Miopia em crianças: número aumenta durante a pandemia

1 de setembro de 2021 4 mins. de leitura
Número de míopes foi impactado pelo uso excessivo telas, como computadores e celulares

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A miopia é um distúrbio em que os objetos próximos são vistos com clareza, mas os distantes não. Assim, a vista fica nebulosa e dificulta a compreensão da informação e, por vezes, até a locomoção. 

Essa condição costuma ser hereditária, mas o uso constante de aparelhos eletrônicos e o tempo em que ficamos expostos à luz artificial, como televisão ou computador, podem contribuir para o desenvolvimento contínuo do processo.

Durante a pandemia, houve um aumento significativo nos casos de crianças míopes no Brasil, segundo uma pesquisa realizada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O estudo recolheu informações de 295 profissionais especialistas no atendimento desse grupo, revelando o impacto do novo coronavírus na saúde ocular da população infantil.

O que é a miopia e de que modo identificá-la em crianças?

A miopia é um erro refrativo no globo ocular. No caso, a imagem dos objetos é focada à frente da retina, transmitindo ao cérebro algo que não corresponde à realidade, fazendo a visão de itens distantes ficar turva. 

Nas últimas décadas, essa condição tem crescido entre jovens, variando de acordo com a idade e etnia, causando preocupação em pais e oftalmologistas. Por exemplo, na Ásia, um estudo recente encontrou prevalência de miopia em 84% dos adolescentes com idade de 16 a 18 anos. 

É importante que ela seja diagnosticada o quanto antes, pois crianças míopes podem se tornar adultos com alta miopia. Como nessa condição o comprimento do olho é maior, é como se todas as estruturas oculares estivessem mais esticadas; assim, os adultos míopes têm maiores chances de desenvolver catarata, descolamento de retina ou outros problemas oculares. 

Atualmente, as opções de tratamento disponíveis incluem óculos, lentes de contato e cirurgia, como a LASIK. (Fonte:Freepik/ prostooleh/Reprodução)
Atualmente, as opções de tratamento disponíveis incluem óculos, lentes de contato e cirurgia, como a LASIK. (Fonte: prostooleh/Freepik/Reprodução)

No caso das crianças, a identificação normalmente é notada na escola, quando o estudante não consegue ver o quadro, mas enxerga bem o caderno. Em casa, é possível notar quando a criança se aproxima muito da televisão ou não consegue identificar formas e objetos distantes. Outros sinais são fadiga ocular, dores de cabeça e o cerrar dos olhos para conseguir enxergar melhor. 

As causas ainda não foram completamente descobertas, mas sabe-se que a hereditariedade influencia. Além disso, a fadiga ocular ocasionada pelo esforço para manter o foco, seja lendo um livro, seja assistindo a uma aula online, também aumenta o risco da condição.

Por que os casos aumentaram durante o isolamento social?

Para 75,6% dos médicos entrevistados na pesquisa do CBO, o aumento da miopia entre os mais jovens tem relação com a exposição exacerbada às telas dos aparelhos eletrônicos, seja para assistir a aulas, seja em atividades de lazer. Para evitar que a situação piore, a recomendação é diminuir as horas em frente às telas e realizar atividades externas, como prática de esportes. 

    A partir de 5, 6 graus de miopia a criança tem chances de problemas graves oftalmológicos, como estrabismo em adultos. Fonte: (Freepik/jcomp/Reprodução)
A partir de 6 graus de miopia a criança pode ter problemas graves oftalmológicos, como estrabismo. Fonte: (jcomp/Freepik/Reprodução)

O recomendado pela maioria dos especialistas é que o público infantojuvenil tenha pelo menos duas horas de prática offline por dia. Segundo o coordenador da pesquisa, Fábio Ejzenbaum, é comprovado que se você ficar em média pelo menos duas horas em ambiente externo sua chance de ser míope pode ser reduzida em 40%. Como o sol libera neurotransmissores que fazem o olho crescer menos, essa exposição diária é bastante importante.     

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Fonte: Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

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