Coronavírus: enxaguante bucal pode reduzir o contágio?

18 de junho de 2020 4 mins. de leitura
Pesquisa aponta que alguns enxaguantes bucais contêm ingredientes capazes de destruir a membrana protetora de outros coronavírus

Um artigo científico indicou que o uso de enxaguante bucal pode ajudar a reduzir a propagação do novo coronavírus. O estudo foi liderado por cientistas da Universidade de Cardiff e publicado na revista científica Function, da Universidade de Oxford.

Os cientistas sugerem que as substâncias encontradas no produto seriam capazes de romper os “envelopes” que envolvem o vírus, o que poderia retardar a sua disseminação. Componentes como etanol, clorexidina, cloreto de cetilpiridínio, peróxido de hidrogênio e povidona-iodo podem ser usados para a ruptura da membrana lipídica do vírus.

A equipe, no entanto, deixa claro que a pesquisa é especulativa e requer mais estudos para comprovar a eficácia do enxaguante bucal contra o novo coronavírus. Se os ensaios clínicos ratificarem isso, a descoberta poderá ser muito útil para conter a propagação da doença enquanto as vacinas estão sendo desenvolvidas.

A relação entre o vírus e a garganta

Imagem: Freepik
Com a grande quantidade de vírus nessa região, é mais fácil transmiti-lo ao tossir e espirrar. (Imagem: Freepik)

Enquanto há cientistas trabalhando na produção de vacinas, há uma linha de pesquisa focada na redução da disseminação do coronavírus. Esse estudo é especificamente voltado para a destruição do envelope que envolve o vírus.

O Sars-CoV-2 é uma estrutura envelopada, o que significa que há uma membrana externa gordurosa que permite que o vírus se replique. Uma das formas mais eficazes de destruir o envelope viral e o próprio vírus é lavar as mãos com sabão ou higienizá-las com desinfetantes específicos. Há pesquisas que comprovam a eficácia de desinfetantes para mãos a fim de destruir o novo coronavírus.

Buscando o local de maior risco de propagação, a atenção de muitos cientistas se volta para a garganta, pois é provável que um paciente com a covid-19 tenha uma concentração alta do novo coronavírus nessa parte do corpo. Por isso é tão fácil transmiti-lo por meio da tosse e da própria fala.

A intenção dos pesquisadores desse estudo é entender se os enxaguantes bucais à base de álcool, em contato com a garganta do indivíduo, conseguiriam reduzir a transmissão do vírus. No artigo, eles ressaltam que, em virtude da velocidade de disseminação do novo coronavírus, ainda é preciso aprender muito sobre as suas funções.

As questões que envolvem o estudo

Imagem: Pexels
De acordo com a pesquisa, “esta é uma área pouco pesquisada e com grande necessidade clínica”. (Imagem: Pexels)

A teoria proposta pelo estudo encontra algumas dificuldades; a primeira delas é a questão da concentração de álcool. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) enfatiza que a concentração de álcool em desinfetantes para mãos precisa ser de pelo menos 60% para matar o vírus.

Enxaguantes bucais como Listerine têm por volta de 26%. A própria marca, inclusive, emitiu um comunicado oficial afirmando que o produto não foi testado contra o novo coronavírus e “não é recomendado como forma de prevenção ou tratamento da covid-19”.

Com informações sobre concentração de álcool, é preciso ter cuidado. Para dissuadir as pessoas de tentarem destruir o vírus de forma irresponsável, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que ninguém deve ingerir produtos de limpeza. Nos EUA, em abril o número de pessoas com intoxicação por produtos de limpeza aumentou 20% em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com a líder da pesquisa, a professora Valerie O’Donnell, experiências com tubos de ensaio e estudos clínicos limitados mostram que alguns enxaguantes bucais têm ingredientes que podem atacar lipídios de vírus envelopados semelhantes.

“O que nós não sabemos ainda é se existem enxaguantes bucais ativos contra a membrana lipídica do Sars-CoV-2”, disse a pesquisadora, citada pelo The Independent.

Embora não haja testes conclusivos a esse respeito, a área se mostra um campo de estudo fértil para se pensar em formas de reduzir a disseminação do novo coronavírus.

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