Gestantes podem sofrer lesões na placenta devido à covid-19

14 de junho de 2020 4 mins. de leitura
Lesão não gera danos aos bebês, mas descoberta indica que grávidas contaminadas precisam ser acompanhadas de perto

Um estudo realizado na Universidade Northwestern, em Chicago (Estados Unidos), e publicado pelo American Journal of Clinical Pathology traz uma recente descoberta sobre os efeitos do novo coronavírus: pode causar lesões na placenta de grávidas. Os pesquisadores afirmam que a ocorrência é preocupante e indica que as grávidas contaminadas pelo Sars-CoV-2 necessitam de acompanhamento mais próximo, para garantir que tudo corra bem.

A placenta é o primeiro órgão a se formar e um dos mais importantes durante uma gravidez, afinal é por ela que o feto recebe oxigênio e nutrientes, além de ser responsável por diversas mudanças importantes no corpo da gestante. Por isso, os pesquisadores observaram com preocupação as anormalidades na placenta das 16 participantes do estudo: vasos sanguíneos diferentes do normal, fluxo de sangue insuficiente da mãe para o feto e coágulos sanguíneos.

Estudo analisou as placentas de 16 grávidas com covid-19 (Fonte: Pexels)
Estudo analisou a placenta de 16 grávidas com covid-19. (Fonte: Pexels)

Os coordenadores do estudo explicam que ferimentos nos vasos sanguíneos e problemas de coagulação têm sido observados em diversos estudos sobre a covid-19. A descoberta ajuda a corroborar essa ideia, mostrando que esses sintomas chegam também à placenta.

Algumas das estruturas analisadas eram menores do que o esperado, contudo não foram observados danos aos recém-nascidos. Uma das razões para isso é que a placenta é construída com recursos “de sobra”, para que, mesmo que algo ocorra com ela, o bebê nasça saudável. “Ainda assim, enquanto a maioria dos bebês está segura, existe um risco de que alguma gravidez possa ser comprometida”, afirma a Dra. Emily Miller, ginecologista e uma das coautoras do estudo.

Grávidas precisam ser acompanhadas de perto

Os pesquisadores defendem que as grávidas contaminadas com o novo coronavírus sejam acompanhadas de forma mais rigorosa. “Precisamos discutir se devemos mudar como monitoramos as grávidas agora mesmo”, afirma a Dra. Miller. A ginecologista sugere que métodos pouco invasivos podem ser utilizados para isso, como exames para avaliar a entrega de oxigênio pela placenta ou ultrassons para medir se o bebê está crescendo de forma saudável dentro da barriga da mãe.

Uma das 16 participantes do estudo sofreu um aborto espontâneo, e os estudiosos relataram outros casos semelhantes, em que as grávidas apresentaram inflamação grave na placenta.

Apesar das lesões, bebês nasceram normalmente (Fonte: Unsplash)
Apesar das lesões, bebês nasceram normalmente. (Fonte: Unsplash)

Outra questão levantada pelos pesquisadores da Universidade Northwestern é a possível implicação das lesões aos bebês. O artigo traz um comparativo com a pandemia do vírus influenza, em 1918-1919 (gripe espanhola), quando bebês de grávidas contaminadas apresentaram taxas de doenças cardiovasculares maiores que o normal, por exemplo.

Segundo Jeffery Goldstein, professor de Patologia da Universidade Northwestern e um dos autores do estudo, como a gripe não é transmitida pela placenta, esses problemas provavelmente estão relacionados com as lesões no órgão e implicações destas na saúde dos bebês. Sobre isso, é interessante observar que não há casos registrados de transmissão vertical de covid-19 de gestantes para bebês.

Assunto demanda mais estudos

Para escrever o artigo, a equipe acompanhou 16 grávidas que deram entrada no hospital da Universidade Northwestern, tiveram resultados positivos em testes para a covid-19 e deram à luz seus bebês entre 18 de março e 5 de maio.

As placentas foram examinadas e comparadas com dados de controle e apresentaram as anormalidades descritas anteriormente: má perfusão uteroplacentária, vasos sanguíneos feridos e coágulos. O estudo é visto como preliminar pelos próprios pesquisadores, uma vez que analisou um número reduzido de casos, mas traz conclusões importantes e mostra que esse assunto precisa ser estudado mais a fundo.

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Fontes: American Journal of Clinical Pathology e Northwestern University

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