Primeira aplicação de insulina da história completa 100 anos

12 de janeiro de 2022 4 mins. de leitura
Hormônio foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Toronto e aplicada, pela 1ª vez, em um jovem de 14 anos

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Há exatamente um século, em 11 de janeiro de 1922, o médico canadense Frederick Banting e sua equipe faziam a primeira aplicação de insulina em um humano. A descoberta lhe rendeu o Prêmio Nobel de Medicina do ano seguinte e transformou a vida de milhões de pessoas com diabetes. Estima-se que 400 milhões de indivíduos no mundo sofram da doença. 

Nas primeiras décadas do século XX em especial, a doença era causa frequente de mortes entre crianças e jovens — que eram afetados pela cetoacidose diabética (CAD). A condição, causada pela falta crítica de insulina, levava o corpo a liberar cetonas e tornar o sangue ácido. Foi em uma dessas enfermarias repletas de jovens diabéticos que Banting encontrou Leonard Thompson, de 14 anos, que recebeu a primeira injeção da história. 

Milhões de pessoas sofrem de diabetes e dependem de aplicações regulares de insulina. (Fonte: rawpixel/Freepik)
Milhões de pessoas sofrem de diabetes e dependem de aplicações regulares de insulina. (Fonte: rawpixel/Freepik)

Os dutos pancreáticos dos cães

Em anos anteriores, outras pesquisas tinham relatado que a insulina é produzida nas “ilhotas de Langerhans” — grupos de células do pâncreas que são justamente as mais atacadas pela diabetes. Houve tentativas de extrair a insulina do órgão em cães, mas sem sucesso. 

Banting, após ler esses estudos, decidiu fazer ligações nos dutos pancreáticos dos animais, de modo a destruir o resto do pâncreas, mas deixar as ilhotas intactas e o animal vivo, produzindo o hormônio. Após a extração, testes em outros cães mostraram resultados satisfatórios contra a diabetes, animando o cientista e seu assistente, Charles Best. 

Contudo, a extração de insulina dos cães demorava semanas, o que inviabilizava a aplicação da técnica em larga escala. Isso foi resolvido com outra ideia de Banting, que resolveu utilizar pâncreas de fetos de bezerros, que ainda não teriam formado outros órgãos. 

Charles Best e Frederick Banting lideraram as pesquisas para produção de insulina. (Fonte: Wikimedia Commons)
Charles Best e Frederick Banting lideraram as pesquisas para produção de insulina. (Fonte: Wikimedia Commons)

1ª aplicação sem sucesso

Uma vez que a técnica para extração da insulina foi encontrada, o próximo passo era tornar a solução pura o suficiente para aplicação em humanos. Para tanto, Banting e Best recrutaram o bioquímico James Collip, um dos mais brilhantes da área na época. 

Após um mês de pesquisa, o grupo se julgava preparado para um teste em pacientes — afinal, os métodos de desenvolvimento eram muito diferentes em relação aos atuais. 

Em 11 de janeiro de 1922, o adolescente Leonard Thompson se tornou a primeira pessoa que recebeu uma injeção de insulina na história, no Hospital Geral de Toronto. Nos dias seguintes, entretanto, o jovem teve graves reações alérgicas, e o teste foi cancelado. Collip voltou para o laboratório e desenvolveu uma solução mais pura em 12 dias. 

Nessa segunda bateria de testes, a saúde do jovem Thompson melhorou significativamente, encorajando a publicação dos resultados e a fabricação da insulina em larga escala. No início de 1923, a farmacêutica Eli Lilly and Company lançou o medicamento no mercado.

Descoberta ganhadora do Nobel

Para impedir que indústrias se apoderassem das patentes e atrapalhassem a distribuição do medicamento, Banting e Best cederam seus direitos para a Universidade de Toronto, em 1923. 

No mesmo ano, o trabalho foi laureado com o Prêmio Nobel de Medicina, que, curiosamente, foi atribuído apenas a Frederick Banting e J. J. R. Macleod, que cedeu seu laboratório para as pesquisas. Indignado com a falta de reconhecimento para Charles Best, Banting dividiu a sua parte do prêmio com o colega — ao que Macleod respondeu também cedendo metade da sua parte para o bioquímico Collip.

Novas descobertas sobre o hormônio permitiram a criação da insulina sintética, com auxílio da bactéria E. coli. Assim, já não é mais necessário extraí-la de animais.   

Fonte: Deustche Welle, Agência Brasil, Fapesp.

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