Radioterapia: quais os desafios para ampliar o acesso até 2030?

12 de novembro de 2021 4 mins. de leitura
Envelhecimento da população tornará a radioterapia mais necessária

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Radioterapia é um dos principais procedimentos voltados para o controle de tumores cancerígenos. Segundo a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), mais da metade dos pacientes com câncer recebem radioterapia em alguma fase do tratamento. No entanto, nem todas as pessoas que necessitam da prática têm acesso ao recurso no Brasil.

Pouco menos de 16% dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com indicação de radioterapia conseguem iniciar o tratamento no período estabelecido pelo Ministério da Saúde, de acordo com um relatório realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de 2015, realizado com base em uma auditoria na Política Nacional de Atenção Oncológica.

Esse dado é ainda mais preocupante diante da tendência de envelhecimento da população no País. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que, até 2030, a população de pessoas acima de 65 anos deve dobrar com relação a 2010.

Com base nisso, a SBRT calcula que 640 mil idosos receberão diagnóstico positivo para o câncer e 333 mil deverão receber indicação de radioterapia. Isso colocará ainda mais pressão sobre o SUS, que atende cerca de 77% da população brasileira.

Desafios para democratização da radioterapia

Mais da metade dos aceleradores lineares do Brasil estão obsoletos, aponta relatório. (Fonte: Shutterstock/Ververidis Vasilis/Reprodução)
Mais da metade dos aceleradores lineares do Brasil estão obsoletos, aponta relatório. (Fonte: Shutterstock/Ververidis Vasilis/Reprodução)

Diante desse cenário, é urgente criar um plano para ampliar a democratização da radioterapia. Um pool de entidades públicas e privadas, que inclui a SBRT, o Ministério da Saúde, Instituto Nacional do Câncer, Siemens e University of New York elaborou o RT2030, um relatório para indicar soluções que tornem possível o acesso integral ao tratamento até 2030.

Investimento em novos equipamentos

O documento afirma que houve um subfinanciamento da radioterapia no Brasil, com a concentração dos investimentos em máquinas e locais com maior capacidade de retorno de investimento. Além disso, os 409 equipamentos em operação são insuficientes e mais da metade estão obsoletos.

O relatório aponta que são necessários 334 novos aceleradores lineares para substituir as máquinas antigas e alcançar pelo menos 530 equipamentos em 2030. As novas máquinas devem ser distribuídas pelo território nacional considerando aspectos geográficos, econômicos, sociais e o perfil epidemiológico de cada região.

Novas tecnologias

Novas tecnologias devem ser implantadas de acordo com necessidades clínicas previamente mapeadas para evitar desperdício. (Fonte: Shutterstock/metamorworks/Reprodução)
Novas tecnologias devem ser implantadas de acordo com necessidades clínicas previamente mapeadas para evitar desperdício. (Fonte: Shutterstock/metamorworks/Reprodução)

A radioterapia utiliza alta tecnologia e tem uma rápida evolução, com novas abordagens e técnicas que progridem gradualmente. É necessário criar evidências clínicas e econômicas para que todos os pacientes tenham acesso ao potencial das inovações promissoras, evitando impactos desnecessários nos orçamentos da saúde.

A introdução de um sistema de dados, a exemplo do big data, pode melhorar a eficiência de processos ao combinar as evidências clínicas e questões econômico-financeiras. Para incorporar novas tecnologias, é importante também atualizar a estrutura de recursos humanos.

Modelo de financiamento

Para isso ocorrer, é necessário construir um modelo que permita a sustentabilidade financeira das empresas. A maioria das máquinas são importadas, com preços de aquisição e manutenção preventiva sujeitos à variação cambial. 

Dessa forma, o retorno do valor investido somente acontece após vários anos. No entanto, a remuneração pelos serviços nem sempre acompanha os reajustes, onerando o setor e prejudicando muitas operações.

Segundo o RT2030, a superação dessa dificuldade deve vir da elaboração de linhas de crédito específicas para investimento em radioterapia, com contraprestação de vagas para o SUS; de uma reavaliação da cobrança de impostos de importação de equipamentos e peças de reposição para o setor; e da revisão de normas técnicas que agregam pouco benefício e encarecem os custos.

Fonte: Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBR).

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