Do Brasil para o mundo: como a vacina é produzida no país?

30 de setembro de 2019 5 mins. de leitura
País se mantém como referência na produção de vacinas e pretende aumentar sua capacidade até 2020
Em um ano em que diversos países seguem acumulando um recorde global com mais de 360 mil casos de sarampo registrados desde janeiro, o Brasil segue com a segunda posição em contaminação pela doença nas Américas — foram mais de 2,9 mil casos registrados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que esse número pode ser ainda maior e que não há notícias de um surto tão grande da doença desde 2006. Nesse cenário, entender como funciona o processo de produção de vacina e a sua real importância para a sobrevivência humana em todo o mundo é fundamental. As razões pelas quais as pessoas ainda não contam com uma ampla cobertura vacinal varia de região para região. Em alguns casos, ainda existe a falta de estrutura ou acesso aos sistemas de saúde; porém, a desinformação ou a falta de conscientização agravam ainda mais esse quadro que favorece a propagação dos vírus.

Processo de fabricação de vacina

Importante desde a primeira infância, a carteira de vacinação deve acompanhar todos os cidadãos para que possam viver de modo saudável em sociedade — ou, pelo menos, evitar a contaminação de um número maior de pessoas. A falta desse tipo de solução em séculos passados causou a dizimação de parte da população em virtude do descontrole causado, por exemplo, pela varíola. Dados da OMS afirmam ainda que, no caso do sarampo, uma cobertura vacinal de 95% é necessária para garantir a correta aplicação da vacina dentro das comunidades. A elaboração de uma vacina exige ainda que experimentos e pesquisas sejam realizados durante anos antes de chegar à população. Testes em cobaias e exames para analisar os níveis de reação ainda são utilizados antes dos testes em humanos. E todo esse estudo, em diversos países, ainda é financiado pelos governos Nesse processo, uma ampla pesquisa começa a partir do estudo do vírus ou bactéria causadora de uma enfermidade. O objetivo dos especialistas passa a ser o isolamento da substância e sua observação em laboratório, para então iniciar as definições de como ela será implementada. Dentro do processo de fabricação, a vacina passa por procedimentos específicos com o intuito de enfraquecer o poder de infecção causado por determinado vírus, de modo a despertar o sistema imunológico para que ele aja em defesa do indivíduo. No Instituto Butantã, referência mundial na produção de vacina, uma máquina é responsável por injetar o vírus ainda vivo em ovos para que seja então mantido em incubação por um período de 60 a 72 horas. Nesse tempo, o vírus tem o poder de se multiplicar 10 milhões de vezes. Depois dessa etapa, o material extraído do ovo passa por etapas de segmentação e, então, o vírus é eliminado. Em alguns casos, como o da gripe, é necessário ainda que a vacina seja estudada e atualizada anualmente. Isso porque o vírus pode passar por mutações e se tornar mais resistente às substâncias anteriormente estudadas. Todo esse processo é rigorosamente fiscalizado por agências reguladoras em cada país e pela OMS. Quando a solução é finalizada, a etapa de testes — que geralmente acontece em parceria com grandes empresas do ramo farmacêutico — se inicia e pode durar muitos anos até a sua liberação. Isso ocorre porque, além das diversas regulamentações necessárias em cada região, é preciso analisar a resposta imunológica das pessoas que realmente possuem necessidade de uso do medicamento. A presença de efeitos colaterais é ainda uma das maiores preocupações desse tipo de estudo. Quando o resultado é satisfatório e as liberações são firmadas, inicia-se o processo de distribuição. Embora fatores externos em relação ao clima possam interferir nos resultados e na propagação de determinado vírus, a exportação de vacinas é uma realidade que tem colaborado para a saúde em todo o mundo.

Brasil na liderança

O Brasil é referência global na produção e exportação de vacina para mais de 70 países. Localmente, o Instituto Butantã e a Fundação Oswaldo Cruz são as grandes responsáveis pela pesquisa e pelo desenvolvimento dessas soluções. Além de ser conhecido pela criação de cobras e soros antiofídicos, o Instituto Butantã, fundado em 1901, distribui cerca de 25 tipos de vacinas de forma gratuita e atua fortemente no desenvolvimento de novas tecnologias.

Planos de expansão no país

O Instituto Butantã divulgou recentemente seus planos de expansão no país, a fim de iniciar a exportação de vacinas como a da gripe, carro-chefe do Instituto. Com o investimento de aproximadamente R$ 1,8 bilhão, além de 65 milhões de doses entregues por ano para o Ministério da Saúde, acredita-se que o Instituto poderá oferecer cerca de 60 milhões de unidades só no Hemisfério Norte já em 2020. Curtiu o assunto? Saiba mais sobre inovação e diferentes tecnologias aplicadas à medicina; clique aqui. Fontes: Instituto Butantã, Organização das Nações Unidas, Governo do Estado de São Paulo, Drauzio Varella, Ministério da Saúde.
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