Brasil vs. tuberculose: alto coeficiente de mortalidade ainda afeta o país - Summit Saúde

Brasil vs. tuberculose: alto coeficiente de mortalidade ainda afeta o país

29 de novembro de 2019 5 mins. de leitura

Entenda os principais desafios para controlar novos casos e erradicar a doença

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A tuberculose ainda é um desafio para a saúde pública brasileira e global. O tratamento foi descoberto em 1882 por Robert Koch, mas a doença ainda atinge milhares de pessoas todos os anos. Isso ocorre porque a bactéria Mycobacterium tuberculosis é de fácil contágio.

Devido aos altos índices, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estipulou uma estratégia global para seu enfrentamento. O objetivo é atingir menos de 10 casos em cada 100 mil habitantes e a mortalidade, de 1 em cada 100 mil habitantes até 2035.

Para alcançar a meta da OMS, o Ministério da Saúde elaborou um documento com estratégias voltadas para o cenário brasileiro, chamado Brasil Livre da Tuberculose.

Hoje, a eficácia do tratamento é alta, curando até 90% dos casos. Mas, apesar do diagnóstico simples, o que faz com que a tuberculose ainda seja um problema de saúde pública? Entenda quais são os índices nacionais e globais e os desafios para o enfrentamento da doença.

A tuberculose em números

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Casos confirmados de tuberculose no Brasil por região: 2001 a 2018. (Fonte: DataSUS/Reprodução)

Dados de 2016 da OMS estimam 10,4 milhões de pessoas doentes no mundo, sendo 1,8 milhão por ano o número de mortes por tuberculose. O Brasil aparece como um dos países com mais casos, ocupando o 17º lugar entre os 22 responsáveis por 82% dos casos confirmados.

O Brasil vinha passando por um período de considerável queda nos casos confirmados da doença. Porém, entre 2016 e 2018 os números voltaram a crescer, o que preocupa os profissionais da área.

Um ponto positivo foi a redução de abandono do tratamento e mortalidade entre 2001 e 2018. Todas as regiões do país apresentaram uma significativa queda na taxa de abandono do tratamento (35,6%), assim como a taxa de mortalidade (33,6%).

Esses números mostram um avanço efetivo dos programas de combate à tuberculose, mas ainda há muito a ser feito. Sendo assim, é necessária uma força-tarefa entre os profissionais da saúde e governos — federal, estaduais e municipais — para conseguir atingir os objetivos até 2035.

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Número de abandono do tratamento de tuberculose no Brasil por região: 2001 a 2018. (Fonte: DataSUS/Reprodução)

Por que a tuberculose ainda é um problema de saúde pública no Brasil?

Um dos principais responsáveis para os altos índices está relacionado ao diagnóstico precoce da doença. Cada paciente com tuberculose não identificada e tratada pode infectar entre 10 e 15 pessoas por ano.

Assim, o diagnóstico precoce é fundamental para que o portador do bacilo não transmita para outras pessoas. Isso porque a partir do 15º dia do início do tratamento a maioria das pessoas já não transmite mais a doença.

Outro ponto importante a que os profissionais devem atentar é a educação e a conscientização dos pacientes quanto aos perigos do abandono do tratamento. Essa atitude pode levar a duas consequências: a permanência do doente como fonte de contágio e a resistência medicamentosa. Os principais responsáveis pela persistência da tuberculose são:

  • resistência microbiana;
  • desinformação da população em geral e dos profissionais da saúde;
  • dificuldade de aderir ao tratamento.

Uma observação deve ser feita quanto ao preconceito que ainda gira em torno da doença, o qual também é um fator importante. Devido ao antigo estigma, as próprias pessoas infectadas, muitas vezes, ficam com vergonha de procurar o atendimento médico.

Os desafios para erradicar a doença

Os desafios de combate à doença estão intimamente atrelados ao motivo de ela ainda ser um problema. A fim de atingir as metas da OMS citadas anteriormente, o documento do Ministério da Saúde aponta três princípios para a estratégia.

  • Prevenção e cuidado integrado centrado no paciente: inclui buscar diagnósticos precoces, tratar todos os casos e intensificar ações de prevenção.
  • Políticas públicas arrojadas e sistemas de apoio: a partir de campanhas e ações de conscientização para cuidado e prevenção, articulação multiprofissional, articulação entre as esferas do governo, incentivo à participação da sociedade e aprimoramento dos sistemas e dados.
  • Intensificar a pesquisa e a inovação na área por meio de parcerias e promover iniciativas inovadoras.

É importante também manter o incentivo à vacinação de toda a população. A BCG é a vacina infantil que combate a tuberculose, então são fundamentais as ações para manter a cobertura dela.

Com todos os avanços no diagnóstico e tratamento, a tuberculose não precisa ser um problema. Mas, para isso, é necessário um esforço conjunto e políticas públicas eficazes para atingir as metas da OMS até 2035.

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Fontes: DataSUS, Brasil Livre de Tuberculose, Câmara dos Deputados.

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