Cirurgia plástica: colocar silicone nos seios faz mal à saúde?

1 de janeiro de 2022 4 mins. de leitura
Em outubro de 2021, um órgão americano de saúde ordenou que as embalagens de próteses contenham avisos sobre potenciais riscos do silicone

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Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), 319 mil próteses de silicone são implantadas no País, todos os anos. Esse número só é superado pelos Estados Unidos, onde 400 mil mulheres fazem esse procedimento — 300 mil por questões estéticas e 100 mil após mastectomias, de acordo com dados divulgados pelo jornal The New York Times. Em 2021, o país líder impôs novas regras para esse tipo de cirurgia, alegando que ela pode causar risco à saúde das pacientes.

As determinações são da Food and Drug Administration (FDA), órgão equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil. Os médicos devem fazer uma lista de verificações (checklist) com as pacientes para descobrir fatores de risco, bem como alertá-las dos problemas que podem acontecer depois da cirurgia. Além disso, o órgão exigiu mudanças nos rótulos dos implantes — que devem falar sobre os riscos — e pediu que as fabricantes divulguem a lista de componentes de seus produtos.

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Médicos devem fazer checklist e explicar riscos, antes de fazer implantes de silicone nos EUA, segundo determinação da FDA (Fonte: Shutterstock)
Médicos devem fazer checklist e explicar riscos antes de fazer implantes de silicone, segundo determinação da FDA. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Problemas com silicone são pontuais

Nos últimos anos, pesquisas relacionaram os implantes de silicone a algumas condições, como doenças autoimunes, dores nos músculos e nas articulações, confusão mental e fadiga crônica. 

Em 2011, começou um debate sobre a síndrome autoimune induzida por adjuvante (ASIA), que pode ser causada pelas próteses mamárias. Em vista disso, dezenas de mulheres relataram seus problemas ao FDA, estimulando medidas regulatórias. 

Contudo, diversas entrevistas de cirurgiões plásticos em veículos de imprensa revelam a mesma afirmação: “não há motivo para pânico”. As próteses são seguras, mas, como todo procedimento invasivo, demanda cuidados e pode ter alguns riscos pontuais. O professor Mark Clemens, no M.D. Anderson Cancer Center em Houston e defensor das novas regras do FDA, afirmou em entrevista ao New York Times que mais pesquisas são necessárias para observar os efeitos de longo prazo das próteses no corpo feminino. 

Por enquanto, as estatísticas demonstram que uma parcela muito pequena de mulheres sofre efeitos adversos mais graves e que estes são facilmente solucionados com a troca ou remoção das próteses. 

Além disso, os últimos comunicados da FDA indicam que o maior risco à saúde é para mulheres que engravidaram e amamentaram, as que têm câncer de mama (ou histórico na família), além de infecções ativas, diabetes, lúpus e tabagismo. Esse é o foco do checklist que o órgão passou a exigir.

Algumas mulheres relatam problemas e optam pelo explante, mas estatísticas apontam que riscos do silicone são pontuais (Fonte: Shutterstock)
Algumas mulheres relatam problemas e optam pelo explante, mas estatísticas apontam que os riscos do silicone são pontuais. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Cuidados são essenciais

É importante explicar que os implantes de silicone são feitos com material diferente do silicone industrial, terminantemente proibido para uso médico. Além disso, há outros tipos de próteses mamárias, como os implantes com solução salina. Muitas mulheres, quando têm problema com um tipo, trocam suas próteses por outro, continuando com uma vida saudável. Caso a escolha seja por retirar as próteses, já existem diversos grupos de apoio para mulheres que desejam fazer o explante na internet.

De todo modo, é importante procurar profissionais gabaritados e certificados para realizar esse tipo de procedimento — assim como em qualquer outra especialidade médica. Para se ter certeza de que um determinado profissional está apto a fazer cirurgias plásticas, as pacientes podem consultar o Conselho Regional de Medicina (CRM) de suas regiões e os canais da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC) — que também divulgam informações sobre os procedimentos.

Fonte: The New York Times, IPESSP (Instituto de Pesquisa e Educação em Saúde de São Paulo).

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