Identificado por pesquisadores da UFMG, novo vírus desconhecido ainda requer estudos mais profundos

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, descobriu algo extremamente interessante em amostras de lodo da Lagoa da Pampulha, cartão-postal da cidade.

A nova espécie recebeu o nome de Yaravirus brasiliensis, em homenagem à rainha das águas do folclore brasileiro, e está intrigando os cientistas. De maneira geral, vírus são uma entidade biológica polêmica na ciência, afinal não existe consenso se podem ou não ser considerados seres vivos.

Por um lado, permanecem inertes se não tiverem um hospedeiro; por outro, têm material genético, multiplicam-se e estão em constante mutação. A descoberta dos pesquisadores promete adicionar uma nova camada para essa discussão, considerando a originalidade do material genético encontrado no yaravírus.

Fonte: UFMG/Reprodução

(Fonte: UFMG/Reprodução)

Em tempo, é importante observar que o yaravírus não traz qualquer risco para os seres humanos, segundo o virologista Jônatas Abrahão, que coordenou a pesquisa. A equipe realizou diversos testes nos laboratórios em Belo Horizonte — assim como pesquisadores parceiros na França — e comprovou que ele não é capaz de infectar qualquer tipo de animal vertebrado, incluindo a espécie humana. O yaravírus age especificamente em amebas.

Descoberta inesperada e surpreendente

Ser um vírus de amebas é um dos fatores que explicam por que o yaravírus é tão interessante para a ciência. Conforme as pesquisas já realizadas pela equipe de Abrahão e por outros cientistas há alguns anos, eles costumam ser muito maiores que os microrganismos que infectam outras formas de vida, como os humanos — e o yaravírus é bastante pequeno. Esse foi o primeiro fator que chamou atenção dos pesquisadores.

Em vista disso, foi realizado o sequenciamento genético da nova forma de vírus, com uma descoberta ainda mais surpreendente: dos 74 genes do yaravírus, 68 são completamente inéditos. Isso quer dizer que o material genético desse microrganismo é quase 90% diferente de qualquer outra forma de vírus já estudada pela ciência.

Até mesmo os 10% restantes apresentam poucas semelhanças com as amostras disponíveis nos bancos de material genético. Tanto ineditismo causou dúvidas nos pesquisadores, que realizaram o sequenciamento novamente e comprovaram o resultado.

Fonte: Freepik

(Fonte: Freepik)

Embora o yaravírus não seja capaz de causar doenças em humanos, representa uma grande evolução para a ciência. Sua descoberta demonstra que é necessário estudar os vírus mais profundamente, de maneira geral, e abre portas para novas pesquisas. “Outros vírus, não relacionados com doenças, podem ser importantes para estudar a evolução e a interação entre os organismos que estão no ambiente. Nesse sentido, o yara pode trazer muitas informações importantes para a ciência”, pondera a pós-doutora em Microbiologia, Graziele Oliveira.

Além disso, como afirma o doutorando Paulo Doratto, participante da pesquisa, “através do estudo desses novos genes e do que eles fazem, a gente pode fazer aplicações voltadas os seres humanos”. “Então, o que ele [yaravírus] traz para o ser humano é só coisa boa. É mais conhecimento, mais possibilidades”, declarou Abrahão, que também salientou que a pesquisa foi realizada por estudantes brasileiros no laboratório de uma universidade também brasileira.

Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais