Transtornos mentais: ansiedade cresce entre a população mundial

23 de janeiro de 2020 3 mins. de leitura
Considerada uma das principais doenças do século XXI, seu aumento surge como um alerta à saúde

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao menos 18,6 milhões de brasileiros, cerca de 9% da população, sofrem de algum transtorno de ansiedade. Sem a correta identificação do quadro ou busca por tratamentos, os números podem ser ainda mais alarmantes, desencadeando uma série de outras doenças ou comportamentos depressivos capazes de inibir e afetar interações sociais.

De acordo com dados divulgados em 2014 pela Universidade de São Paulo (USP), foi constatado que os moradores da capital paulista têm índices de ansiedade semelhantes aos de países em guerra.

(Fonte: Pixabay)

A doença, que pode afetar pessoas de diferentes faixas etárias, está relacionada à falta de controle emocional, podendo se manifestar em situações “simples” e até mesmo em casos mais impactantes, como a perda de um ente querido. Nas situações tidas como “leves”, os indivíduos com ansiedade podem sentir os sintomas principalmente ao saírem da zona de conforto ao exercerem novas atividades ou enfrentarem mudanças na rotina.

Muito além da ansiedade

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP alertam que o transtorno de ansiedade pode contribuir com o desencadeamento de outras doenças crônicas na sociedade, como alterações de humor, doenças respiratórias e cardiovasculares, artrite e diabetes. Além dessas patologias, hoje sabe-se que a Síndrome de Burnout (esgotamento físico e mental) também pode ser ocasionada pelo acúmulo de ansiedade no ambiente de trabalho. Seus efeitos, que podem ser muito severos, podem se manifestar em dores no corpo e diminuição do desempenho nas obrigações diárias.

(Fonte: Pixabay)

Impactos da tecnologia no bem-estar

O Departamento de Psiquiatria da Universidade de Montreal, no Canadá, analisou o impacto do uso das redes sociais na vida de jovens e adolescentes e sua relação com a depressão. O estudo foi realizado com cerca de 3,8 mil jovens de 12 anos a 16 anos de idade por meio de questionários sobre o tempo de uso e os sintomas ligados à doença.

Constatou-se que os adolescentes que passavam cinco horas por dia acessando conteúdos online tinham grandes chances de apresentar quadros de ansiedade e distúrbios sociais, sendo que as meninas têm uma predisposição 50% maior quando comparada aos 35% do grupo masculino. Os casos estão relacionados principalmente ao uso inadequado e demasiado da tecnologia.

Segundo especialistas do Instituto de Psiquiatria da USP, o cérebro dos jovens está cada vez mais ansioso para “suprir” as necessidades do outro. Para evitar o surgimento de transtornos mentais, é necessário estar atento à predisposição, além de aumentar a atenção ao comportamento no ambiente familiar, bem como na escola e em outros grupos de convívio.

Novos rumos necessários

A identificação precoce da doença é extremamente necessária, principalmente devido às consequências danosas que esses hábitos podem gerar à saúde física e mental. Em situações de exposição excessiva às redes sociais ou preocupação demasiada com fatores externos, é necessário procurar tratamento, geralmente nas áreas de psicologia ou psiquiatria.

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Fontes: Estadão Saúde, Drauzio Varella, Independent.

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