Pandemia desencadeou distúrbios alimentares, segundo estudo

31 de maio de 2021 4 mins. de leitura
O estresse é um dos fatores que aumenta a compulsão por alimentos

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Durante a pandemia, houve um aumento nos distúrbios alimentares, segundo um estudo da Universidade de Minnesota. As doenças relacionadas à alimentação atingem 9% da população mundial e podem gerar repercussão negativa para a saúde psiquiátrica. Cerca de 26% das pessoas com transtornos alimentares tentam o suicídio.

Além dos atuais fatores de risco para distúrbios alimentares em nível populacional, como pressões socioculturais para atingir uma forma corporal ideal, vários comportamentos durante a crise sanitária provocada pelo novo coronavírus foram considerados potenciais fatores de risco para distúrbios alimentares.

O estudo associa o estresse a uma ocorrência mais alta de comportamentos extremamente prejudiciais à saúde de controle de peso. Insegurança alimentar, sintomas depressivos mais elevados e dificuldades financeiras foram os principais fatores relacionados a maiores chances de compulsão por alimentos.

Distúrbios alimentares na pandemia

Pesquisa investigou como a pandemia alterou os hábitos alimentares e o impacto na saúde. (Fonte: Shutterstock/eldar nurkovic/Reprodução)
Pesquisa investigou como a pandemia alterou os hábitos alimentares e o impacto na saúde. (Fonte: Shutterstock/eldar nurkovic/Reprodução)

Os pesquisadores identificaram seis temas relativos à alimentação desordenada durante a pandemia:

  • comer e petiscar sem pensar;
  • aumento do consumo de alimentos;
  • diminuição generalizada do apetite ou ingestão alimentar;
  • comer para enfrentar situações adversas;
  • reduções relacionadas à pandemia na ingestão alimentar;
  • ressurgimento ou aumento acentuado dos sintomas de transtorno alimentar.

Aproximadamente 8% dos estudados relataram comportamentos extremos de controle de peso prejudiciais à saúde, já 53% tiveram comportamentos menos extremos de controle de peso prejudiciais à saúde e 14% relataram compulsão alimentar.

Os resultados sugerem que dificuldades financeiras moderadas ou graves podem estar associadas a comportamentos alimentares desordenados. Por isso, “é essencial que as intervenções preventivas e os esforços de tratamento dos transtornos alimentares sejam facilmente acessíveis e amplamente divulgados para aqueles em risco elevado”, argumentou a pesquisadora Melissa Simone, do pós-doutorado da Universidade de Minnesota, em release da instituição.

Investigação de saúde alimentar

Pesquisa coletou dados qualitativos e quantitativos de mais de 600 pessoas, a maioria residente em Minnesota. (Fonte: Shutterstock/eric laudonien/Reprodução)
Pesquisa coletou dados qualitativos e quantitativos de mais de 600 pessoas, a maioria residente em Minnesota. (Fonte: Shutterstock/eric laudonien/Reprodução)

A pesquisa, publicada no International Journal of Eating Disorders, teve como objetivo compreender as associações potenciais nos comportamentos alimentares durante a pandemia de covid-19 por meio da análise de dados qualitativos e quantitativos coletados entre abril e maio de 2020 de voluntários do Projeto Covid-19 Eating and Activity over Time (C-EAT).

“Os transtornos alimentares têm uma das taxas de mortalidade mais altas em todos os problemas de saúde psiquiátrica e, portanto, é importante tentar fazer ligações entre as consequências da pandemia e os comportamentos alimentares desordenados”, disse Simone.

A pesquisa C-EAT foi projetada para capturar correlações de alimentação, atividade e comportamentos de saúde relacionados ao peso durante o surto de covid-19 e identificar áreas que precisam de atenção imediata para evitar consequências adversas à saúde.

A amostra do estudo contou com 447 mulheres, 263 homens e 10 participantes de outras identidades de gênero. A maioria dos entrevistados (90%) morava em Minnesota no momento em que completou a pesquisa.

As identidades étnicas e raciais relatadas pelos participantes foram 29,6% brancos, 23,9% asiáticos, 16,5% latinos, 18,2% afro-americanos e 11,8% mistos ou outros. A distribuição entre as categorias, com base principalmente no nível de escolaridade inicial, foi: 32,7% baixo; 20,7% médio-baixo; 17,0% médio; 18,5% médio-alto; 11,2% alto.

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Fonte: Universidade de Minnesota, Associação de Anorexia Nervosa e Distúrbios Associados (Anad), International Journal of Eating Disorders.

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