Clínicas do Brasil negociam vacina indiana contra covid-19

21 de janeiro de 2021 3 mins. de leitura
Covaxin ainda não tem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

A busca pela vacina contra a covid-19 é uma das principais pautas da atualidade, por isso a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC) está negociando um imunizante para abastecer as clínicas privadas brasileiras. A Covaxin está sendo desenvolvida na Índia pela Bharat Biotech em conjunto com o Conselho Indiano de Pesquisa Média (ICMR) e o Instituto Nacional de Virologia (NIV).

Segundo o site da empresa, as fases I e II dos testes começaram em julho de 2020 e foram um sucesso. Com a autorização da Controladoria Geral de Drogas da Índia (DCGI), o imunizante foi aplicado em 26 mil pessoas na fase III.

O resultado dos testes da Covaxin ainda não foi divulgado pela Bharat Biotech. (Fonte: Shutterstock)
O resultado dos testes da Covaxin ainda não foi divulgado pela Bharat Biotech. (Fonte: Shutterstock)

Vacina da Índia

Em 2 de janeiro de 2021, o governo indiano anunciou a autorização para o uso emergencial da vacina, informando que os dados de eficácia devem ser publicados até fevereiro deste ano. O presidente da Bharat Biotech, Krishna Ella, comunicou que a empresa já tem 20 milhões de doses e pretende produzir 700 milhões ainda em 2021.

Com isso, a ABCVAC, que representa cerca de 70% das clínicas privadas brasileiras, estaria negociando a compra de 5 milhões de doses da Covaxin. O site Medicina S/A afirma que representantes da associação foram ao país asiático para conhecer a fábrica da farmacêutica que está produzindo o imunizante.

Além da associação, a Precisa Medicamentos fechou um acordo para o fornecimento da Covaxin: a assinatura aconteceu na terça-feira (12) e teve a presença de Ella e de André Aranha do Lago, embaixador brasileiro na Índia.

Krishna Ella é cientista e fundador da Bharat Biotech. (Fonte : The News Minute/Reprodução)
Krishna Ella é cientista e presidente da Bharat Biotech. (Fonte : The News Minute/Reprodução)

Aprovação da Anvisa

O sucesso da compra dependerá de um aval de uso da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que ainda não aprovou a Covaxin. Para conseguir a autorização para ser aplicado no Brasil, o imunizante indiano precisará passar por um processo de avaliação de possíveis reações adversas, avaliação de qualidade, certificação de boas práticas de fabricação, pedido de uso emergencial, pedido de registro e, por fim, monitoramento do plano de gerenciamento de risco.

A Anvisa solicitou mais informações para liberar o uso emergencial da vacina. Caso consigam a autorização de aplicação, as clínicas privadas deverão seguir as regras de ordem de grupos prioritários para imunização.

Sem a aprovação da Anvisa, compra da ABCVAC seria apenas gasto de dinheiro. (Fonte: Shutterstock)
Sem a aprovação da Anvisa, compra da ABCVAC seria apenas gasto de dinheiro. (Fonte: Shutterstock)

Desconfiança da Covaxin

A insegurança com a vacina da Índia não é uma característica única do Brasil. O mundo está observando a produção, já que alguns especialistas acreditam que o processo de aprovação do imunizante foi muito apressado e que falta transparência nas informações dos estudos clínicos. No próprio país asiático, a decisão de aprovação do uso deixou a agência de vigilância de saúde All India Drug Action Network preocupada no que se refere aos dados de eficácia, que ainda não foram anunciados publicamente.

O chefe da DCGI, VG Somani, defendeu que a vacina é eficaz e 100% segura. O especialista afirmou que, como qualquer outro imunizante para a covid-19, a Covaxin pode gerar reações adversas como febre baixa, dor e alergia.

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Fontes: Medicina S/A, Saúde IG, India TV, Bharat Biotech, CNN.

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