Covid-19: risco de trombose e AVC é menor após vacina

30 de setembro de 2021 4 mins. de leitura
Maior estudo sobre o tema comparou dados de milhões de vacinados com os de infectados pelo novo coronavírus

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A chance de desenvolver coágulos sanguíneos é maior ao ser infectado pelo novo coronavírus do que ao receber uma vacina contra covid-19. A conclusão está em um estudo realizado por cientistas do Reino Unido, publicado no The British Medical Journal (The BMJ), no dia 27 de agosto.

Conduzida por pesquisadores de várias universidades e hospitais britânicos, a investigação analisou dados de mais de 29 milhões de imunizados com as fórmulas da Pfizer/BioNTech ou da Oxford/AstraZeneca, entre dezembro de 2020 e abril deste ano. Eles foram comparados com informações de 2 milhões de pessoas que testaram positivo para covid-19.

A preocupação com uma rara formação de coágulos como efeito colateral da vacina fez países suspenderem temporariamente o uso do imunizante da AstraZeneca. Em alguns lugares, ela chegou a ser reservada apenas para a população mais velha, como aconteceu na Inglaterra, por conta do temor de trombose.

Os coágulos podem atingir vários órgãos, como o cérebro, o pulmão e o coração. (Fonte: MattLphotography/Shutterstock/Reprodução)
Os coágulos podem atingir vários órgãos, como o cérebro, o pulmão e o coração. (Fonte: MattLphotography/Shutterstock/Reprodução)

Diante disso, o estudo analisou os riscos de trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas) e a formação de coágulos no sangue em vacinados e infectados pelo Sars-CoV-2. Outros riscos também foram considerados, como os de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) e de trombose do seio venoso central (CVST).

Risco é maior entre os infectados

Segundo a pesquisa, há um risco aumentado de eventos raros de coagulação sanguínea e trombocitopenia em um período de 8 a 28 dias após a dose inicial da vacina da AstraZeneca. No mesmo período, os riscos de formação de coágulos e AVC também cresceu em quem recebeu a primeira dose da Pfizer.

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Porém, tais riscos foram “significativamente menores” que os associados à infecção pelo novo coronavírus. O estudo estima que 107 a cada 10 milhões de pessoas seriam internadas ou morreriam de trombocitopenia e haveria 66 casos de CVST no período, ao receber o imunizante da AstraZeneca, subindo para 934 e 12.614, respectivamente, entre os com teste positivo.

Casos de coágulos sanguíneos relacionados à vacina são considerados raríssimos. (Fonte: Pasquale Senatore/Shutterstock/Reprodução)
Casos de coágulos sanguíneos relacionados à vacina são considerados raríssimos. (Fonte: Pasquale Senatore/Shutterstock/Reprodução)

No caso dos que receberam a primeira dose da Pfizer, a estimativa é de 143 casos de hospitalização ou morte por AVC isquêmico a cada 10 milhões de vacinados, durante o mesmo período. Em comparação, essa quantidade seria muito maior entre os infectados pelo coronavírus, subindo para 1.699 registros de derrame.

A autora principal do estudo Julia Hippisley-Cox reforçou a importância das descobertas. “As pessoas devem estar cientes desses riscos aumentados após a vacinação contra covid-19 e procurar atendimento médico se desenvolverem sintomas, mas também devem estar cientes que os riscos são consideravelmente maiores e por longos períodos se eles forem infectados com Sars-Cov-2”, disse ela ao The Guardian.

Efeitos colaterais das vacinas

Além dos problemas citados, outra reação considerada rara após a vacinação contra o coronavírus é o risco de choque alérgico. Já reações como dor no local da injeção, vermelhidão, inchaço, dor de cabeça, febre, fadiga e dores nos membros são comuns e costumam desaparecer em poucos dias.

Como ressaltaram os autores, todas as vacinas em uso no combate ao coronavírus passaram por ensaios clínicos randomizados, que podem não ser suficientes para detectar eventos adversos muito raros. Porém, há uma análise de riscos e benefícios para averiguar a continuidade da imunização quando eles são descobertos. 

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Fonte: British Medical Journal, Forbes, CNBC, The Guardian.

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