Sexo oral pode transmitir IST: saiba como se prevenir

2 de abril de 2020 4 mins. de leitura
Especialistas recomendam o uso de proteção em todo tipo de relação íntima, inclusive as que não contemplam penetração

Existem vários tipos de Infecções Sexualmente Transmissíveis ou IST (o termo DST deixou de ser utilizado pelo Ministério da Saúde em 2016), que podem ser causadas por vírus, bactérias ou outros parasitas.

Dessa maneira, as formas de contágio e os tratamentos podem mudar de acordo com cada infecção. Entretanto, é falsa a informação de que elas são transmitidas apenas quando ocorre penetração. Como afirma Jean Gorinchteyn, infectologista e professor da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), em matéria publicada no Estadão: “O sexo oral também é sexo e, portanto, merece proteção”.

A questão, nesse caso, é saber como se proteger. Para evitar completamente a contaminação, deve haver uma barreira mecânica que impeça a mucosa da boca de entrar em contato direto com os órgãos genitais. No caso do pênis, a forma de prevenção mais recomendada é a camisinha. Mesmo assim, é preciso prestar atenção em toda a região, já que alguns vírus — como o papilomavírus humano (HPV) — podem se alojar na região da virilha e testículos.

Para o sexo oral praticado na vagina, as formas de prevenção são menos conhecidas e práticas, mas igualmente necessárias. Porém, é possível utilizar papel-filme (aqueles de cozinha) ou uma camisinha cortada para proteger a região. Os produtos comercializados como “camisinha de língua” funcionam como um estimulante, por sua textura, mas não oferecem proteção adequada. Isso porque eles não isolam a cavidade bucal totalmente, permitindo a entrada de possíveis infecções.

(Fonte: Shutterstock)

Prevenção no sexo oral é pouco difundida

O especialista Gustavo de Araújo Pinto, da Sociedade Brasileira de Infectologia, reconhece que a prática é diferente da teoria quando o assunto é prevenção de IST no sexo oral. “A recomendação formal é que deveria ser feito o uso de preservativo. Na prática, sabemos que é difícil a adesão”, avaliou ele, em entrevista para o Estadão. Mesmo que a pessoa opte por não utilizar o preservativo — ou se esqueça dele — durante o sexo oral, é possível tomar algumas outras precauções. Informar-se sobre as infecções e entender os riscos do contato íntimo desprotegido são algumas delas.

É essencial evitar a prática de sexo oral caso haja algum ferimento na boca, pois isso pode facilitar a entrada de microrganismos no corpo. O mesmo cuidado deve ocorrer caso exista qualquer sinal de IST nos órgãos genitais, como feridas ou vermelhidão. Vale lembrar que nem todas as infecções apresentam sintomas, e os parceiros podem transmitir vírus ou bactérias mesmo sem sinais aparentes.

A ejaculação na boca também deve ser evitada, mesmo que o esperma não seja ingerido. No caso das mulheres, o sexo oral oferece mais perigo se a pessoa receptora estiver menstruada, porque o sangue e os fluidos corporais são os principais transmissores de IST.

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(Fonte: Unsplash)

Quais IST podem ser transmitidas pelo sexo oral?

As infecções mais comumente associadas ao contato dos órgãos genitais com a boca são o HPV, a herpes e a gonorreia. São enfermidades que têm tratamento caso sejam diagnosticadas. Em última instância, o sexo oral desprotegido pode gerar até câncer de boca. A causa mais comum desse tumor é o tabagismo, mas há muitos casos que se originaram de infecções por HPV.

Já a herpes é transmitida quando existem lesões causadas pelo vírus, seja na região genital ou na oral. Se não houver contato com a lesão, não há risco de transmissão. Contudo, os cuidados citados — como usar preservativos ou evitar a ejaculação na boca — são extremamente recomendados a fim de evitar todas as IST transmissíveis via sexo oral, inclusive o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

Fonte: Estadão, BBC, UNAIDS/ONU.

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