Homens produzem cada vez menos espermatozoides, diz estudo - Summit Saúde

Homens produzem cada vez menos espermatozoides, diz estudo

10 de janeiro de 2023 4 mins. de leitura

Entre 1973 e 2022, queda registrada foi de mais de 50%; cientistas temem impactos na reprodução humana

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Um estudo publicado na revista científica Human Reproduction Update, ligada à Universidade de Oxford (Inglaterra), demonstrou que a contagem de espermatozoides humanos diminuiu cerca de 52% desde 1973. Em quase 50 anos, houve queda anual de mais de 1%. Esses dados foram obtidos a partir da compilação de 38 estudos científicos que cumpriram os critérios de avaliação dos pesquisadores em um universo de mais de 3 mil trabalhos realizados sobre o assunto.

Essa análise foi a atualização de uma pesquisa feita nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália em 2018. Os dados do último levantamento também consideraram países da Ásia, da África e da América Latina.

Os resultados acenderam um alerta para os estudiosos de saúde e fertilidade masculina: será que os homens de hoje estão de fato menos férteis do que os de 50 anos atrás? O que pode estar ocasionando isso?

O que diz o estudo?

Segundo os dados compilados, houve queda na contagem média: de 101 milhões de espermatozoides por mililitro para cerca de 49 milhões. Para se ter uma ideia, um indivíduo é considerado saudável quando tem contagem acima de 40 milhões.

Outro dado preocupante é que a diminuição percentual parece estar acelerando. Enquanto a média de decréscimo entre 1973 e 1985 foi de 1,16%, após 2000 esse número aumentou para 2,64%. Os cientistas temem que a média caia abaixo do padrão saudável, o que poderia ocasionar uma crise reprodutiva mundial.

Queda na contagem de espermatozoides está se acentuando nas últimas décadas
A queda na contagem de espermatozoides tem se acentuado nas últimas décadas. (Fonte: Human Reproduction Update/Reprodução)

Possíveis causas

Os motivos para essa diminuição ainda são desconhecidos e devem ser objeto de novos estudos nos próximos anos, mas existem algumas possíveis causas sendo levantadas. A primeira delas é referente à mudança de hábitos.

Alimentação saudável e exercícios físicos são fundamentais para a saúde dos seres humanos — e, nos homens, essa combinação também está relacionada aos níveis de testosterona. Portanto, o sedentarismo e a alimentação pobre em nutrientes podem ter influência na menor capacidade de produção de espermatozoides saudáveis.

Outros fatores, como tabagismo e alcoolismo, também podem contribuir para essa diminuição. O consumo de entorpecentes pode ir além da fertilidade do usuário, uma vez que o uso dessas substâncias na gravidez pode causar danos permanentes ao feto.

Consequências

Diminuição na produção de espermatozoides pode levar a crise de fertilidade global. (Fonte: Freepik/Reprodução)

A principal consequência da diminuição da fertilidade masculina é o aumento da dificuldade de casais engravidarem. O mundo já enfrenta queda nas taxas de natalidade, com diversas populações encolhendo em grande parte devido a opções pessoais — e a crescente oferta de métodos contraceptivos tem papel fundamental nesse processo.

Outro ponto importante é o aumento da idade média de gravidez. Segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), o número de pessoas que têm o primeiro filho após os 30 anos aumentou muito entre 2000 e 2019 no Estado de São Paulo. No início do século, essa faixa etária correspondia a 26% do total; quase 20 anos depois, o número está em mais de 39%.

Optar por ter filhos mais tarde pode gerar impacto na capacidade de fertilidade. Esse ponto, em conjunto com a diminuição da taxa de espermatozoides, preocupa especialistas. A combinação desses fatores pode levar à diminuição das chances de casais conseguirem engravidar na idade desejada, causando a necessidade de fertilização artificial.

Críticas da comunidade científica

Os resultados geraram algumas críticas da comunidade científica. A principal delas está relacionada ao método de contagem de espermatozoides, que mudou bastante nos últimos anos. Essa diferença pode levar a um vício nos números finais.

Fonte: Oxford, The Guardian, Agência Brasil

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