Como a pandemia reduziu a expectativa de vida dos brasileiros?

6 de maio de 2021 4 mins. de leitura
Pesquisadores de Harvard afirmam que bebês nascidos em 2020 devem viver 1,94 anos a menos por conta da pandemia de covid-19

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Uma pesquisa feita por cientistas de Harvard revelou que a expectativa de vida de bebês nascidos em 2020 caiu 1,94 anos por conta dos impactos causados pela pandemia de covid-19. Com isso, os índices voltaram ao patamar estabelecido em 2013.

Isso significa que a esperança de longevidade dessas pessoas passou de 76,7 anos para 74,8 anos. A queda é muito maior do que o ganho médio de cinco meses por ano estabelecidos de 1945 até 2020.

Segundo a pesquisa, os dados podem ser piores do que a estimativa, pois houve dificuldade de acesso ao teste de covid-19 e muitas mortes por coronavírus foram registradas como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Por isso, a pesquisa levou em conta um cenário alternativo, em que a expectativa de vida é calculada a partir da soma de mortes por covid-19 e 90% dos óbitos causados por SRAG. A partir desse cálculo, a estimativa de longevidade diminuiria em mais de dois anos e meio.

Levando em consideração casos de morte por covid-19 e SRAG, longevidade cairia para mais de dois anos e meio (Fonte: Freepik)
Levando em consideração os casos de morte por covid-19 e SRAG, longevidade cairia para mais de dois anos e meio. (Fonte: Freepik)

“Mesmo assim são duas estimativas bastante conservadoras. As medidas devem ser ainda maiores porque mesmo depois de contabilizar mortes por covid-19 e por SRAG, verificamos que há um excesso de óbitos em relação ao esperado, que pode ser causado por falta de assistência médica básica para outras doenças, por exemplo”, disse em entrevista à BBC, a demógrafa Márcia Castro, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard.

Expectativa para 2021

Segundo a pesquisa de Harvard, a tendência é que a expectativa de vida obtenha índices ainda piores em 2021 já que o número de mortes vêm aumentando exponencialmente. 

Márcia Castro ainda relatou que Amazonas e Rondônia já têm mais óbitos registrados em dois meses do que em todo o ano de 2020. Por isso, na visão da cientista, é fácil prever que haverá queda na estimativa em 2021.

De acordo com a pesquisa da Fiocruz, o Brasil está enfrentando o maior colapso sanitário e hospitalar da história, no qual praticamente todos os estados brasileiros estão com leitos de UTI em estado crítico até o último dia 15 de março.

Praticamente todos os estados brasileiros estavam com taxa de ocupação de UTI em estado crítico até o último dia 15 de março (Fonte: Fiocruz/Reprodução)
Praticamente todos os estados brasileiros estavam com taxa de ocupação de UTI em estado crítico até o último dia 15 de março. (Fonte: Fiocruz/Reprodução)

Segundo a pesquisa de Harvard, diante dessa situação, a população que busca atendimento médico por conta de outras doenças que não o coronavírus encontram hospitais lotados, com um sistema de saúde em colapso, e podem não conseguir ter acesso ao tratamento de saúde por conta das vítimas da covid-19

Além disso, há pacientes desistindo de buscar atendimento por medo de ser infectado, e outros que interrompem o tratamento para evitar qualquer tipo de contaminação pela doença. A vacinação em passos lentos também contribui para os índices mencionados na pesquisa.

De acordo com os cientistas, além do atendimento de saúde precário, as pessoas estão com renda desestruturada por conta dos impactos da covid-19 na economia. A pesquisa afirma que isso também impacta na taxa de mortalidade entre idosos e crianças, já que muitas famílias perderam suas fontes de renda e outras estão passando fome, aumentando os riscos de doenças.

“Percebemos que o Brasil não está nem tomando as medidas necessárias para tentar sair da onda atual, já que a pandemia corre solta, nem se preparando para a possibilidade de uma nova onda da covid-19 ainda neste ano”, disse Márcia Castro em entrevista à BBC.

Conforme a pesquisa, em resumo, o número de mortes por covid-19 no Brasil em 2020 foi catastrófico, e os ganhos de longevidade alcançados no decorrer de anos foi impactado pela pandemia. Segundo o estudo, a falta de uma resposta rápida e eficiente da ciência e a desinformação foram marcas registradas da atual administração.

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Fonte: Fiocruz, BBC, Universidade de Harvard.

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