Como reduzir a mortalidade materna?

22 de junho de 2022 4 mins. de leitura
A mortalidade materna está relacionada aos casos de mortes por complicações na gravidez ou no parto

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As altas taxas de mortalidade materna constituem um grave, porém contornável, problema de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017 ocorreram 810 óbitos por dia relacionados à gravidez e ao parto que poderiam ter sido evitados.

A agência governamental considera os óbitos que ocorrem por causas relacionadas à gravidez ou a medidas ligadas a ela durante ou até 42 dias após o final da gestação.

O acesso a cuidados de saúde de qualidade pode prevenir a maioria das mortes maternas. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

A maioria dessas fatalidades (94%) acontece em países de baixa e média rendas, onde há menos acesso a profissionais capacitados para tratar questões de saúde como hemorragias e infecções, que já têm soluções conhecidas. A OMS também recomenda a prevenção de gestações indesejadas, com o acesso a métodos contraceptivos e serviços de aborto seguros conforme permitido pela lei.

Cuidados de qualidade são essenciais

O principal é assegurar o acesso a cuidados de qualidade na gravidez, durante e após o parto. Isso inclui profissionais bem preparados, aptos a lidar com os problemas de saúde que podem ocorrer nesse período. A OMS cita três exemplos de condições com tratamentos conhecidos, que, quando administrados corretamente, podem salvar a vida da mãe e do recém-nascido. Conheça-as a seguir.

1. Pré-eclâmpsia

Sintomas da pré-eclâmpsia incluem hipertensão, eliminação de proteínas na urina e inchaço nos membros inferiores. É importante tratá-la antes da eclâmpsia, em que ocorrem convulsões. Segundo a OMS, isso pode ser feito por meio da administração de drogas como sulfato de magnésio.

2. Hemorragia grave

Mais de um quinto das mortes maternas ocorrem em decorrência da hemorragia, que é perda excessiva de sangue. A agência afirma que aplicar ocitocina logo após o parto pode prevenir até 60% dos casos de hemorragia no puerpério.

3. Infecções

Além de potencialmente fatais, as infecções pós-parto podem ter outras complicações, como endometrite (inflamação do endométrio, camada do útero) e infertilidade. A OMS destaca a importância de uma boa higiene, além de detecção e tratamento de forma rápida o suficiente.

Áreas de baixa e média rendas são as mais afetadas

Segundo pesquisa da OMS e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em diversos países, menos da metade dos partos são assistidos por um profissional qualificado, como parteiras, médicas ou enfermeiras.

Serra Leoa, República Centro-Africana, Chade, Nigéria e Sudão do Sul são os países com taxas mais altas de mortalidade, de acordo com dados coletados em 2015. Na Serra Leoa, estima-se que 6% das mulheres com 15 anos morrerão por complicações associadas à gravidez. O risco também aumenta conforme o número de filhos: na Nigéria, a média é de sete filhos por mulher.

Além da falta de profissionais qualificados, a pobreza, a distância geográfica, a falta de informação, as crenças e as práticas culturais são citadas pela OMS como obstáculos no acompanhamento de qualidade.

Serra Leoa é o país com a maior taxa de mortalidade materna do mundo. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Situação no Brasil

Por meio da aplicação prática do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estipulado pelo Unicef, a meta é de que até 2030 seja reduzida a taxa global para menos de 70 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. No Brasil, são 59 mortes a cada 100 mil nascidos vivos (dados de 2018).

Segundo o Ministério da Saúde, 67% dos 38,9 mil óbitos maternos entre 1996 e 2018 foram consequência direta de complicações na gravidez, parto ou puerpério, ocorrendo por intervenções, tratamento incorreto ou omissões. As principais causas foram hipertensão, hemorragia, infecção pós-parto e aborto.

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Fonte: Opas Brasil, TuaSaúde, Drauzio Varella, PAHO, WHO, Our World in Data, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, OPAS Brasil, Mortalidade Materna no Brasil – Boletim Epidemiológico n.º 20/MS (Maio, 2020), Objetivo 3 – Saúde e Bem-Estar

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