Substância utilizada em cosméticos pode aumentar risco de autismo - Summit Saúde

Substância utilizada em cosméticos pode aumentar risco de autismo

14 de abril de 2020 4 mins. de leitura

Novo estudo aponta que grávidas que usam de produtos com ftalatos podem ter mais chances de ter filhos com autismo

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Esmaltes, sabonetes líquidos, xampus e condicionadores são apenas alguns dos cosméticos que podem ter ftalatos na composição. Um estudo alerta que o uso de produtos com esse grupo de compostos químicos por grávidas pode estar associado ao aumento do risco de autismo.

A pesquisa, liderada por Youssef Oulhote, professor assistente de Bioestatística e Epidemiologia da Escola de Saúde Pública e Ciências da Saúde da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, revelou que a exposição aos ftalatos foi associada a características de autismo em meninos de 3 anos a 4 anos de idade.

O risco foi reduzido, no entanto, em crianças cuja mãe tomou a quantidade recomendada de ácido fólico durante o primeiro semestre de gravidez. O estudo é o primeiro a apontar que a suplementação fornece efeito protetor contra os ftalatos.

(Fonte: Unsplash)
(Fonte: Unsplash)

“A descoberta mais surpreendente e importante foi sobre como a suplementação de ácido fólico pode compensar os potenciais efeitos prejudiciais dos ftalatos”, disse Oulhote. Estudos anteriores já haviam demonstrado que o ácido fólico está associado à redução do risco de autismo causado pela exposição pré-natal a pesticidas e poluentes do ar.

Riscos à saúde

Os ftalatos, chamados também de plastificantes, são utilizados como aditivos para tornar o plástico maleável e mais difícil de quebrar. Nos produtos de beleza, essas substâncias podem ser usadas para fixar a cor do esmalte, manter o perfume por mais tempo na pele ou mesmo dar aspecto de cremosidade a líquidos. Esses compostos se ligam fracamente aos plásticos, motivo pelo qual são liberados no meio ambiente e podem ser absorvidos pelo ar, em alimentos contaminados ou pela epiderme.

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

Outros estudos também já haviam associado os ftalatos a redução da fertilidade masculina, desregulação hormonal e aumento do risco de câncer de mama, de doenças cardiovasculares e diabetes. Pesquisas prévias também mostraram que crianças cuja mãe foi exposta a ftalatos durante a gravidez eram mais propensas a problemas de habilidades motoras e desenvolvimento da linguagem.

Apesar de os ftalatos estarem presentes de maneira abundante no ambiente moderno, existem maneiras de reduzir a exposição a essas substâncias, evitando o uso de plásticos e cosméticos que tenham o produto em sua composição. Raramente o rótulo dos produtos traz a descrição “ftalato”, sendo mais comum encontrar o composto pelos nomes diethyl phthalate (DEP), dimethyl phthalate (DMP) e dibutyl phthalate (DBP).

Na Europa, o uso de ftalatos em cosméticos é proibido. No Brasil, desde 2009 as concentrações de ftalatos e derivados em copos e garrafas plásticas são limitadas. O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) determina que brinquedos para crianças não podem ter mais que 0,1% em massa de ftalatos.

Estudo

A equipe de pesquisadores analisou dados de 2.001 mulheres canadenses com idade média de 33 anos que estavam no primeiro trimestre de gravidez entre 2008 e 2011. Foram coletadas informações de questionários, prontuários médicos e amostras de sangue e urina.

As concentrações de 11 metabólitos de ftalato foram medidas em exames de urina das grávidas. “As exposições a essas substâncias podem variar com o tempo, portanto estudos futuros devem considerar isso e tentar medir os ftalatos em vários momentos da gravidez”, disse Oulhote.

Após os nascimentos, pesquisadores realizaram avaliações neuropsicológicas, incluindo testes que medem traços de autismo, em 610 crianças entre 3 anos e 4 anos de idade. Os pesquisadores descobriram que maiores concentrações de ftalatos nas amostras de urina da mãe estavam associadas à presença mais alta de características de autismo nos filhos, mas apenas em crianças cuja mãe não tomou a dose diária recomendada de ácido fólico durante o primeiro trimestre de gravidez.

Fontes: Healthline, eCycle, PEBMED

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