Dia Mundial de Combate à Meningite: a importância da imunização - Summit Saúde

Dia Mundial de Combate à Meningite: a importância da imunização

24 de abril de 2020 5 mins. de leitura

sintomas de meningite podem ser confundidos com sinais de doenças comuns e até covid-19

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A data de 24 de abril é conhecida como o Dia Mundial de Combate à Meningite, doença que causou 300 mil mortes no mundo em 2017, segundo dados da Confederação das Organizações de Meningites, que estima 5 milhões de novos casos registrados a cada ano. E sabe-se que a maneira mais eficaz de evitar ocorrências mais graves da doença é com a vacinação.

A imunização contra a meningite se torna ainda mais importante por causa do novo coronavírus, já que sintomas da doença, como dores intensas de cabeça e alterações musculoesqueléticas e de consciência, estão presentes também em pacientes com a covid-19. Nas duas situações, a transmissão se dá através das vias respiratórias, por meio de gotículas e secreções do nariz e da garganta.

Os sintomas da meningite, como mal-estar, náuseas e vômitos, podem ainda ser confundidos com indícios de outras doenças mais leves, como gripe, otite, bronquite e infecções de garganta. Entretanto, a enfermidade pode evoluir rapidamente, causando sequelas graves e permanentes ou levando à morte.

Tipos de meningite

(Fonte: Shutterstock)

A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, podendo ser causada por bactérias, vírus ou fungos. A doença pode atingir pessoas de todas as idades, mas crianças e idosos merecem atenção. As ocorrências mais graves estão relacionadas a bactérias que, além de atacarem o cérebro, podem atingir o sistema respiratório, o coração, os ossos e até o sangue. Os principais tipos de meningite bacteriana são:

  • meningocócica — Causada pela bactéria Neisseria meningitidis, gera febre alta e repentina, com dor de cabeça intensa, rigidez do pescoço e vômitos. Em alguns casos, pode provocar sensibilidade à luz (fotofobia) e confusão mental. Esse tipo mata 20% dos infectados; quando atinge a corrente sanguínea, o índice de letalidade sobe para 70%. Cerca de 15% dos sobreviventes apresentam sequelas como cegueira, surdez, problemas neurológicos e amputação de membros. No Brasil, os tipos mais comuns são C e B.
  • pneumocócica — A bactéria Streptococcus pneumoniae geralmente atinge o sistema respiratório, mas também pode afetar o sangue e o cérebro, apresentando um quadro de sintomas parecido com o da meningite meningocócica. Responsável por 15% das mortes de crianças menores de 5 anos de idade, também causa óbitos e complicações em idosos. O índice de letalidade é de 30%.
  • por Hib — No fim dos anos 1980, as infecções causadas pela bactéria Haemophilus Influenzae B (Hib) eram a principal causa de meningite bacteriana em menores de 5 anos de idade; com a vacinação, agora é pouco comum no Brasil. Esse tipo de meningite causa pneumonia, inflamação da garganta, artrite e infecções nos ossos e na membrana que envolve o coração.
  • tuberculosa — O bacilo de Koch, bactéria responsável pela tuberculose, pode se instalar nas meninges. Diferentemente dos outros tipos, sua evolução é lenta, o que contribui para que o diagnóstico seja realizado no estágio avançado. Crianças e pacientes imunodeprimidos sofrem maior risco de contrair a doença, que também é altamente letal.

Vacinação contra a meningite

Em setembro de 1974, o Brasil foi atingido pelo ápice de uma epidemia de meningite meningocócica que durou seis anos e resultou em cerca de 20 mil casos registrados e 2 mil óbitos. Foi o surto mais grave da doença no País, com outros incidentes menos letais em 1923 e 1945. A gravidade do episódio levou o governo a tomar uma série de medidas e criar estruturas para combater a doença e prevenir outras epidemias.

Em 1975, foi realizada uma ampla campanha nacional de vacinação contra a meningite e instituído o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica e Imunizações. Um ano depois, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) criou o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), até hoje responsável pelo desenvolvimento, pela produção e pela distribuição de vacinas no Brasil.

Principais vacinas

(Fonte: Shutterstock)

As vacinas contra meningite combatem as doenças causada por bactérias, que são os tipos mais graves. A imunização é recomendada como rotina pelo Ministério da Saúde, pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mesmo que não haja notícia de surtos da doença, uma vez que os casos de meningite bacteriana acontecem durante o ano inteiro no Brasil.

A imunização é realizada em menores de 1 ano de idade de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação. As doses aplicadas são BCG (contra meningite tuberculosa), Pentavalente (contra Hib), além de Pneumocócica 10 Valente e Meningocócica C.

A SBIm recomenda a aplicação da Meningocócica B em grupos de alto risco, como portadores de HIV e de asplenia anatômica ou funcional. A entidade também sugere, além do Calendário Nacional, um reforço da Meningocócica C para crianças entre 5 anos e 6 anos de idade e ao completarem 11 anos.

Fonte: Secretaria da Saúde do Espírito Santo, SBIm, Agência Brasil, Drauzio Varella, Fiocruz, Ministério da Saúde, BBC, Sociedade Brasileira de Infectologia.

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