Os 7 mitos sobre a covid-19 derrubados pela Ciência

29 de abril de 2020 5 mins. de leitura
Circulação de boatos sobre a doença pode colocar vidas em riscos e levar colapso ao sistema de saúde

O novo coronavírus é o principal assunto de portais de notícias e de compartilhamento de postagens em redes sociais. O volume excessivo de dados divulgados, conhecido também como infodemia, não significa qualidade de informação.

No meio da pandemia de covid-19, uma série de boatos e mitos são divulgados. Aparentemente inofensivas, as fakes news podem colocar a vida da população em risco e pressionar ainda mais o sistema de saúde, aproximando-o do colapso.

Combater a desinformação é uma das frentes na luta contra o novo coronavírus, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Dessa forma, desvendar os mitos sobre a covid-19 também contribui para a saúde coletiva. Confira as respostas corretas para combater os principais boatos sobre a doença.

Apenas pessoas idosas estão em risco?

Idosos e pessoas com doenças crônicas, como diabetes ou asma, têm maior probabilidade de serem atingidos. No entanto, indivíduos de qualquer idade, inclusive crianças e jovens, podem ser infectados pela covid-19, ainda que os sintomas possam ser menos graves nesses casos.

Os homens têm mais risco de contrair a doença

Dados do Ministério da Saúde apontam que, até o final de março, no Brasil, 60% das pessoas mortas pela covid-19 eram homens — o que leva acreditar que a doença pode atingir os gêneros de formas diferentes.

Biologicamente, não há nenhuma evidência de que o vírus ataque mais homens do que as mulheres. O registro de uma proporção maior de homens infectados e mortos está relacionado às características dos hábitos masculinos.

Homens bebem e fumam mais do que as mulheres, além de serem mais negligentes quanto à própria saúde. Na China, metade dos homens mortos pela infecção do novo coronavírus fumavam. Enquanto esse índice entre as mulheres é de apenas 2%.

Pessoas jovens e saudáveis não morrem de covid-19

Pessoas jovens, saudáveis e até atletas não estão imunes às infecções causadas pelo novo coronavírus. Estatística divulgada pelo Ministério de Saúde da Itália, afirma que 12% dos pacientes internados na UTI por covid-19, em março, tinham de 19 a 50 anos. No entanto, a taxa de mortalidade é baixa — apenas 1% dos infectados da faixa etária morrem — se comparado a dos idosos.

No Brasil, o infectologista Alexandre Cunha, do Hospital Sírio-Libanês, estima que haverá mais jovens mortos do que idosos em termos absolutos. Isso porque pessoas de 18 a 49 anos correspondem a quase metade da população brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda que a proporção de mortes entre os idosos seja maior, a dos jovens será maior no número total de óbitos.

Animais domésticos disseminam o novo coronavírus?

(Fonte: Shutterstock)

A principal transmissão da covid-19 responsável pela pandemia é a entre humanos. Ainda que o novo coronavírus possa ser encontrado em animais, não há evidências científicas da transmissão de bichos para humanos.

No caso de animais domésticos, existem poucas evidências de que o novo coronavírus possa infectá-los. Os pets podem conter baixos níveis de vírus que são provavelmente inofensivos, mas é sempre aconselhável higienizar com água e sabão as mãos após o contato com qualquer animal.

(Fonte: Shutterstock)

O coronavírus pode desaparecer no calor

Um estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) sugere que o Sars-Cov2 se espalha mais lentamente em países onde a temperatura é mais elevada. No entanto, isso não é uma garantia de que o novo coronavírus possa desaparecer no calor.

Geralmente, os coronavírus sobrevivem por períodos mais curtos quando expostos a temperaturas e à umidade mais altas do que em ambientes mais frios ou secos. Porém, não existem dados sobre um ponto de corte baseado em temperatura para inativação do novo coronavírus. São necessários mais estudos para compreender a sua relação com a doença.

Novo coronavírus foi feito em laboratório

Nenhuma evidência sugere que o Sars-Cov-2 foi construído por humanos em um laboratório. Um estudo publicado na revista Lancet fez uma descrição de dez sequências genéticas do novo coronavírus e mostrou a sua similaridade com outros coronavírus que causaram outras pandemias neste século, o Sars-Cov e o Mers-Cov.

Todos esses vírus têm o morcego como hospedeiro original. No caso do Sars-Cov-2, os hospedeiros intermediários parecem ter sido os animais do mercado de Wuhan.

Produtos da China transportam o vírus para outros locais

Quando a epidemia do novo coronavírus começou na China, acreditava-se que os produtos enviados por esse país poderiam transportá-lo. No entanto, o vírus sobrevive fora do corpo humano por apenas 24 horas, portanto não é possível que objetos e cartas transportados pelo mundo disseminem a covid-19.

Fonte: The Guardian, The New York Times, Fórum Econômico Mundial, ONU, CNN, Ministério da Saúde, Estadão.

Gostou? Compartilhe!