Pacientes curados da covid-19 podem desenvolver imunidade

18 de junho de 2020 4 mins. de leitura
Estudo realizado em Nova York associa produção de anticorpos à imunidade ao novo coronavírus

Ainda não é possível dizer com certeza se um paciente curado da covid-19 está imune à doença. Mas uma série de pesquisas realizadas em várias partes do mundo parecem estar chegando cada vez mais perto dessa resposta.

Uma delas está sendo desenvolvida por uma equipe da Escola de Medicina do Monte Sinai, em Nova York, e traz um pouco de esperança em meio a uma das mais preocupantes crises sanitárias da história.

Segundo o estudo ainda em andamento, que teve uma prévia publicada recentemente no site agregador de estudos científicos medRxiv, quase todas as pessoas que tiveram a doença, independentemente de sexo, idade ou gravidade do problema, produzem certa quantidade de anticorpos contra o novo coronavírus.

Estudo inovador

Esse tipo de conclusão pode ter um papel estratégico em meio à pandemia. Sobretudo porque, com a segurança da imunidade, pessoas recuperadas podem, inclusive, substituir profissionais pertencentes a grupos de risco ou que atuam em atividades essenciais ou com alto índice de contaminação, como em hospitais.

Sabe-se que outros estudos já chegaram a apontar a imunidade das pessoas curadas do novo coronavírus por um período de tempo, mas a pesquisa da Monte Sinai é a maior já realizada, pois, além de estar pautada em dados de 1.343 pessoas de Nova York e região, está baseada em um teste desenvolvido pelo médico virologista Florian Krammer (com menos de 1% de chance de apresentar falsos positivos).

O papel dos anticorpos

Estudo mostra que qualquer nível de anticorpos está associado à capacidade do corpo de enfraquecer o novo coronavírus. (Fonte: Shutterstock)

Conforme explica um artigo publicado na editoria de ciência do jornal The New York Times, os anticorpos são moléculas produzidas pelo corpo para defender o organismo de patógenos e a presença delas é sempre um bom sinal quando se fala em proteção contra invasores como o coronavírus.

Entretanto, ter anticorpos não necessariamente garantem que uma pessoa esteja imune a um vírus. Mesmo assim, o estudo mostra que qualquer nível desse tipo de molécula está associado à capacidade do corpo de enfraquecer o causador da doença — o que é fundamental para a imunização do indivíduo.

Uma das entusiastas do estudo da Monte Sinai é a médica virologista da Universidade de Columbia (Nova York) Angela Rasmussen, que, embora não atue no estudo, viu com bons olhos o artigo divulgado: “Ele realmente mostra que muitas pessoas podem desenvolver anticorpos e que há uma grande correlação entre eles e a capacidade das pessoas de neutralizar o vírus”, disse em entrevista ao The New York Times.

O estudo

Foram avaliadas doações de pessoas hospitalizadas, atendidas em pronto-socorro ou apresentaram sintomas leves ou moderados. (Fonte: Shutterstock)

A pesquisa partiu de amostras de sangue provenientes de doadores de plasma convalescente. Os estudiosos avaliaram o primeiro contingente de 15 mil doações recebidas de pessoas que foram hospitalizadas, atendidas em pronto-socorro ou apresentaram sintomas leves ou moderados.

Passaram pelo teste pessoas que obtiveram resultado positivo para o vírus e se recuperaram da doença. Dessas, 511 tiveram altos níveis de anticorpos, 42 apresentaram baixos níveis e 71 delas não apresentaram anticorpos.

Mais de uma semana depois, 64 dos indivíduos que antes não tinham anticorpos ou apresentaram um nível baixo de anticorpos foram submetidos a novos testes. Então, a maioria deles tinha ao menos alguns anticorpos.

Por meio dessa análise, os pesquisadores constataram, portanto, que o momento em que a avaliação é feita pode influenciar significativamente no resultado. Por isso, se inicialmente buscavam doadores voluntários livres de sintomas há três dias, com os resultados obtidos no estudo e o aprofundamento sobre o funcionamento do coronavírus no corpo, passou-se a buscar pessoas livres dos sintomas há 14 dias no mínimo.

“Não estávamos nos atendo especificamente a esse ponto, mas tínhamos o suficiente para dizer que 14 dias era pouco tempo”, disse ao The New York Times a médica Ania Wajnberg, que está à frente do estudo.

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Fontes: The New York Times e medRxiv.

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