A piores epidemias que atingiram o Brasil

8 de agosto de 2020 5 mins. de leitura
Doenças como febre amarela, varíola e gripe espanhola afetaram severamente o País, mas estimularam avanços na área da saúde

Atualmente, o Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia de covid-19 em todo o mundo: são mais de 2,5 milhões de casos confirmados e cerca de 90 mil mortes, segundo dados divulgados pela Universidade Johns Hopkins (EUA) até 30 de julho. Contudo, por mais que se trate de uma situação rara, não é a primeira vez que nosso país é severamente afetado por uma doença em grande escala.

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Desde o século 16, epidemias de leishmaniose, esquistossomose, conjuntivite e outras enfermidades trazidas pelos colonizadores afetaram a população brasileira, como explica André Mota, historiador e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em vídeo para o canal da instituição no YouTube.

A seguir, apresentamos três das principais epidemias que atingiram o Brasil ao longo da história.

Febre amarela (a partir de 1850)

Causador: um vírus do gênero Flavivirus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.

Mosquito Aedes aegypti, vetor da febre amarela (Fonte: Wikimedia Commons)
Mosquito Aedes aegypti, transmissor da febre amarela. (Fonte: Wikimedia Commons)

A primeira epidemia que atingiu o Brasil foi a de febre amarela, com um grande surto no Rio de Janeiro em 1850. Em 1889, grande parte da zona cafeicultora paulista também foi afetada pela doença, que, além da febre e da pele amarela, causa calafrios, dores musculares e pode levar à morte.

Dessa forma, a enfermidade era vista como a grande vilã do País, porque atacava tanto o campo quanto a cidade e afetava o comércio de café, que era muito importante. Na época, não se sabia que doenças como essa poderiam ser causadas por um vírus nem que a febre amarela era transmitida por um mosquito, e não entre pessoas.

Apenas no fim do século 19 essas descobertas foram feitas e ajudaram na luta contra a doença. O combate à febre amarela influenciou o desenvolvimento da medicina e da ciência no Brasil, além de moldar o crescimento das cidades, no início do século 20, com medidas para evitar a disseminação do mosquito.

Embora exista uma vacina contra a febre amarela, distribuída gratuitamente, a doença ainda é considerada endêmica em nosso país, especialmente após aumento no número de casos nos últimos anos.

Gripe espanhola (1918)

Causador: vírus influenza H1N1, transmitido entre pessoas.

O vírus influenza causou milhões de mortes, em 1918 (Fonte: Wikimedia Commons)
O vírus influenza causou milhões de mortes em todo o mundo em 1918. (Fonte: Wikimedia Commons)

Com o surgimento da covid-19, a pandemia de 1918 voltou a ser assunto, já que as duas situações apresentam semelhanças. Assim como em 2020, o uso de máscaras era obrigatório, e medidas de distanciamento social foram adotadas para conter a doença. Aulas foram suspensas, eventos foram cancelados e locais de trabalho foram fechados em várias cidades.

No início da pandemia, como conta um artigo publicado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre o assunto, as autoridades brasileiras não deram importância para as notícias vindas de Portugal e acreditaram que a doença não chegaria ao País. Porém, até o fim daquele ano, mais de 14 mil mortes foram registradas apenas no Rio de Janeiro. Relatos da época dizem que havia tantos doentes que faltavam pessoas até para enterrar os mortos. Um dos casos mais notórios foi o do presidente eleito, Rodrigues Alves, que morreu antes de assumir o mandato.

A situação começou a ser revertida quando o médico Carlos Chagas foi convidado pelo então presidente, Venceslau Brás, a assumir o combate à gripe. Ele criou cinco hospitais e mais de 20 postos de atendimento à população em toda a capital.

Varíola (início do século 20)

Causador: cepas do vírus variola (variola major e minor), transmitidas entre pessoas.

A varíola foi erradicada no mundo, após campanhas de vacinação (Fonte: Wikimedia Commons)
A varíola foi erradicada no mundo após campanhas de vacinação. (Fonte: Wikimedia Commons)

A doença é considerada erradicada no mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com seu último caso registrado em 1977 após campanhas de vacinação. Contudo, essa enfermidade, cujo principal sintoma são as pústulas na pele, foi um grande problema no Brasil no início do século 20.

Como explica um artigo da Fiocruz, a vacina contra a varíola já existia há mais de 100 anos e era obrigatória pela legislação brasileira, porém a lei não era praticada. Tendo em vista o alto número de internações pela doença (1,8 mil em 1904), o médico Oswaldo Cruz motivou o governo a implementar a obrigatoriedade da imunização na prática.

Por fim, podemos citar os surtos de peste bubônica, que, com a febre amarela e a varíola, foi uma das três principais doenças a atingir o Brasil na virada do século 19 para o século 20 e estimular o desenvolvimento da medicina no País. Nos registros mais recentes, há também o zika vírus, que afetou milhares de pessoas entre 2015 e 2016 — embora a febre causada pelo zika não seja grave, sua ocorrência em gestantes foi associada ao nascimento de crianças com microcefalia.

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Fontes: Fiocruz, Universidade Johns Hopkins, Universidade de São Paulo.

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