AVC neonatal: causas e sintomas de derrames em bebês

30 de setembro de 2020 4 mins. de leitura
Novo estudo busca compreender quais células cerebrais estão envolvidas no acidente vascular cerebral

A hora do parto costuma ser bastante aguardada pelas gestantes, porém o momento pode trazer medo e angústia quando algo sai do controle. Para a jornalista Lisa Applegate, da revista Parents, o nascimento do filho foi uma aventura aterrorizante.

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“Eu realmente ouvi o médico dizer ‘punção lombar’, ‘tomografia computadorizada’ e ‘possível dano cerebral’? Por que meu filho saudável, que nasceu com pouco mais de 3 quilos após uma gravidez sem complicações, estava em uma unidade para prematuros? A enfermeira estava mesmo bombeando ar em seus pulmões?”, recordou a jornalista em relato publicado no periódico online.

O que a família dela passou é algo pouco conhecido e muito perigoso: o bebê tinha sofrido um acidente vascular cerebral perinatal. Normalmente visto como uma doença de idosos, o AVC tem as mesmas chances de acontecer em recém-nascidos quanto em pessoas mais velhas; porém, segue sendo uma incógnita para a maioria dos pais.

Mulher grávida com as mãos  na barriga de vestido vermelho
AVC neonatal atinge 1 a cada 4 mil nascimentos. (Fonte: Pixabay)

Causas e sintomas

O derrame é chamado de perinatal quando acontece nos 7 primeiros dias de vida do bebê; caso se dê antes dos 28 dias, passa a ser chamado de derrame neonatal. Estima-se que a ocorrência seja de 1 a cada 4 mil nascimentos, não sendo, portanto, tão raro. Inclusive, é uma das dez principais causas de morte de crianças com menos de um mês de vida.

Tal como no AVC em adultos, é uma condição na qual o fluxo sanguíneo é interrompido em alguma área do cérebro, normalmente por um coágulo ou pelo rompimento de um vaso sanguíneo. A causa mais comum é quando ocorre hipóxia, que é a falta de oxigenação no cérebro, levando o órgão a um colapso. A saúde da mãe também pode influenciar, com distúrbios autoimunes ou de coagulação, diabetes, infecções e uso de drogas, principalmente cocaína.

“Eu agonizava com o passado, questionando todos os aspectos da minha gravidez, embora não tivesse nenhuma prova científica de que minhas ações resultaram no derrame de Luc”, contou Applegate.

Os sinais de um derrame infantil incluem convulsões ou contrações musculares em apenas um lado do corpo, fraqueza muscular e atraso na fala ou no engatinhar. Sem tratamento, pode evoluir para paralisias permanentes, dificuldades de falar e engolir, problemas em controlar as emoções e falta de memória.

Mãe segurando recém nascido dormindo
Casos mais graves e sem tratamento podem resultar em paralisia e distúrbios com o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. (Fonte: Pixabay)

Novas descobertas

O AVC neonatal também é um fato ainda pouco conhecido pelo cientistas; por conta disso, pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, tentaram entender melhor como um derrame desses acontece, estudando os componentes cerebrais envolvidos. Eles descobriram que, aparentemente, as células de defesa do cérebro poderiam estar agindo contra ele, levando ao colapso.

Essas estruturas são chamadas de micróglias e correspondem a 10% a 15% de todas as células encontradas no cérebro. Sua origem, entretanto, ainda é debatida. A maioria delas aparentemente era glóbulos brancos, conhecidos como monócitos, que durante o desenvolvimento do cérebro ou em acidentes vasculares se transformam em um exército para defendê-lo. Anteriormente, os médicos acreditavam que o monócito só aparecia quando algum trauma atingia a região cerebral.

Os pesquisadores também descobriram que após um derrame há uma onda de monócitos se transformando em micróglias em um processo que dura pelo menos 62 dias depois da lesão. A extensão do AVC também influencia os sintomas, que incluem convulsões ou sonolência, bem como sinais tardios, como dificuldade de fala ou de equilíbrio.

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Fontes: Science Daily, Birth Injury Guide, Parents.

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