Aspirina pode ajudar no tratamento de câncer de mama agressivo

16 de setembro de 2021 3 mins. de leitura
Medicamento pode diminuir inflamações e potencializar o efeito dos tratamentos convencionais

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A aspirina é um remédio utilizado para tratar a dor, inflamação ou febre em adultos e crianças. A substância ativa, conhecida como ácido acetilsalicílico (AAS), é um anti-inflamatório não esteroide que, em baixas doses, costuma ser utilizado como inibidor de agregação plaquetária, reduzindo o risco de infarto agudo do miocárdio, prevenção de acidente vascular cerebral (AVC), angina de peito e trombose em pessoas com fatores de risco. 

Em caráter de teste, pesquisadores britânicos vão utilizar, pela primeira vez, esse medicamento em pacientes com câncer de mama agressivo, na tentativa de diminuir os tumores difíceis de tratar. 

O chamado câncer de mama triplo negativo corresponde a 15% de todos os casos. Sua incidência é maior em mulheres jovens, com menos de 40 anos, latinas e negras. Ele também é mais comum em mulheres que têm mutação nos genes BRCA1 e BRCA2.

Como a aspirina pode ajudar nos casos de câncer de mama?

Na tentativa de encontrar novas formas de tratamento, um grupo de pesquisadores da The Christie NHS Foundation Trust, no Reino Unido, irão conduzir um teste clínico com mulheres com câncer de mama triplo negativo. 

A hipótese trabalhada é de que as propriedades anti-inflamatórias do medicamento poderão auxiliar no tratamento. O estudo está avançando para a fase clínica, pois já apresentou bons resultados em animais.

Cerca de oito mil mulheres são diagnosticadas com esse tipo de câncer no Reino Unido a cada ano. Os tumores desse câncer não possuem receptores que alguns outros cânceres de mama têm. Assim, alguns tratamentos, como herceptin, não funcionam. 

O teste vai propor a administração da aspirina com o medicamento avelumabe, comum no tratamento com imunoterapia, antes de serem submetidas à quimioterapia e cirurgia. Caso o teste apresente bons resultados, a equipe realizará outros ensaios clínicos.

Com a aspirina, espera-se atenuar a inflamação ruim para que o sistema imunológico possa prosseguir com o trabalho de matar as células cancerosas. (Fonte: Freepik/Reprodução)
Com a aspirina espera-se atenuar a inflamação, para que o sistema imunológico possa prosseguir a eliminação das células cancerosas. (Fonte: Freepik/Reprodução)

Os pesquisadores esperam que a aspirina revele bons resultados, pois é uma droga amplamente disponível e de preço acessível. Assim, combinado à imunoterapia pode aumentar seus efeitos e fornecer uma nova maneira de tratar o câncer de mama.

Há algumas evidências de que a aspirina pode ajudar a prevenir outros tipos de câncer e diminuir o risco de propagação da doença. Porém, os especialistas afirmam ser muito cedo para recomendar que as pessoas comecem a tomar o medicamento de forma preventiva.

Uso indiscriminado traz riscos à saúde

Segundo o Conselho Regional Medicina Estado São Paulo, o consumo de AAS no Brasil já chegou a 1 bilhão de comprimidos ao ano. (Fonte: azerbaijan-stockers/Freepik/Reprodução)
Segundo o Conselho Regional Medicina Estado São Paulo, o consumo de AAS no Brasil já chegou a 1 bilhão de comprimidos ao ano. (Fonte: azerbaijan-stockers/Freepik/Reprodução)

Apesar de ser utilizado frequentemente pela população geral, o seu consumo diário pode provocar complicações gastrointestinais, como úlcera no estômago e intestino, insuficiência renal ou hepática, principalmente em casos de tratamento concomitante com metotrexato com doses iguais ou superiores a 15 mg por semana. 

Ele também é contraindicado em pacientes com hipersensibilidade à substância ou outros componentes do remédio. No caso das grávidas, é necessário consultar o médico.

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Fonte: Cremesp, Consultar Remédios, Tua Saúde, Femama.

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