vacina baseada nos alvos mais eficientes. Por isso, uma das primeiras etapas foi coletar o sangue de pessoas com covid-19, para analisar os alvos da resposta dos anticorpos e da resposta celular. Esse estudo é uma das principais diferenças da vacina em spray do InCor para outras que já estão disponíveis. 

Nos estudos pré-clínicos, em animais, a vacina gerou altos níveis de anticorpos IgA e IgG, bem como uma resposta celular protetora satisfatória. Isso estimulou o pedido de autorização para testes clínicos em humanos, com objetivo de testar a segurança e decidir a dosagem da vacina em spray. A ideia é que ela seja uma vacina de reforço, por isso apenas voluntários imunizados vão participar dos testes clínicos.

A nova vacina em spray utiliza componentes distintos do vírus para estimular a resposta imune (Imagem: Freepik)
A nova vacina em spray utiliza componentes distintos do vírus para estimular a resposta imune (Fonte: Freepik)

Testes devem começar em janeiro

Em nota, o InCor explicou que as fases um e dois de testes da vacina em spray devem envolver 280 voluntários, divididos em sete grupos: um que receberá o placebo e outros que receberão doses diferentes do imunizante. Essas duas etapas têm duração estimada de três meses, com previsão de início em janeiro de 2022, caso a Anvisa forneça a autorização.

Caso esses testes sejam bem-sucedidos, ainda é preciso realizar a fase 3, com grupos maiores de voluntários, antes de começar a produção da vacina. Ainda assim, acredita-se que a vacina em spray do InCor pode chegar em 2022 mesmo, com produção 100% nacional. Esse é outro benefício desse imunizante, que não dependerá de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) vindo de outros países — algo que já atrasou a produção de vacinas no Brasil em algumas ocasiões. 

Fonte: Incor/USP, Jornal da USP, Estadão, Unifesp.

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