Covid-19 é doença vascular, aponta estudo dos EUA

8 de junho de 2021 4 mins. de leitura
Pesquisa poderá ajudar a encontrar tratamentos eficazes para tratar pacientes infectados pelo novo coronavírus

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Segundo um estudo realizado pela Universidade de San Diego e pelo Instituto Salk, há provas de que a covid-19 não é uma doença respiratória, mas sim vascular. Isso poderia explicar a formação de coágulos sanguíneos em alguns pacientes infectados pelo novo coronavírus, além do aparecimento de outros sintomas que não são comuns em doenças respiratórias, como lesões nos pés e nas mãos.

Em artigo publicado na revista Circulation Research, os pesquisadores mostram com precisão como o vírus danifica as artérias, veias e vasos capilares. A pesquisa se concentra no impacto do Sars-CoV-2 no endotélio vascular, responsável por funcionar como uma barreira imunológica para a circulação do sangue.

A descoberta proporciona uma mudança de perspectiva sobre a doença, especialmente sobre a infecciosidade e gravidade dos vírus mutantes. Isso pode abrir novos caminhos para o tratamento, ajudando a reduzir a morbidade e mortalidade a curto e longo prazos.

Desenvolvimento do estudo

Lesões nos pés relacionadas à covid-19 não se encaixam em sintomas de doenças respiratórias. (Fonte: Shutterstock/Smeilov Sergey/Reprodução)
Lesões nos pés relacionadas à covid-19 não se encaixam em sintomas de doenças respiratórias. (Fonte: Shutterstock/Smeilov Sergey/Reprodução)

Os cientistas criaram um pseudovírus para o estudo, que continha apenas a proteína Spike, ou proteína S, mas não o resto do vírus, para mostrar em laboratório que essa proteína é suficiente por si só para causar doenças. As vacinas disponíveis atualmente utilizam a proteína para estimular uma resposta do sistema imunológico.

O pseudovírus foi administrado na traqueia de camundongos e revelou que a exposição à Spike resultou em dano às artérias dos animais. A equipe também descobriu que as células endoteliais que revestem as paredes da artéria pulmonar estavam inflamadas nas amostras de tecido.

A equipe realizou outro experimento em laboratório, expondo células endoteliais saudáveis à proteína spike. Os resultados mostraram que a proteína danificou as células ao se ligar ao ACE2. Houve também alteração nos sinais moleculares de ACE2 para a mitocôndria, causando fragmentação mitocondrial.

Atuação da proteína Spike

Imagens representativas de células de controle do endotélio vascular (esquerda) e células tratadas com a proteína Spike (direita) mostram que a proteína causa aumento da fragmentação mitocondrial em células vasculares. (Fonte: Instituto Salk/Reprodução)
Imagens representativas de células de controle do endotélio vascular (esquerda) e células tratadas com a proteína Spike (direita) mostram que a proteína causa aumento da fragmentação mitocondrial em células vasculares. (Fonte: Instituto Salk/Reprodução)

A proteína S desempenha um papel fundamental no reconhecimento do receptor e no processo de fusão da membrana celular. Primeiro, ela se liga ao receptor ACE2 do hospedeiro para penetrar na membrana celular, em seguida, as células endoteliais, expressam ACE2 abundante, o que as torna um alvo direto para a infecção pelo vírus.

Depois, a Spike gera um feixe de seis hélices que promove a fusão da membrana celular viral, assim, iniciando a infecção. O vírus então age diretamente sobre as mitocôndrias, responsáveis por gerar energia para as células e, consequentemente, comprometendo o funcionamento celular.

Doença vascular

As células endoteliais pulmonares têm um papel importante na vigilância imunológica, mantendo a integridade alveolar e garantindo a troca de oxigênio adequada. Os pesquisadores afirmam que a infecção causada pela covid-19 e a resposta inflamatória sistêmica provavelmente levam à disfunção severa dessas células, agravando o quadro resultante de falta de oxigênio e a síndrome do desconforto respiratório agudo frequentemente relatado em pacientes hospitalizados.

Dessa maneira, os efeitos no sistema respiratório são consequências da inflamação do tecido vascular dos pulmões. “Isso poderia explicar por que algumas pessoas têm derrames e algumas pessoas têm problemas em outras partes do corpo. A semelhança entre os casos é que todos têm bases vasculares”, afirmou Uri Manor, um dos autores do estudo, em comunicado à imprensa do Instituto Salk. 

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Fonte: Instituto Salk, Circulation Research.

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