Intoxicação por medicamentos: sintomas e riscos

23 de março de 2020 4 mins. de leitura
Casos costumam estar relacionados a ingestão acidental, proposital ou automedicação

Sabe-se que os medicamentos podem desempenhar um papel essencial para aumentar a expectativa e a qualidade de vida da população. No entanto, assim como curam, podem prejudicar se não forem bem administrados. A intoxicação por medicamentos é questão de saúde pública, pois basta uma dosagem errada ou sem prescrição (automedicação) para se ter sérios problemas.

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A superdosagem pode ser acidental, por desconhecimento ou proposital. No primeiro caso, pode ocorrer se o paciente confundir a quantidade indicada; o segundo se dá quando a pessoa acha que pode se automedicar, mas não sabe a dosagem necessária; o terceiro ocorre em tentativas de suicídio. Seja qual for o caso, é grave — e é preciso buscar ajuda imediatamente após a identificação dos sintomas.

(Fonte: Freepik)

Como identificar casos de intoxicação

Identificar os sintomas de uma possível intoxicação por remédios é essencial para prestar o socorro necessário, principalmente quando se trata de crianças e idosos, cuja saúde é mais delicada. Alguns sintomas são imediatos, enquanto outros podem aparecer dias depois da ingestão da substância.

De forma geral, a intoxicação medicamentosa apresenta estes sintomas:

  • sudorese;
  • diarreia;
  • vômito;
  • tontura;
  • palpitação;
  • mudança brusca de comportamento;
  • aumento da salivação;
  • sedação.

Veja o que pode ocorrer com a superdosagem de alguns medicamentos.

Paracetamol

Fármaco de venda livre, o paracetamol, se ingerido em excesso, pode causar gastroenterite horas após o uso. Os sintomas são diarreia, náusea, vômito e febre. Outra complicação pode surgir de um dia a três dias depois: a hepatotoxicidade é uma inflamação no fígado e tem como sinais náusea, vômito, icterícia, perda de apetite e de peso.

Aspirina

A aspirina também é um medicamento de venda livre, e a intoxicação pode ocorrer ao ser ingerida uma dosagem elevada. Já se a pessoa ingerir repetidamente doses baixas, os sintomas aparecerão aos poucos: enjoo, vômito, respiração rápida, zumbido nos ouvidos, confusão e sonolência. É importante frisar que a intoxicação aguda por esse medicamento dificilmente ocorrerá de forma acidental, pois é preciso uma dosagem muito alta para que isso aconteça.

Descongestionantes nasais

A intoxicação por descongestionantes nasais ocorre quando o paciente os ingere ou faz aplicações excessivas. Em casos leves, pode haver vômito, náusea, cefaleia, irritabilidade, aumento da pressão arterial e sudorese. Já os casos graves mostram sintomas como dilatação das pupilas, sonolência, hipotermia e até coma.

Antigripais

De acordo com a Secretaria de Saúde do Paraná, há relatos do uso abusivo proposital de antigripais para se obter efeitos sensoriais e psíquicos — em outras palavras, alucinações. Em casos de intoxicação grave, pode haver hipertensão arterial, tremores, tonturas, sonolência, confusão mental, convulsão, alucinações e palpitação. Outros tipos de medicamento que causam intoxicações graves, levando muitas vezes a óbito por overdose, são os antidepressivos, tranquilizantes e anticonvulsivantes.

(Fonte: Freepik)

Uso racional de medicamentos

“O uso racional de medicamentos parte do princípio de que o paciente recebe o medicamento apropriado para suas necessidades clínicas, nas doses individualmente requeridas para um adequado período de tempo e a um baixo custo para ele e sua comunidade”, define a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Esse tema também faz parte da promoção de políticas públicas no Brasil, com a finalidade de diminuir as estatísticas de problemas relacionados ao uso abusivo de drogas e promover a conscientização sobre os perigos das superdosagens e da automedicação.

O uso racional de remédios inclui evitar:

  • o uso ou a dosagem inadequada de antimicrobianos. Vale reforçar que consumir antibióticos sem prescrição pode, além de não ser adequado para o combate do agente causador da infecção, tornar as bactérias resistentes à substância;
  • o mix de medicamentos da “farmácia caseira” e a automedicação;
  • o uso de injeção quando o mais apropriado seria a formulação oral;
  • a não aderência à dosagem recomendada pelo especialista.

Fontes: OMS, OPAS, Secretaria da Saúde do Paraná.

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