25% das crianças não receberam vacinas comuns nos Estados Unidos

2 de junho de 2021 4 mins. de leitura
Índice de negligência foi maior entre famílias de baixa renda ou de origem afro-americana

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Apenas 72,8% dos bebês estadunidenses de 19 meses a 35 meses receberam as sete vacinas recomendadas para essa faixa etária, de acordo com pesquisa divulgada em abril deste ano pela Universidade da Virgínia (EUA) com números de 2018, quando a meta do governo era de 90%. Crianças socialmente desfavorecidas foram as mais prejudicadas.

O maior índice de negligência na vacinação foi registrado em famílias de origem afro-americana, com renda abaixo da linha da pobreza ou com mãe em nível de formação até o ensino médio. Com isso, essa parcela acaba ficando mais propensa à contaminação e à disseminação de doenças. Além da exposição da criança a infecção, doença e morte por poliomielite, tétano, sarampo, caxumba e catapora, a omissão gera riscos a toda a população, pois reduz a imunidade de rebanho no país. 

“Uma criança não imunizada pode apresentar formas graves de doenças que normalmente se manifestam de maneira branda, gerando maior risco à sua saúde e daqueles que estão em sua volta”, explica Rafael Aureliano Serrano, pediatra de pneumologia e imunologia no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR).

Influência da organização social na saúde da população

Origem, baixa escolaridade e pouca renda estão associadas à falta de vacinação. (Fonte: Pexels)
Origem, baixa escolaridade e pouca renda estão associadas à falta de vacinação. (Fonte: Pexels)

Um dado registrado no estudo gera contraste: o total de bebês que receberam todas as vacinas aumentou 30% entre 2009 e 2018. Apesar disso, a diferença na incidência de imunização em famílias de baixa e alta rendas aumentou no mesmo período. Em 2009, a probabilidade de crianças em um contexto social abaixo da linha de pobreza se vacinarem era 9% menor do que aquelas em famílias com renda anual acima de US$ 75 mil. Essa taxa subiu para 37% em 2018.

Escolaridade e etnia também são fatores que aumentam a disparidade. Os dados apontam que mães que não concluíram o ensino médio têm quase 27% menos chance de vacinar os filhos; já os afro-americanos registram incidência menor de vacinação quando comparados aos brancos e aos hispânicos.

Falta de instrução, pouca importância dada à vacinação, mitos populares contra vacinas e alcance reduzido do sistema de saúde são alguns dos motivos apontados por Serrano para o problema sanitário e social. “Em país subdesenvolvido de tamanho continental como o Brasil, essa diferença é ainda mais gritante”, completa o especialista.

Como mudar essa realidade?

Programas sociais e econômicos devem se voltar à saúde. (Fonte: Pixabay)
Programas sociais e econômicos devem se voltar à saúde. (Fonte: Pixabay)

Uma possível explicação para o baixo índice de vacinação entre a população mais pobre dos Estados Unidos, como apontam os autores da pesquisa, é a falta de medidas econômicas e de programas sociais no país para estimulá-la. Um exemplo é o Vaccines for Children, inciativa de financiamento do governo que oferece imunização gratuita para crianças sem seguro, com seguro insuficiente e elegíveis ao Medicaid, programa social de saúde direcionado a pessoas de baixa renda ou com recursos limitados.

Brasil: um exemplo a ser seguido

SUS é alternativa a ser incorporada em todo o mundo. (Fonte: Pexels)
SUS é alternativa a ser incorporada em todo o mundo. (Fonte: Pexels)

No Brasil, o Programa Nacional de Imunização (PNI), presente há mais de 40 anos no Sistema Único de Saúde (SUS), orienta a vacinação desde o pré-natal até o fim da vida dos usuários, mesmo daqueles que moram nas áreas mais remotas do território. No sistema, são cerca de 30 vacinas disponíveis gratuitamente para todos os cidadãos. 

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Fonte: Health Equity, UVA Health, Entrevista dr. Rafael Aureliano Serrano.

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