Pobreza menstrual: entendendo o problema e as propostas de ações eficientes

14 de julho de 2023 4 mins. de leitura
A pobreza menstrual é um desafio que afeta a saúde e a dignidade de milhares de pessoas no Brasil e em todo o mundo

A pobreza menstrual é um problema de saúde pública que afeta milhares de pessoas que menstruam no Brasil e em todo o mundo. Trata-se da dificuldade ou impossibilidade de acesso a produtos higiênicos adequados durante o período menstrual, assim como à infraestrutura básica, como banheiros e água encanada. 

Neste artigo, abordaremos as necessidades de pessoas que menstruam e as diferentes formas de combater a pobreza menstrual no Brasil. Discutiremos as principais causas do problema e as soluções possíveis, incluindo políticas públicas, iniciativas sociais e opções sustentáveis de produtos menstruais.

Entendendo a pobreza menstrual

A pobreza menstrual atinge, em sua maioria, pessoas em situação de vulnerabilidade social, como moradores de rua ou abrigos, população carcerária e indivíduos em situação de pobreza em geral. 

Essas pessoas, muitas vezes, precisam escolher entre comprar alimentos ou produtos menstruais, o que agrava ainda mais a desigualdade social e a exclusão.

Soluções mais sustentáveis são acessíveis?

Ao garantir o acesso a produtos menstruais e saneamento básico, podemos melhorar significativamente a qualidade de vida das pessoas afetadas e promover a igualdade de gênero. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Uma possível solução para a pobreza menstrual seria a disponibilização de produtos reutilizáveis, como coletores menstruais e absorventes de pano. No entanto, esses produtos têm custo inicial mais elevado e exigem cuidados específicos, como acesso a água limpa e sabão, o que pode não ser viável para muitas pessoas em situação de pobreza menstrual.

Políticas públicas e iniciativas sociais

Para combater efetivamente a pobreza menstrual, são necessárias políticas públicas e iniciativas sociais que garantam o acesso a produtos menstruais e saneamento básico a todas as pessoas. Isso inclui a redução da carga tributária sobre absorventes, classificá-los como produtos essenciais e fornecer itens gratuitos em escolas, abrigos e presídios.

Um exemplo de política pública bem-sucedida existe na Escócia, que se tornou o primeiro país do mundo a fornecer produtos menstruais gratuitos, em 2020. 

A participação da sociedade civil é fundamental para ampliar o alcance dessas iniciativas e conscientizar a população sobre a importância do tema. Portanto, também é importante apoiar organizações não governamentais (ONGs) e projetos sociais, como o Menstruação Sem Tabu e o Banco de Absorventes, que arrecadam e distribuem produtos de higiene menstrual no Brasil.

Quebrando o tabu sobre menstruação

A educação é uma ferramenta poderosa para transformar atitudes e promover a equidade de gênero. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Para enfrentar a pobreza menstrual, é preciso também quebrar o tabu em torno da menstruação. Conversar abertamente sobre o assunto e promover a educação menstrual nas escolas e na sociedade em geral são ações fundamentais para eliminar estigmas e garantir que todas as pessoas que menstruam compreendam seus direitos e tenham acesso a informações sobre saúde e higiene. 

A pobreza menstrual é um problema complexo que afeta a vida e a saúde de milhares de pessoas no Brasil. Para combatê-lo, é necessário unir esforços de políticas públicas, iniciativas sociais e conscientização da população. 

Todos nós temos um papel a desempenhar na luta contra a pobreza menstrual. Seja apoiando ONGs e projetos sociais, pressionando o governo a implementar políticas públicas efetivas ou promovendo conversas abertas e educativas sobre menstruação, podemos fazer a diferença na vida de pessoas que enfrentam esse desafio. 

Juntos, podemos construir uma sociedade mais justa e igualitária, na qual todas as pessoas que menstruam tenham acesso aos cuidados e à dignidade que merecem.

Leia também:

Fontes: BBC News (2020). Scotland becomes first country to make period products free, Unicef, Quindim, Educa Mais Brasil

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