Casos e mortes por covid-19 se estabilizam no Brasil

28 de junho de 2020 5 mins. de leitura
Mas algumas regiões do País ainda apresentam crescimento acelerado dos casos de coronavírus
A pandemia do novo coronavírus apresentou estabilidade no Brasil, afirmaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS). Depois de apresentar um número crescente de novos casos e óbitos por covid-19, o País parece ter atingido um platô no gráfico da crise, o que pode significar o alcance do pico da crise. Entretanto, a doença ainda apresenta crescimento em algumas regiões, por conta das dimensões continentais do território brasileiro. Em coletiva sobre a pandemia, o diretor-executivo da OMS, Mike Ryan, avaliou que a situação ainda é grave no Brasil, “mas certamente o aumento não é tão exponencial como anteriormente”. O especialista alertou que as medidas de distanciamento físico, de redução de aglomerações e de higiene devem continuar: “Você pode ver um sinal de estabilização por um dia ou alguns dias e, em seguida, a doença pode decolar novamente”. O MS emitiu comunicado à imprensa com uma avaliação semelhante. Pela primeira vez durante a crise, na segunda semana de junho, o número de curados ultrapassou o total de casos ativos no País. Na terceira semana do mesmo mês, a pasta registrou um número pessoas curadas 13% maior que o de casos ativos e apontou tendência de queda dos registros graves e óbitos por covid-19.

Redução da transmissibilidade

A capacidade de transmissibilidade do coronavírus também diminuiu no Brasil, de acordo com dados do Imperial College de Londres — a taxa de infecção do vírus chegou a ser de 2,8 em abril, o que significa que cada indivíduo infectado poderia passar o Sars-Cov-2 para quase três pessoas. Na semana iniciada em 13 de maio, esse índice passou a ser de 1,31 e continuou reduzindo. Em 31 de maio, a taxa era de 1,13, passando para 1,08 em 7 de junho até chegar a 1,05 em 14 de junho. Esses números não significam, porém, que a epidemia está sob controle no Brasil. Isso apenas acontece quando a taxa de transmissibilidade fica abaixo de 1, o que ainda não aconteceu.

Evolução desigual por regiões

Epidemia de coronavírus evoluiu de modo diferente nos estados brasileiros. (Fonte: Shutterstock)
O território brasileiro é quase o dobro da soma de todos os países pertencentes à União Europeia, o que faz com que a disseminação do coronavírus evolua de forma diferente. Enquanto existe a tendência de estabilização ou de redução do número de casos em alguns locais, a epidemia apresenta expansão em outras regiões do País. Após um pico de crise, São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus vêm desmobilizando as medidas preventivas contra a pandemia e flexibilizando o isolamento social. Por falta de pacientes, a capital do Amazonas já anunciou o fechamento de um hospital de campanha; os jogos do campeonato carioca voltaram a ser realizados, mesmo sem público; shoppings e lojas de rua reabriram, ainda que com restrições. Entretanto, a epidemia começa a ganhar impulso em outros locais, como Paraná e Paraíba, aos quais o coronavírus ainda não tinha chegada com força. Um maior número de casos e óbitos por covid-19 também está sendo registrado nos municípios do interior, onde há baixa capacidade de testagem e infraestrutura hospitalar precária.

Risco de suspensão das medidas preventivas

Medidas como uso de máscara devem continuar para garantir o controle da pandemia no País. (Fonte: Thiago B Trevisan / Shutterstock)
Diante desse panorama, a recomendação da OMS para o Brasil continua sendo a de manutenção das medidas preventivas. Um estudo da Rede de Pesquisa Solidária (grupo de mais de 50 pesquisadores unidos para melhorar as políticas públicas em relação à covid-19) mostra que a flexibilização prematura do isolamento social pode provocar novo aumento de casos. O grupo estudou o caso de Goiás, um dos primeiros estados a conter a pandemia e diminuir as medidas de precaução. A rede avaliou os resultados da flexibilização antecipada como dramáticos. “Se Goiás tivesse mantido as medidas de distanciamento social nos níveis pré-afrouxamento, deflagrado em 19 de abril, o número de vidas perdidas teria sido 63,5% menor”, afirmou o grupo em boletim. Preocupados com a reabertura do comércio em São Paulo, os pesquisadores elaboraram dois cenários baseados nos indicadores goianos para comparar o efeito da suspensão das medidas de isolamento social. Caso o distanciamento permanecesse nos níveis de maio por mais 30 dias, o montante de óbitos provocados pela covid-19 aumentaria 5.514 registros no período. Com o afrouxamento das medidas a partir de junho, a estimativa é que a quantidade de vítimas da covid-19 saltará para 15.798, três vezes mais do que o previsto. Interessou-se pelo assunto? Conheça o Summit Saúde, um evento que reúne as maiores autoridades do Brasil nas áreas médica e hospitalar. Acompanhe as notícias mais relevantes do setor pelo blog. Para saber mais, é só clicar aqui. Fontes: Rede de Pesquisa Solidária, Estadão, Organização Mundial de Saúde (OMS) e Ministério da Saúde.
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