Covid-19: jovens morrem sete vezes mais no Brasil

20 de julho de 2021 4 mins. de leitura
Estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta uma alta mortalidade entre menores de 20 anos no País

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De acordo com um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), publicado na revista científica The Lancet Child & Adolescent Health, os pacientes brasileiros com idade inferior a 20 anos que contraíram covid-19 apresentaram uma mortalidade sete vezes maior em comparação com as crianças hospitalizadas no Reino Unido.

Enquanto no Reino Unido o índice de óbitos entre jovens com comorbidades ficou em 1%, no Brasil chegou a 7,6%. Os pesquisadores avaliam que os poucos recursos disponíveis para a assistência à saúde, inclusive a pequena disponibilidade de UTIs pediátricas, podem ter contribuído para o quadro brasileiro.

O estudo recebeu verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Além de cientistas da UFMG, a pesquisa contou com pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e da Universidade da Califórnia San Diego.

Dados sobre a mortalidade de jovens

Estudo brasileiro é o maior levantamento pediátrico relacionado a infecções por covid-19. (Fonte: wavebreakmedia/Shutterstock/Reprodução)
Estudo brasileiro é o maior levantamento pediátrico relacionado a infecções por covid-19. (Fonte: wavebreakmedia/Shutterstock/Reprodução)

A pesquisa analisou dados de mais de 80 mil crianças internadas em hospitais brasileiros entre 16 de fevereiro de 2020 e 9 de janeiro de 2021 com suspeita da doença. Do total, 11 mil tiveram comprovação laboratorial da infecção pelo novo coronavírus e foram incluídas na análise. Sendo que, entre os pacientes com diagnóstico comprovado:

  • 886 morreram no hospital, em média seis dias após a admissão na unidade;
  • 10.041 receberam alta do hospital; 
  • 369 estavam internados no momento da análise; 
  • 317 casos estavam sem informações sobre o desfecho da doença. 

A probabilidade estimada de morte foi de 4,8% durante os primeiros dez dias após a internação, de 6,7% nos primeiros 20 dias e de 8,1% ao fim do estudo.

As informações analisadas pelos pesquisadores foram extraídas do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), banco de dados nacional com pacientes dos sistemas público e privado.

Criado durante a epidemia do H1N1, o Sivepse tornou a partir da pandemia de covid-19 o sistema para registro de todos os casos das doenças que evoluem com desconforto respiratório. Os dados, que são de domínio público, englobam as internações em hospitais públicos e privados de todo o país.

Fatores de risco para covid-19

Crianças indígenas têm maior o risco de morrer por covid-19 no Brasil. (Fonte: arun sambhu mishra/Shutterstock/Reprodução)
Crianças indígenas têm maior o risco de morrer por covid-19 no Brasil. (Fonte: arun sambhu mishra/Shutterstock/Reprodução)

Os resultados da pesquisa revelam que as desigualdades sociais no Brasil têm a mesma influência que as comorbidades na faixa etária pediátrica nos desfechos de covid-19. A idade, a etnia, a macrorregião geográfica de origem e a presença de comorbidades foram os principais fatores de risco para uma maior mortalidade, de acordo com os pesquisadores.

O índice de óbitos foi maior entre menores de dois anos e em adolescentes com idade entre 12 e 19 anos. Os pesquisadores também notaram um aumento progressivo da incidência de mortes com base no número de comorbidades, ou seja, o risco do desfecho negativo é maior a cada doença pré-existente a mais.

Em comparação aos pacientes do Sudeste, as pessoas que sofreram com infecções por covid-19 das regiões Nordeste e Norte também tiveram um maior risco de morte decorrente da doença. As crianças indígenas tiveram mais que o dobro de risco de mortalidade em relação às de outras etnias. 

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Fontes: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), The Lancet.

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