Novo método aumenta a segurança na avaliação de vacina

13 de janeiro de 2021 5 mins. de leitura
Cientistas finlandeses desenvolveram método para garantir a segurança na avaliação da vacina contra a coqueluche

A vacina é um produto farmacêutico seguro e potente que previne doenças infecciosas causadas por vírus e bactérias, reduzindo a disseminação de patógenos. Antes da vacinação da população, o produto passa por um rigoroso processo de avaliação e desenvolvimento para garantir a segurança da aplicação em humanos.

A vacina previne uma doença infecciosa porque o corpo desenvolve a capacidade de reconhecer e destruir o seu agente causador. Geralmente, as vacinas são elaboradas a partir de um patógeno enfraquecido ou partes dele. Para evitar a aparição da doença, a indústria usa métodos eficazes para garantir a segurança dos imunizantes e também desenvolve novos métodos constantemente.

O desenvolvimento de uma vacina segue altos padrões de exigência e qualidade em todas as suas fases, o que incluem:

  • pesquisa inicial;
  • testes em animais; 
  • teste em humanos sob um protocolo de procedimentos éticos;
  • processo de avaliação de resultados pelas agências reguladoras governamentais.

Vacina contra a coqueluche

A coqueluche pode causar morte de bebês, uma vez que a doença tem-se mostrado resistente a antibióticos. (Fonte: Shutterstock)
A coqueluche pode causar morte de bebês, uma vez que a doença tem-se mostrado resistente a antibióticos. (Fonte: Shutterstock)

A bactéria Bordetella pertussis é o agente provocador da coqueluche. A doença atinge o sistema respiratório de forma aguda em todo o mundo e afeta todas as faixas etárias. No entanto, bebês e crianças pequenas constituem o público de maior risco, no qual a doença pode levar à morte, mesmo com cuidados intensivos do hospital e o uso de antibióticos.

Apesar da campanha global de vacinação, a coqueluche permanece endêmica, causando surtos em muitas regiões do mundo, e a incidência dessa enfermidade está aumentando. Além disso, cepas de Bordetella pertussis resistentes a antibióticos macrolídios foram relatadas. Os dados evidenciam a necessidade de aprimoramento das atuais formulações de vacinas e campanhas de vacinação.

A toxina da coqueluche (PTX) é o principal fator de virulência da bactéria. Dessa forma, uma versão desintoxicada de PTX é um componente central das vacinas acelulares contra a doença. Contudo, existem grandes diferenças regionais nas diretrizes regulatórias, e não há um limite superior internacionalmente acordado para PTX ativo em vacinas para a coqueluche.

Avaliação de segurança

Avaliação tradicional de segurança das vacinas pela indústria passa por testes em camundongos. (Fonte: Shutterstock)
Avaliação tradicional de segurança das vacinas pela indústria passa por testes em camundongos. (Fonte: Shutterstock)

Apenas a China e o Japão têm esses tipos de valor definidos para o PTX ativo em vacinas contra a bactéria, que é, respectivamente, de 0,8 e 0,4 unidades de sensibilização de histamina/mL. Essas unidades são obtidas com base no teste de sensibilização de histamina em camundongo (HIST), utilizado como referência na indústria de vacinas.

O índice é obtido pela observação precoce de camundongos tratados com PTX se tornando sensíveis à histamina. Os animais são expostos a preparações contendo PTX, desafiados com histamina e monitorados quanto à morte.

Nos Estados Unidos, por exemplo, uma dose única de vacina humana não diluída de 0,5 mL não é permitida para sensibilizar mais de 10% dos camundongos à morte induzida por histamina. Embora tenha um longo histórico na indústria, o HIST é um ensaio terminal que causa profundo estresse para os animais. Além disso, o teste requer grande quantidade de animais, com estimativas globais anuais recentes de 65 mil ratos.

Novo método de avaliação

Um grupo de pesquisa da Universidade de Turku, na Finlândia, liderou o desenvolvimento de um novo método para avaliar a segurança da vacina, que pode reduzir significativamente o uso de testes em animais na indústria de imunizantes. A técnica é inteiramente baseada no uso de células humanas crescidas em laboratório.

A vacina contra coqueluche, que também pertence ao programa nacional de vacinação em vários países, entre eles a Finlândia e o Brasil, contém as estruturas superficiais da bactéria Bordetella pertussis e formas inativadas da PTX produzida pela bactéria. A toxina da coqueluche se fixa à superfície da célula, penetra nela e destrói o sistema de controle vital da célula.

Conhecido como Interferência na Transdução Gai-negociada do Sinal (iGIST), o método é um bioensaio cinético para detecção da PTX. Em comparação com os métodos atuais na indústria de vacinas, o iGIST é mais eficaz e permite a detecção de níveis até 100 vezes mais baixos da toxina pertussis.

A técnica apresenta uma leitura digital objetiva, oferecendo perspectivas para automação, que deve facilitar a pesquisa básica de PTX, incluindo a identificação e a caracterização de novos compostos que interferem na toxina.

A descoberta foi publicada em artigo no jornal científico ACS Sensors, mantido pela American Chemical Society. O estudo foi realizado em colaboração com pesquisadores da Universidade Médica de Lublin, na Polônia, e da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda.

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Fonte: Science Daily, Universidade de Turku, ACS Sensors.

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