Molécula associada ao câncer de mama é descoberta no DNA

17 de outubro de 2021 3 mins. de leitura
Envolvida no desenvolvimento de tumores, a molécula Lnc-uc.147 pode contribuir para novas opções de tratamento da doença

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Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) identificaram pela primeira vez uma molécula associada ao desenvolvimento do câncer de mama, produzida em uma região pouco conhecida do DNA. A descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista RNA Biology, em 13 de agosto.

A pesquisadora Érika Pereira Zambalde liderou um grupo que buscava outras partes do material genético capazes de influenciar o aparecimento dos tumores. A equipe investigou as regiões ultraconservadas (UCRs), que por não atuarem na produção de proteínas eram denominadas “DNA lixo” e ficavam fora das análises.

Por meio dessa análise, o time verificou que mais da metade delas poderia ter relação com pelo menos um parâmetro clínico do tipo de câncer, um dos mais comuns entre as mulheres. Nesse grupo, a pesquisadora escolheu a molécula de RNA Lnc-uc.147.

O autoexame da mama permite identificar alterações nessa parte do corpo. (Fonte: Shutterstock/CameraCraft/Reprodução)
O autoexame da mama permite identificar alterações nessa parte do corpo. (Fonte: Shutterstock/CameraCraft/Reprodução)

De acordo com a líder do estudo, as análises da Lnc-uc.147 permitiram verificar que à medida que ela era inibida, as células cancerígenas retardavam o crescimento. “A molécula tem função no controle da taxa de crescimento e morte das células. Quando ela é encontrada em maior quantidade, o câncer do paciente é mais agressivo”, disse a especialista ao site da UFPR.

Novas possibilidades de tratamento

As descobertas sobre a Lnc-uc.147 podem modificar os parâmetros de classificação atuais dos tumores de mama. Casos apontados como de fácil tratamento, por exemplo, podem acabar evoluindo e apresentando complicações, devido à presença dela no DNA do paciente.

Com o seu estudo, as pesquisadoras acreditam ser possível usar a Lnc-uc.147, futuramente, como um marcador nos exames de câncer de mama, complementando os já existentes. Dessa forma, os médicos poderiam separar pacientes com tumores mais perigosos dos que apresentam menor agressividade.

Isso abriria novas possibilidades de tratamento para o câncer de mama, ajudando a poupar pacientes de procedimentos agressivos que afetam sua qualidade de vida. A escolha do método mais adequado para a pessoa aconteceria no momento do diagnóstico, considerando o novo biomarcador.

O desenvolvimento de um medicamento que se ligue à Lnc-uc.147 é outra possibilidade sugerida pela pesquisa. A solução poderia auxiliar na terapia dos pacientes, que depende do estágio da doença e do tipo de tumor. Para isso, serão necessários novos estudos.

A importância dos testes genéticos

Realizados por meio da análise e sequenciamento genético de uma pequena amostra de sangue, os testes genéticos são essenciais no combate à doença, pois auxiliam na escolha do melhor tratamento para cada paciente. 

Para o diagnóstico, também podem ser solicitados exames de imagem (mamografia, ultrassom, ressonância magnética) e biópsia. Já o tratamento do câncer de mama varia conforme o estágio da doença, a idade do enfermo e a presença de outras patologias associadas. A terapia pode incluir hormonioterapia, quimioterapia, radioterapia e cirurgia, de acordo com a avaliação do oncologista.

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Fonte: RNA Biology, UFPR, Inca, Oncoguia, Femana.

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