Estudo aponta relação entre o uso de antibióticos e defeitos congénitos

14 de abril de 2020 4 mins. de leitura
De acordo com informações desse estudo, os macrólidos são um dos antibióticos mais frequentemente prescritos nos países ocidentais

Se você está planejando engravidar ou está nos primeiros vezes da gestação, preste muita atenção nesta matéria. De acordo com um estudo publicado pela revista médica BMJ, existe uma relação entre o aumento de defeitos congênitos em filhos de grávidas e o uso de alguns antibióticos nos três primeiros meses de gestação – em comparação com mães que receberam penicilina.

O estudo analisou o uso de antibióticos macrólidos que são usados no tratamento de infecções como pneumonia, bronquite e doenças urinárias, cutâneas e sexualmente transmissíveis. Esses medicamentos são geralmente prescritos a pacientes alérgicos à penicilina. E, ainda de acordo com o estudo, esses antibióticos são os mais receitados nos países ocidentais.

Como foi realizado o estudo?

Como esse estudo foi realizado?
(Fonte: Shutterstock)

Como esse estudo foi realizado?

O estudo compartilhado pela revista médica BMJ analisou dados de 104.605 crianças nascidas no Reino Unido entre 1990-2016 e nascidas de mães que receberam penicilina ou macrólidos. O objetivo dos pesquisadores foi encontrar defeitos de nascimento e distúrbios do desenvolvimento neurológico diagnosticados mais tarde na vida.

Os resultados revelaram uma relação importante entre os macrólidos e defeitos congénitos. O uso de antibióticos para mulheres no primeiro trimestre da gravidez aumentou o risco de malformações graves em 28 de 1.000 nascimentos, em comparação com 18 em 1.000 nascimentos após a penicilina.

Entre todos os defeitos congênitos diagnosticados, o risco de problemas cardíacos foi maior. Entretanto, o estudo não encontrou relação entre prescrição de macrólidos e distúrbios do desenvolvimento neurológico. Também não houve risco entre defeitos congénitos e macrólidos pré-concepção.

Quais são as orientações?

Quais são as orientações para as mulheres grávidas?
(Fonte: Shutterstock)

Quais são as orientações para as mulheres grávidas?

Apesar de preocupante, a recomendação não é entrar em pânico. É preciso ter cautela e obter orientações com o seu médico para saber como proceder. Jamais pare de tomar medicamentos sem antes conversar com um profissional de saúde para que ele possa avaliar a sua situação.

Mas, de qualquer forma, o caso merece atenção. De acordo com a professora Ruth Gilbert, da University College London, co-autora do estudo, o aumento na proporção é pequeno, mas significativo. Com base nessas descobertas, as mulheres grávidas e os médicos devem encontrar uma alternativa, dependendo do tipo de infecção.

Mas ela alerta sobre o risco de não tomar antibióticos:

Se tem uma infecção bacteriana, é muito importante tomar antibióticos, porque a infecção em si pode ser realmente prejudicial ao feto”, disse Gilbert.

Base científica para esse estudo

Entenda a base científica para esse estudo
(Fonte: Shutterstock)

Entenda a base científica para esse estudo

Esse estudo publicado pela revista médica BMJ teve como base uma série de análises do extenso banco de dados de saúde de clínicos gerais no Reino Unido. Gilbert disse que um conjunto ainda maior de dados pode fornecer informações sobre os defeitos congénitos menos comuns e outros efeitos da ingestão de alguns antibióticos.

Em 2005, a Suécia já emitiu alertas contra o uso de macrólidos durante o primeiro trimestre de gravidez. Pesquisadores do país conseguiram identificar uma relação entre o uso de antibióticos com defeitos congênitos no coração dos fetos. Atualmente, as autoridades regulatórias nos Estados Unidos e Reino Unido orientam apenas o grupo de risco de pacientes que já possuem predisposição para complicações cardiovasculares.

Entretanto, destaca-se que um estudo anterior publicado no Canadian Medical Association Journal mostrou que antibióticos commumente usados, incluindo macrólidos, estão associados a um risco aumentado de aborto quando usado no início da gravidez. Portanto, é preciso atenção e cuidado, mas antes de mais nada procurar orientação médica sobre como proceder.

Fontes: CNN.

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