Telemedicina amplia atenção primária à saúde durante pandemia

22 de dezembro de 2020 4 mins. de leitura
Uso de tecnologia garante assistência médica sem gerar aglomerações em unidades de saúde

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são os estabelecimentos mais procurados pelos brasileiros que precisam de atendimento médico, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, realizada pelo Ministério da Saúde em convênio com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Cerca de 47% das pessoas entrevistadas estiveram em uma das mais de 40 mil UBS em funcionamento. Ao lado das unidades do Programa de Saúde da Família (PSF), do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) e dos agentes comunitários, elas compõem a rede pública de atendimento de Atenção Primária à Saúde (APS). 

Em situações habituais, a APS — tanto do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto da rede privada — é fundamental para desafogar a demanda das unidades de emergência e de alta complexidade, permitindo melhor atendimento e dedicação dos profissionais de saúde. No entanto, durante uma crise sanitária, como a pandemia de coronavírus, a atenção primária se torna imprescindível para evitar o colapso total do sistema.

Tendo o médico da família como figura central, a APS permite que o paciente seja avaliado de forma integral antes de ser encaminhado para um especialista. O clínico geral tem a formação específica para lidar com as queixas mais comuns apresentadas e é capaz de resolver 80% dos problemas. 

Telemedicina na Atenção Primária

Atendimento médico por telemedicina está disponível no Brasil tanto na rede privada quanto no SUS. (Fonte: Shutterstock)
Atendimento médico por telemedicina está disponível no Brasil tanto na rede privada quanto no SUS. (Fonte: Shutterstock)

Novas tecnologias, como o prontuário médico eletrônico e a telemedicina, têm ajudado o sistema de saúde a enfrentar o desafio da covid-19. Desde março, o SUS dispõe de atendimento pré-clínico por telefone, chat on-line e WhatsApp para a população, além de serviço de acompanhamento e monitoramento remoto dos casos suspeitos da doença.

A APS também tem uma plataforma para teleconsultas médicas, de enfermagem e multiprofissionais. Mais de 20 mil médicos e enfermeiros que atuam nas Unidades de Saúde da Família do País receberam treinamento para fazer atendimentos online, dando continuidade ao cuidado de pacientes com hipertensão e diabetes, entre outras condições, de forma ágil, cômoda e segura.

A plataforma permite aos profissionais de APS registrar a consulta a distância, emitir atestados e receitas e enviar o endereço eletrônico para videoconferência a seus pacientes. O projeto prevê também a disponibilização de aplicativo e endereço eletrônico para agendamento virtual, acesso a informações clínicas, atestados e receitas.

Acompanhamento da covid-19

Teleatendimento facilita acompanhamento da evolução do quadro de pacientes com covid-19. (Fonte: Shutterstock)
Teleatendimento facilita acompanhamento da evolução do quadro de pacientes com covid-19. (Fonte: Shutterstock)

O Sars-CoV-2 é facilmente transmissível, em especial em situações de aglomeração, como é comum nos prontos-socorros. A disseminação do vírus é influenciada diretamente pela capacidade da população em aderir às medidas protetivas, evitando deslocamentos. Nesse contexto, o teleatendimento de saúde se torna importante para a segurança do paciente e dos profissionais de saúde.

A maioria dos casos de infecção por coronavírus é de quadro leves, sem a necessidade de cuidados presenciais, então é possível acompanhar a evolução do quadro em casa, sem aumentar o risco de outras pessoas contraírem a doença. Com a telemedicina, o monitoramento do paciente pode ser realizado diariamente ou a cada 48 horas ou 72 horas, avaliando se há melhora ou piora do quadro clínico.

Caso seja necessário, o médico pode prescrever as medicações adequadas ou encaminhar o paciente para a realização de exames ou internação. O teste para a detecção da covid-19 pode, em muitos casos, ser realizado em domicílio, evitando a transmissão em cadeia e a exposição a locais com grande quantidade de pessoas, como o transporte público.

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Fonte: Medicina SA, Ministério da Saúde, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Agência Brasil.

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