São Paulo cria mais 6 centros de pesquisa para teste da CoronaVac

16 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
Com novos locais de pesquisa, Instituto Butantan expande a fase final de testes clínicos da vacina chinesa para 22 centros capazes de alcançar 13 mil voluntários

O governo de São Paulo deu mais um passo para acelerar a terceira fase de testes da CoronaVac, a vacina chinesa produzida pela farmacêutica Sinovac em parceria com o Instituto Butantan contra a covid-19. No fim de outubro, o governador João Doria confirmou a criação de mais seis centros de pesquisa científica para testagem, desenvolvimento e identificação da eficácia do produto em seres humanos.

O objetivo do poder público paulista é aumentar o contingente de profissionais de saúde que podem se voluntariar para participar dos testes. Com a adição dos novos centros de pesquisa, os estudos clínicos poderão atingir 13 mil voluntários em 22 locações. Até o momento, são 9.039 envolvidos no processo em sete estados do Brasil.

Aumentando o alcance das pesquisas

6 novos centros de pesquisa serão utilizados para acelerar a busca por voluntários em São Paulo. (Fonte: Shutterstock)
6 novos centros de pesquisa serão utilizados para acelerar a busca por voluntários em São Paulo. (Fonte: Shutterstock)

Após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar a ampliação dos estudos para 13 mil voluntários, o governo de São Paulo teve dificuldades para selecionar indivíduos para o experimento, então decidiu criar seis centros de pesquisa com o intuito de expandir o alcance na comunidade e acelerar o processo de recrutamento.

O anúncio feito por Doria durante uma entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, na qual indicou que as novas locações serão supervisionadas por profissionais do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e executadas em quatro hospitais da periferia da capital, visto que essa área tem apresentado taxas de infecção maiores do que as partes centrais da cidade.

As outras duas sedes serão alocadas na região do ABC, que já tem um centro de pesquisa na Universidade Municipal de São Caetano do Sul. No fim de setembro, quando o Instituto Butantan contava com apenas 12 locais de estudos, o governador de São Paulo anunciou a criação de laboratórios em Barretos (SP), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT) e Pelotas (RS).

Procedimentos da testagem

Sinovac cederá 60 milhões de doses da CoronaVac para o Instituto Butantan até fevereiro de 2021. (Fonte: Shutterstock)
Sinovac cederá 60 milhões de doses da CoronaVac para o Instituto Butantan até fevereiro de 2021. (Fonte: Shutterstock)

Durante a terceira fase de testes da CoronaVac, metade dos participantes receberá a dose da vacina, e o restante será inoculado com um placebo. Para que o experimento tenha efeito de comprovação, ao menos 61 participantes que receberem a preparação neutra precisam ser contaminados com o novo coronavírus para que os institutos de pesquisa possam analisar qual é o percentual de cura entre os pacientes que receberam a versão verdadeira da vacina.

Caso o imunizante atinja índices que comprovem sua eficácia e segurança, ele poderá ser submetido à avaliação da Anvisa para registro. Apenas após todos esses procedimentos o composto conseguirá o visto para ser utilizado em campanhas de imunização para a população em geral.

Em declaração para a imprensa, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, assegurou que a CoronaVac é segura e não tem efeitos colaterais graves em seres humanos. Segundo ele, os testes quanto à eficácia do produto ainda não foram finalizados, mas a instituição espera que isso ocorra até o fim de dezembro de 2020.

Parceria com a Sinovac

Em 30 de setembro, o Instituto Butantan e a Sinovac firmaram um contrato que prevê o fornecimento de 46 milhões de doses da CoronaVac para o Brasil. A assinatura ocorreu no Palácio dos Bandeirantes e teve a presença de Doria, Covas e do vice-presidente mundial da companhia, Weining Meng. De acordo com o documento, as doses estarão disponíveis até dezembro deste ano; entre elas, 6 milhões chegariam prontas ainda em outubro, e as demais seriam finalizadas no Instituto Butantan.

A Sinovac também se comprometeu a entregar mais 14 milhões de doses do produto até o fim de fevereiro de 2021. No total, a parceira com a farmacêutica chinesa prevê a chegada de 60 milhões de vacinas para serem utilizadas no processo de imunização dos brasileiros nos próximos meses.

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Fontes: Institutos Butantan, Medicina S.A, Governo de São Paulo.

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