O que o álcool pode causar no cérebro?

23 de abril de 2022 4 mins. de leitura
Estudo com mais de 36 mil pacientes relaciona hábito de beber álcool com redução de massa cerebral

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Um trabalho científico, publicado na Nature Communications, mostra que as associações negativas entre ingestão de álcool e os danos à saúde e à estrutura do cérebro já são aparentes em indivíduos que consomem em média apenas uma a duas unidades diárias de bebida alcoólica.

O consumo excessivo de álcool tem sido associado à atrofia cerebral, perda de neurônios e menor integridade das fibras da substância branca. No entanto, os dados ainda são limitados sobre as consequências do consumo leve a moderado.

Para aprofundar essa questão, um grupo de cientistas liderado pela Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos) pesquisou as associações entre a ingestão de álcool e a estrutura cerebral usando dados de imagens do UK Biobank, que armazena informações de meio milhão de pessoas.

Estudo amplo sobre consumo de álcool

Quanto maior a ingestão de bebida alcoólica, menor o volume cerebral. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Quanto maior a ingestão de bebida alcoólica, menor o volume cerebral. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

A pesquisa analisou a ingestão de álcool e a estrutura cerebral de 36.678 adultos saudáveis com idade entre 40 e 69 anos no Biobank que tinham dados disponíveis em setembro de 2020.

Os participantes responderam a perguntas sobre informações demográficas, de saúde e do seu consumo de álcool em unidades, incluindo vinho, champanhe, cerveja, cidra, destilados e outras bebidas. Uma garrafa de cerveja foi considerada duas unidades de álcool, enquanto uma dose única de 25 mililitros de destilados foram tidos como uma unidade.

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Limitações

A análise realizou um controle de diversos fatores, como idade, altura, sexo, tabagismo, status socioeconômico, ascendência genética e município de residência.

Além disso, dados de imagens do cérebro incluíram avaliações estruturais, como por ressonância magnética funcional (FMRI) em repouso e baseada em tarefas e imagens de difusão.

Apesar da amplitude, os pesquisadores apontam que apenas pessoas de meia-idade com ascendência europeia participaram do estudo e o histórico delas de transtorno por abuso de álcool não foi verificado. Os relatos de consumo podem ter sido influenciados pela subnotificação.

Danos ao cérebro

Quase 90% da massa cinzenta é afetada de algum modo pelo álcool ingerido. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)
Quase 90% da massa cinzenta é afetada de algum modo pelo álcool ingerido. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

Os pesquisadores separaram os participantes por níveis médios de consumo e observaram um pequeno padrão. Os volumes de matéria cinzenta, responsável por interpretar os impulsos nervosos, e branca, que transmite as informações do cérebro para o corpo, foram reduzidos.

Cerca de 90% de todo o volume de matéria cinzenta foi impactado de alguma forma pela ingestão de álcool, concluíram os estudiosos. A matéria branca, em seus sistemas mais profundos, também sofreu com a ingestão de bebida alcoólica.

Diversas regiões do cérebro foram atingidas pelo consumo de bebida alcoólica. Os córtices frontal, parietal e insular foram os mais afetados. No entanto, houve alterações importantes nas regiões temporal e cingulada. Os pesquisadores também observaram associações no tronco cerebral, putâmen e amígdala.

Envelhecimento precoce

A relação ficou ainda mais evidente com o aumento do nível de consumo. Os pesquisadores descobriram que passar de zero para uma unidade não afetou tanto o volume cerebral. Contudo, sair de uma para duas ou duas para três unidades por dia está relacionado a reduções tanto na substância cinzenta quanto na branca.

Como exemplo, em pessoas de 50 anos, à medida que o consumo médio entre os indivíduos aumentou de uma unidade de álcool por dia para duas, houve mudanças no cérebro equivalentes a envelhecer dois anos. Sair de duas para três unidades é semelhante a envelhecer três anos e meio.

Quer saber mais? Confira a opinião e a explicação dos nossos parceiros especialistas em Saúde.

Fonte: Nature Communications, Science Daily, UK Biobank.

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