O que é preciso para a covid-19 voltar a ser uma endemia? - Summit Saúde

O que é preciso para a covid-19 voltar a ser uma endemia?

28 de março de 2022 5 mins. de leitura

Pré-requisitos devem ser levados em consideração para mudar a classificação

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A covid-19 está se transformando em uma endemia, de acordo com editorial da The Lancet Infectious Diseases, uma das mais importantes revistas científicas do mundo. Apesar de uma nova onda da variante Ômicron, o avanço da vacinação e do número de pessoas expostas ao novo coronavírus está reduzindo o percentual de casos graves.

Até o momento, mais de 4,3 bilhões de pessoas, equivalente a 54% da população mundial, já foram imunizadas totalmente, segundo informações do site Our World in Data. A letalidade global causada pela covid-19, que chegou a uma taxa de até 2%, está em uma média de 0,25%. Dessa forma, a gravidade da doença se aproxima da gripe sazonal.

Embora os países europeus estejam relaxando as medidas restritivas, não há um consenso científico sobre a mudança de status da covid-19 para doença endêmica, devido ao risco do surgimento de novas cepas com escape imunológico. Dessa forma, mesmo uma endemia requer cuidados rigorosos de prevenção, diagnóstico e tratamento.

Qual é a diferença entre endemia e pandemia?

As diferenças entre endemia, pandemia e outras classificações, como surto e epidemia, estão relacionadas à velocidade de disseminação de uma doença e à sua abrangência geográfica. A diferenciação é útil para adotar protocolos de saúde com o objetivo de enfrentar crises sanitárias e calcular as suas consequências econômicas e sociais.

Enquanto o surto é um aumento repentino no número de casos de uma doença acima da expectativa normal em uma determinada comunidade, a epidemia é declarada quando o número de pessoas atingidas aumenta de forma muito rápida, mas ainda é contida em uma pequena população.

Quando o crescimento da doença se torna descontrolado, afetando vários países e populações, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara pandemia. Geralmente, a situação leva a rupturas sociais em larga escala, perdas econômicas e dificuldades gerais.

A endemia é um surto de uma doença consistentemente presente, mas limitado a uma determinada região. Isso torna a propagação da doença e as taxas previsíveis. A malária e a dengue, por exemplo, são consideradas endêmicas em alguns países e regiões.

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Quando a covid-19 será endêmica?

Testagem foi fundamental para controlar casos de covid-19. (Fonte: Freepik/Reprodução)
Testagem foi fundamental para controlar casos de covid-19. (Fonte: Freepik/Reprodução)

A transição da covid-19 de pandemia para endemia está relacionada ao controle global da doença. Embora a queda acentuada nos números de casos e de morte de alguns países sejam indicadores importantes, apenas eles não são suficientes para a OMS determinar uma mudança de status.

Segundo projeções do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, os números de casos e de morte em todo o mundo deve alcançar uma estabilidade em junho, quando deverão ser registrados menos de mil óbitos por dia. A estimativa aponta, ainda, a ocorrência de uma nova onda no final de março e abril com um pico de 8 mil mortes diárias.

No Brasil, o cenário projetado indica que o ápice foi atingido em fevereiro e haverá uma desaceleração gradual dos casos de infecções por coronavírus sem novas altas até o início de junho, quando deverão ser registrados menos de 200 óbitos por dia devido à covid-19.

O que muda na prática para os sistemas de saúde?

Ainda que algumas medidas restritivas possam ser relaxadas, a vigilância sanitária deve continuar atenta à endemia. (Fonte: Serhii_bobyk/Freepik/Reprodução)
Ainda que algumas medidas restritivas possam ser relaxadas, a vigilância sanitária deve continuar atenta à endemia. (Fonte: Serhii_bobyk/Freepik/Reprodução)

A declaração de uma endemia de covid-19 não vai significar a erradicação da doença. A mudança de classificação indica que as infecções por coronavírus continuarão a acontecer, no entanto em um nível em que os sistemas de saúde possam lidar melhor com as demandas, como testagem e internação, sem entrar em colapso.

Algumas medidas poderão ser relaxadas, mas ainda será necessário manter um nível mínimo de prevenção para impedir surtos. A vacina contra o coronavírus poderá ser incorporada ao calendário de imunização para grupos de risco,riscos, com atualizações anuais como acontece com a gripe.

Os serviços de vigilância sanitária e epidemiológica deverão permanecer atentos para agir com rapidez na contenção de novos casos de infecção, da mesma forma que age em relação a outras doenças endêmicas.

Fonte: Our World in Data, The Lancet Infectious Diseases, Universidade de Harvard, Instituto de Métricas em Saúde da Universidade de Washington, Universidade Estadual Paulista (Unesp), American Lung Association.

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