Quarentena do coronavírus na Itália: o que é e como funciona

11 de março de 2020 4 mins. de leitura
Cerca de 60 milhões de pessoas estão seguindo regras restritas para evitar o avanço do coronavírus no território italiano

Frente ao aumento exponencial de casos de covid-19 na Itália, o Primeiro-Ministro, Giuseppe Conte, tomou uma medida drástica e colocou o país inteiro em quarentena. Desde o dia 7 de março, as regras haviam sido aplicadas a diversas regiões no norte; porém, na última segunda-feira (09), o governo decidiu ampliar as restrições de deslocamento para todo o país.

Essa foi a primeira decisão de tal magnitude desde o início da epidemia do novo coronavírus, em janeiro. Na China, onde tudo começou, o isolamento foi imposto apenas aos habitantes de Wuhan, região considerada o epicentro do surto.

Contudo, em pouco tempo, a Itália se tornou o local mais afetado pela doença fora da Ásia, preocupando as autoridades; até 10 de março, já tinham sido registrados mais de 10 mil casos em todas as 20 regiões do país, com mais de 630 mortes.

Em pronunciamento, Conte disse que “não haverá mais zona vermelha na Península. A Itália inteira será uma zona protegida”. Com o anúncio, mais de 60 milhões de italianos terão sua liberdade restrita, viajando apenas com autorização e seguindo regras rígidas.

(Fonte: BBC/Reprodução)

Ruas vazias na Itália

Em seu anúncio, Conte definiu as regras como “fique em casa“. De acordo com informações divulgadas pela rede britânica BBC, as primeiras horas de quarentena na Itália fizeram com que as pessoas corressem aos supermercados para abastecer seus estoques e esvaziassem as ruas.

Trata-se de uma medida de precaução, pois os estabelecimentos comerciais continuarão abertos, mesmo com a quarentena; na verdade, muitos serviços funcionarão normalmente, e as pessoas poderão seguir sua vida, embora com muitas restrições.

As viagens devem ser apenas por motivos de trabalho ou emergência, com necessidade de autorização da polícia para embarque em aviões ou trens. Carros e ônibus também estão sendo parados pela fiscalização, segundo a emissora Sky News.

Todos os eventos sociais que reúnam muitas pessoas — incluindo festas particulares, como casamentos ou funerais — foram cancelados. Treinos e partidas de esportes de alto nível continuam acontecendo, mas com portões fechados.

Como dito, os supermercados seguem funcionando, assim como a maioria dos comércios, mas o expediente acaba às 18h, e as pessoas devem ficar a, no mínimo, 1 metro de distância umas das outras. Escolas e universidades ficarão fechadas pelo menos até 3 de abril. Já museus, cinemas e teatros não têm data prevista para reabrir.

(Fonte: BBC/Reprodução)

Reações drásticas à quarentena

Além da corrida aos supermercados, a resposta ao anúncio de Conte foi bastante enérgica em diversos outros setores da sociedade. Presídios em todo o norte da Itália registraram rebeliões após a notícia de que as visitas de familiares seriam restritas ou suspensas por conta da quarentena.

Na economia, a Bolsa de Valores de Milão caiu 11% na segunda-feira (09), de acordo com a agência de notícias Reuters. Foi a segunda maior queda registrada em todo o mundo nesse dia, atrás apenas da Bovespa, que teve baixa de 12%, causada por questões diversas.

O Primeiro-Ministro reconheceu que colocar o país inteiro sob quarentena irá gerar prejuízos incalculáveis para a economia, mas afirmou que todos os italianos precisam fazer sua parte, abdicando de algo pelo bem-estar coletivo. Conte evocou os discursos de Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial ao dizer que a Itália passa por sua hora mais escura, mas vai conseguir superá-la.

Fontes: BBC, Reuters, Business Insider.

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