Covid-19: 45% dos infectados são assintomáticos, diz estudo

18 de julho de 2020 4 mins. de leitura
Alta taxa de indivíduos sem sintomas aparentes facilita a propagação do coronavírus e reforça a necessidade do uso de máscaras

Grande parte dos infectados pelo novo coronavírus são assintomáticos para a covid-19 — é o que sugere um novo estudo divulgado no periódico Annals of Internal Medicine. De acordo com a publicação, pelo menos 45% dos indivíduos contaminados não apresentam qualquer sinal da doença, o que facilitaria a propagação do vírus.

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O Instituto Translacional de Pesquisa Scripps, que liderou a pesquisa, avisa que a revisão dos dados de pacientes com covid-19 liga o alerta para a necessidade do aumento na escala de testes em centros hospitalares e de outras medidas para desacelerar a velocidade de disseminação do vírus.

Assintomáticos, mas não fora de risco

Mesmo em casos assintomáticos, pacientes podem apresentar anormalidades clínicas. (Fonte: Shutterstock)

Foram analisados os dados de 16 grupos de infectados: entre eles residentes de lares de idosos, cruzeiros, prisioneiros etc. Em alguns casos, o número de assintomáticos ultrapassava a metade dos indivíduos testados.

Em quatro estados americanos, 96% dos 3 mil prisioneiros testados para covid-19 não tiveram qualquer sinal da doença. A disseminação silenciosa da doença é um dos fatores que a tornam difícil de controlar, de acordo com o fundador do Instituto de Pesquisa Scripps, Eric Topol.

Apesar da ausência dos sinais de contaminação pelo Sars-CoV-2, o estudo demonstrou que as cargas virais dos assintomáticos é muito similar às daqueles com sintomas da doença.

A equipe de cientistas acredita que a falta de sintomas não necessariamente inibe o indivíduo de sofrer prejuízos com a infecção. Em 54% dos 76 indivíduos testados no cruzeiro Diamond Princess, os pesquisadores identificaram anormalidades clínicas nos pulmões durante os exames de imagem, as quais poderiam ser causadas pelo novo coronavírus.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Scripps, as informações coletadas nessa primeira leva de testes ainda não é suficiente para identificar a real magnitude do vírus em pacientes assintomáticos, mas abre portas para novas interpretações dentro da comunidade médica.

A diferença entre assintomáticos e pré-sintomáticos

A falta de dados longitudinais tem sido complicadora para a distinção entre indivíduos assintomáticos e pré-sintomáticos, informou a equipe de pesquisa em sua publicação.

Uma pessoa pré-sintomática costuma ter uma infecção inicial muito parecida com os assintomáticos, sem demonstrar sinais nas primeiras semanas. Porém, esse paciente eventualmente desenvolverá sintomas da doença e pode sofrer por conta do atraso no combate ao vírus.

A análise de dados longitudinais consiste em testar o mesmo indivíduo várias vezes ao longo do período de infecção. A base de informações mais profundas sobre o vírus permite à equipe médica entender a propagação da doença e seus efeitos nos pacientes pré-sintomáticos.

Pacientes assintomáticos apresentam baixa na resposta imunológica

Pacientes assintomáticos tiveram queda de 81% nos níveis de anticorpos. (Fonte: Shutterstock)

Um estudo conduzido com 37 pacientes chineses infectados pelo novo coronavírus indicou que os casos assintomáticos costumam apresentar uma resposta imunológica mais fraca ao vírus durante a infecção.

Liderada pelo cientista Ai Long-Huang, a equipe responsável pelo artigo publicado na revista Nature Medicine percebeu que a diminuição no nível de anticorpos neutralizantes para o Sars-CoV-2 era consideravelmente maior entre o grupo de assintomáticos: 81,1%, contra 62,2% dos paciente sintomáticos.

O baixo nível de anticorpos, entretanto, não necessariamente significava uma incapacidade do organismo de combater a infecção, segundo apontam os pesquisadores.

Reinfecção de covid-19

O estudo chinês também questiona a possibilidade de reinfecção nos indivíduos que já se recuperaram do novo coronavírus. De acordo com o artigo, mesmo que pacientes assintomáticos testem negativo em exames sorológicos dois ou três meses após a primeira infecção, isso não lhes concede um “passaporte imunológico”.

Enquanto não existem estudos precisos quanto às respostas do sistema imunológico ao vírus, a equipe de pesquisa alerta para a necessidade de implantação de medidas preventivas na sociedade.

A adoção do isolamento social, as práticas de higienização das mãos e superfícies e o uso de máscaras continuam sendo a saída mais adequada enquanto a ciência não tiver certeza sobre como o Sars-CoV-2 se comporta em indivíduos que já foram infectados, finaliza o estudo.

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Fontes: Science Daily e Estadão.

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