Os efeitos da masculinidade tóxica na saúde do homem

15 de janeiro de 2020 4 mins. de leitura
Relatório da Organização Pan-Americana da Saúde revela dados sobre o tema

A masculinidade tóxica é uma construção social, que define um conjunto de regras que determinam comportamentos específicos esperados de indivíduos do sexo masculino. Devido a isso, pode impactar negativamente a saúde e o dia a dia de muitas pessoas.

De modo geral, essas imposições costumam ser repressivas e ligadas a comportamentos violentos, valorizando a força física e transformando as emoções em um sinal de fraqueza. Por isso, afetam a vida dos homens em diversos aspectos e, inclusive, são capazes de perpetuar casos de homofobia, estupro e misoginia.

Não à toa, a Associação Norte Americana de Psicologia estima que 80% dos homens americanos sofram de uma condição conhecida como alexitimia: “incapacidade de expressar, descrever ou distinguir entre as emoções. Pode ocorrer em uma variedade de distúrbios, especialmente psicossomáticos e alguns transtornos por uso de substâncias, ou após exposição repetida a um estressor traumático. Também pode ser um distúrbio por si só”.

(Fonte: Shutterstock)

Masculinidade tóxica vs. saúde

No dia 18 de novembro de 2019, a Organização Pan-Americana da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), lançou um relatório sobre o tema. Nele, destaca-se que um em cada cinco homens que vivem nas Américas morre antes dos 50, sendo que muitas dessas mortes são causadas por problemas diretamente ligados à masculinidade tóxica.

De acordo com os dados, as expectativas sociais em relação aos homens são capazes de aumentar o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, vícios, acidentes de trânsito e homicídios, além de contribuírem para o aumento das taxas de suicídio.

A OPAS revelou, ainda, que apesar de nascerem mais meninos do que meninas no mundo (105 meninos para 100 meninas), esse número começa a se inverter a partir dos 30 e 40 anos; na faixa dos 80, passa a ser de 190 mulheres para cada 100 homens.

Essa diferença passa a ser notada já aos 10 anos de idade e aumenta ainda mais aos 15 — sendo que, nessa idade, predominam as causas de mortes mais violentas, como acidentes, homicídio e suicídio. O resultado disso é que a taxa de mortalidade entre homens jovens é de quatro a sete vezes maior do que entre as mulheres jovens.

(Fonte: Shutterstock)

Impactos na qualidade de vida

Conforme o levantamento da OMS, sabe-se que a masculinidade tóxica é capaz inclusive de matar — devido à menor probabilidade de os homens se cuidarem e procurarem ajuda médica em casos de problemas de saúde. Isso afeta os homens principalmente a partir dos 50 anos, quando os problemas crônicos passam a ser mais comuns.

Um exemplo recorrente se refere ao diagnóstico do câncer de próstata. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), foram estimados cerca de 68,2 mil novos casos da doença no Brasil. Porém, o preconceito e a insegurança afastam os homens das visitas ao médico para a realização do exame, o que leva ao tratamento tardio, em estágios avançados — e, consequentemente, diminui as chances de cura.

Outros aspectos afetados pelos estereótipos

O trânsito também é um ambiente que sofre a interferência da masculinidade tóxica. De acordo com dados divulgados pelo Governo do Estado de São Paulo, em 2016, 77% dos mortos em acidentes de trânsito no Estado eram homens. Os dados também são semelhantes em âmbito nacional, e isso ocorre principalmente devido ao estímulo ao comportamento agressivo por essa parcela da população.

Além disso, a esfera do trabalho pode ser considerada hostil. Inclusive, o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial de mortes por acidentes de trabalho, com 1,3 milhão de casos por ano. Entre as várias causas, estão más condições de trabalho e grande carga de produção em um curto período.

Possíveis soluções

Diante desse cenário, o relatório da Organização Pan-Americana da Saúde apontou algumas resoluções que os países devem implementar a fim de ajudar a melhorar a saúde dos homens. Algumas delas são aprimorar, sistematizar e disseminar dados sobre masculinidades e saúde, bem como desenvolver políticas públicas e programas de saúde para prevenir e resolver os principais problemas que afetam os homens ao longo da vida.

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Fontes: ONU, OPAS Organização Pan Americana da Saúde.

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