Como repensar a forma de falar sobre depressão e suicídio - Summit Saúde

Como repensar a forma de falar sobre depressão e suicídio

22 de setembro de 2020 5 mins. de leitura

Escutar e acolher pessoas que sofrem com depressão é fundamental para prevenir casos de suicídio

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 300 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão. No Brasil, são cerca de 12 milhões de cidadãos atingidos pela doença. O transtorno de humor é uma das principais causas de suicídio no mundo, que é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 anos a 29 anos de idade. A entidade estima que 800 mil pessoas por ano tiram a própria vida.

Conheça o Summit Saúde, um evento que reúne as maiores autoridades do Brasil nas áreas médica e hospitalar.

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o Media Lab Estadão, em parceria com a Janssen promoveu o fórum online Diálogos Estadão Think – Falar Inspira Vida, com profissionais de saúde e especialistas, para discutir a importância da escuta e do diálogo para prevenir patologias e desenvolver tratamentos para a saúde mental.

O evento faz parte do Setembro Amarelo, campanha iniciada em 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para abordar a importância do diagnóstico e do tratamento dos transtornos psiquiátricos.

O que é depressão?

Mulher oferecendo apoio à parceiro com depressão
Depressão é relatada há mais de 4,5 mil anos. (Fonte: Shutterstock)

Dr. Humberto Correa, presidente da Associação Latinoamerica e do Caribe de Prevenção do Suicídio (Asulac) e professor titular de Psiquiatria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) comenta que existem registros históricos de 4,5 mil anos atrás com descrição de quadro depressivo grave. Hipócrates, considerado o “pai da medicina”, relatava a doença com sintomas como falta de apetite, insônia, inquietação e desânimo.

A patologia, no entanto, só começou a ser estudada com método científico mais rigoroso há cerca de 200 anos. O psiquiatra explica que a doença é considerada um acometimento cerebral, sistêmico, com repercussões nos sistemas imunológico e endócrino. Isso pode levar a diversos sintomas, como alterações de humor e sono, falta de interesse, energia, prazer e apetite, além de dificuldade de concentração e ideias de culpa que podem levar a pensamentos de suicídio, a depender da gravidade do caso.

Qual é a diferença entre depressão e tristeza?

Ainda que a tristeza possa ser um dos sintomas da depressão, existe diferença entre o sentimento e a doença. “Depressão nem sempre vem com tristeza, e, na maioria das vezes, tristeza não é depressão”, alerta Daniel de Barros, professor colaborador do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e colunista do Estadão.

A patologia pode vir acompanhada de angústia, irritação e desmotivação fora do normal, de modo que afete o desempenho em atividades profissionais, pessoais e sociais. O grande alerta surge quando a pessoa não consegue reagir por contra própria a esses sentimentos, explica Barros. “Emoção vem e vai, tristeza vem e vai, medo vem e vai, essas coisas oscilam. Quando você percebe que isso veio e não foi, a tristeza veio e ficou, a irritação veio e ficou, é um sinal de alerta para procurar ajuda”, afirma o professor.

Como prevenir e tratar?

Durante a pandemia, a ocorrência de ansiedade e estresse, sintomas associados à depressão, aumentou 80%, de acordo com estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em parceria com o Yale New Haven Hospital, nos Estados Unidos. Esses transtornos mentais podem ser prevenidos para evitar o desenvolvimento de depressão.

Karen Scavacini, psicóloga e CEO do Instituto Vita Alere, observa que a sociedade está se preparando para uma quarta onda da pandemia, que pode ter consequências na saúde mental da população. Para minimizar esses efeitos, uma série de ações podem ser tomadas.

As pessoas devem reconhecer e acolher os receios e tentar manter contato social, mesmo que online, recomenda Scavacini. Buscar fontes confiáveis de informação e reduzir o tempo dedicado às notícias sobre a crise sanitária também ajudam. A psicóloga aconselha, ainda, a investir em ações que ajudem a diminuir o estresse agudo, como meditação e leitura, e na prática de exercícios físicos.

Estigma e preconceito

Pessoa oferecendo acolhimento superação da depressão
Acolhimento é fundamental para superar a depressão. (Fonte: Shutterstock)

O preconceito é um dos grandes obstáculos para o diagnóstico de casos de depressão. “As pessoas aceitam muito bem procurar um cardiologista, um dermatologista, porém têm muita dificuldade de compreender que tratar a saúde mental também é importante”, comenta Marta Axthelm, presidente da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata).

A partir do momento que o indivíduo consegue perceber essa importância, com ajuda solidária sem julgamentos, pode começar a falar sobre o assunto e buscar orientação especializada, observa a presidente da Abrata.

Acolhimento e tratamento

É importante reconhecer o quadro com a máxima antecedência possível para aumentar as chances de um tratamento efetivo, salienta Sergio Perocco, médico especialista em Psiquiatria e gerente-médico de neurociências na Janssen Farmacêutica.

“A forma como nós falamos sobre esse assunto é uma maneira de demonstrar interesse, respeito e empatia pelas pessoas. Além de todo o investimento com tratamentos inovadores, o lançamento da campanha Falar Inspira Vida é um passo a mais para acabar com estigma e preconceito”, afirma Perocco.

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Fontes: Estadão.

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