O que é hidrocefalia: causas e tratamentos

20 de abril de 2022 5 mins. de leitura
Condição atinge geralmente recém-nascidos, crianças e idosos

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A hidrocefalia atinge duas a cada 10 mil crianças da América do Sul e da Ásia, de acordo com um estudo realizado por departamentos de neurociência, centros médicos e hospitais infantis de universidades no Canadá e nos Estados Unidos (EUA).

A pesquisa foi publicada na revista científica PLOS ONE e aponta que Europa, Ásia e América do Norte têm uma prevalência de um caso a cada 10 mil nascimentos. Além de afetar recém-nascidos e crianças, a enfermidade atinge idosos acima de 60 anos.

Desse modo, com o envelhecimento da população, estudos epidemiológicos realizados pelo Hospital Albert Einstein indicam que o Brasil registra 11 mil novos casos por ano. Ainda assim, a condição é considerada subdiagnosticada.

O que é hidrocefalia?

Diagnóstico de hidrocefalia pode ser realizado com tomografia computadorizada do cérebro. (Fonte: Shutterstock)
Diagnóstico de hidrocefalia pode ser realizado por tomografia computadorizada do cérebro. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

O líquido cefalorraquidiano (LCR) flui através de cavidades, banha o cérebro e a coluna vertebral. A hidrocefalia é o acúmulo desse líquido nas cavidades das profundezas do cérebro, aumentando o tamanho dessas estruturas e exercendo pressão sobre o cérebro, danificando os tecidos desse órgão.

A hidrocefalia pode ocorrer em qualquer idade, mas acontece com mais frequência em bebês e adultos acima de 60 anos. O tratamento cirúrgico da hidrocefalia pode restaurar e manter os níveis normais de líquido cefalorraquidiano no cérebro.

Causas

As causas da hidrocefalia são pouco conhecidas. A condição congênita pode ser provocada por um defeito na estrutura do cérebro que restringe o fluxo do LCR. Por exemplo, algumas pessoas nascem com passagens estreitas no cérebro causando essa restrição, mas não têm sintomas até anos depois.

Em adultos e crianças, é frequentemente adquirida por uma doença ou lesão que afeta o cérebro. A hidrocefalia que se desenvolve principalmente em idosos, conhecida como hidrocefalia de pressão normal, também pode ser o resultado de uma infecção, doença ou lesão, mas em muitos casos não está claro o que a causa.

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Sintomas

Idosos também podem desenvolver hidrocefalia. (Fonte: Shutterstock)
Idosos também podem desenvolver hidrocefalia. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

A hidrocefalia apresenta sintomas ligeiramente diferentes, dependendo do tipo e da idade da pessoa afetada. Em bebês, a patologia pode ser diagnosticada por meio de ultrassonografia pré-natal, pois recém-nascidos apresentam características físicas que incluem:

  • cabeça extraordinariamente grande;
  • couro cabeludo fino e brilhante com veias facilmente visíveis;
  • ponto fraco protuberante ou tenso no topo da cabeça;
  • olhos voltados para baixo.

A hidrocefalia congênita também pode causar:

  • má alimentação;
  • irritabilidade;
  • vômito;
  • sonolência;
  • rigidez muscular e espasmos nos membros inferiores do bebê.

Em crianças e adultos, a doença geralmente causa dores de cabeça, especialmente ao acordar, porque o fluido no cérebro não é drenado tão bem com o corpo na horizontal e pode se acumular durante a noite. Outros sintomas de hidrocefalia adquirida são:

  • dor no pescoço;
  • sonolência;
  • mudanças no estado mental, como confusão;
  • visão turva ou dupla;
  • dificuldade de andar;
  • incapacidade de controlar a bexiga.

Os sintomas da hidrocefalia de pressão normal tendem a afetar pessoas mais velhas e geralmente se desenvolvem lentamente, ao longo de muitos meses ou anos. A doença pode afetar o modo de andar, o sistema urinário e as habilidades mentais.

O paciente também pode achar cada vez mais difícil dar o primeiro passo quando quiser começar a andar. À medida que a condição progride, a situação dos pés pode ficar mais instável, com maior probabilidade de cair, principalmente ao virar o corpo.

Tratamento

A hidrocefalia não tem cura, mas pode ser administrada com terapias ao longo da vida. Bebês que nascem com a congênita, crianças ou adultos que a desenvolvem geralmente precisam de tratamento imediato para reduzir a pressão no cérebro.

Se a hidrocefalia não for tratada, o aumento da pressão causará danos cerebrais. Tanto a hidrocefalia congênita quanto a adquirida são tratadas com cirurgia de derivação ou neuroendoscopia.

A enfermidade também pode ser tratada indiretamente com a implantação de um dispositivo conhecido como “shunt” para desviar o excesso de LCR para outra cavidade do corpo longe do cérebro.

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Fonte: Hospital Albert Einstein, Jornal Plos One.

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