Pesquisa identifica antibiótico que combate superbactérias - Summit Saúde

Pesquisa identifica antibiótico que combate superbactérias

4 de fevereiro de 2021 4 mins. de leitura

Medicamento pode ajudar no combate à resistência antimicrobiana, considerada uma das dez principais ameaças à saúde pública global

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Cientistas americanos do Instituto Wistar descobriram uma nova classe de compostos capazes de causar a morte direta por antibióticos de bactérias super-resistentes a medicamentos. A nova substância provoca uma resposta imune rápida, de forma simultânea, para combater a resistência antimicrobiana. A pesquisa foi publicada na revista científica Nature.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a resistência antimicrobiana como uma das dez principais ameaças à saúde pública global contra a humanidade. A lista de bactérias que estão se tornando resistentes ao tratamento com todas as opções de medicamentos disponíveis está crescendo, criando uma necessidade urgente de novas classes de antibióticos para prevenir crises de saúde pública.

A resistência antimicrobiana aumenta o custo da atenção médica com estadias mais longas em hospitais e necessidade de  cuidados mais intensivos. Estimativas apontam que as infecções resistentes a antibióticos podem tirar 10 milhões de vidas a cada ano e impor um prejuízo cumulativo de US$ 100 trilhões na economia global em 2050.

Como funciona o antibiótico?

Uso indiscriminado de antibióticos pode levar à resistência antimicrobiana. (Fonte: Shutterstock)
Uso indiscriminado de antibióticos pode levar à resistência antimicrobiana. (Fonte: Shutterstock)

Os antibióticos existentes têm como alvo as funções bacterianas essenciais, o que inclui o ácido nucleico e a síntese de proteínas, bem como a construção da membrana celular e vias metabólicas. Porém, as bactérias podem adquirir resistência aos medicamentos por meio da mutação do alvo bacteriano contra o qual o antibiótico é dirigido, inativando os medicamentos.

Os cientistas identificaram uma via metabólica que é essencial para a maioria das bactérias, mas ausente em humanos, tornando-a um alvo ideal para o desenvolvimento de antibióticos. Essa via, chamada de metil-D-eritritol fosfato (MEP), é responsável pela biossíntese de isoprenoides, que são moléculas necessárias para a sobrevivência celular na maioria das bactérias patogênicas.

Para inativar a bactéria com resistência a antibióticos, o laboratório teve como alvo a enzima IspH,  essencial na biossíntese de isoprenoides, como uma forma de bloquear essa via e matar os micróbios. Dada a ampla presença de IspH no mundo bacteriano, essa abordagem pode ter como alvo uma ampla gama de bactérias.

Desenvolvimento da pesquisa

In vitro, a nova classe de antibiótico se mostrou mais eficaz do que medicamentos tradicionais contra bactérias resistentes. (Fonte: Shutterstock)
In vitro, a nova classe de antibiótico se mostrou mais eficaz do que medicamentos tradicionais contra bactérias resistentes. (Fonte: Shutterstock)

Uma vez que os inibidores de IspH disponíveis anteriormente não podiam penetrar na parede celular bacteriana, os pesquisadores buscaram identificar e sintetizar novas moléculas inibidoras de IspH que foram capazes de entrar na bactéria.

A equipe demonstrou que os inibidores de IspH estimularam o sistema imunológico com mais atividade e especificidade de eliminação de bactérias potentes do que os melhores antibióticos atuais da classe. Todos os compostos testados mostraram ser não tóxicos para as células humanas.

Ataque duplo à bactéria

Os pesquisadores adotaram uma estratégia criativa e dupla com o objetivo de desenvolver novas moléculas para matar infecções difíceis de tratar enquanto aumentam a resposta imune natural do hospedeiro. O novo método aproveita o sistema imunológico para atacar bactérias simultaneamente em duas frentes diferentes, tornando difícil para elas desenvolverem resistência.

Essa estratégia inovadora pode representar um marco potencial na luta mundial contra a resistência antimicrobiana, criando uma sinergia entre a capacidade de morte direta dos antibióticos e o poder natural do sistema imunológico.

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Fonte: Science Daily, Wistar Institute, Nature, Organização Pan Americana de Saúde (Opas).

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