Novo protocolo para câncer de pulmão é sugerido durante pandemia

31 de maio de 2020 5 mins. de leitura
Especialistas se reuniram para emitir orientações para rastreamento e tratamento de câncer de pulmão durante crise de covid-19

Um grupo de especialistas dos Estados Unidos estabeleceu novas diretrizes de diagnóstico e tratamento de câncer de pulmão para orientar médicos durante a pandemia do novo coronavírus. Até então, os profissionais determinavam de forma independente como adaptar seus programas de triagem e gerenciamento de nódulos pulmonares na crise sanitária.

“O risco potencial de exposição ou transmissão durante os cuidados de rotina, bem como o desvio de recursos para ajudar a combater a pandemia, forçou os médicos a tomarem decisões sobre o momento do atendimento”, disse Peter Mazzone, diretor do Programa de Câncer de Pulmão do Instituto Respiratório da Cleveland Clinic em release divulgado pela Sociedade de Radiologia da América do Norte.

A declaração de consenso fornece a opinião de especialistas sobre a triagem e o manejo de pacientes com nódulos pulmonares em conformidade com as orientações atuais do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) para a covid-19.

Colapso do sistema de saúde

Sistemas de saúde no mundo inteiro ficaram sobrecarregados com pacientes infectados por coronavírus. (Fonte: Shutterstock)

A crise de saúde pública causa pelo coronavírus colocou sistemas de saúde próximos ou até além do colapso. Os recursos hospitalares se concentram nas necessidades imediatas de pacientes com covid-19, em especial daqueles que estão gravemente enfermos.

A necessidade de controlar o vírus com contenção e mitigação afetou o atendimento de pessoas com outros problemas de saúde. Os médicos foram forçados a escolher entre adiar exames necessários e correr o risco de expor de pacientes ao vírus em ambientes hospitalares ou, ainda, sujeitar profissionais de saúde a pessoas infectadas, mas assintomáticas.

Novas diretrizes para câncer de pulmão

Um painel com 24 especialistas (17 pneumologistas, 5 radiologistas torácicos e 2 cirurgiões torácicos) recebeu, por videoconferência, uma visão geral das evidências atuais, resumidas por diretrizes recentes relacionadas à triagem da neoplasia pulmonar e à avaliação de nódulos pulmonares.

A reunião foi convocada para discutir e votar declarações relacionadas a 12 cenários clínicos comuns. Um limite predefinido de 70% dos membros do painel que concordam foi usado para determinar a aprovação de cada diretriz. As declarações de consenso por tipo de procedimento estão definidas a seguir.

Triagem de câncer de pulmão

Conforme orientações do CDC, os especialistas sugerem adiar, até o controle da crise de covid-19, os cuidados não urgentes para a triagem da neoplasia pulmonar para pacientes com Lung-RADS de categorias 1 e 2, mesmo que atendam aos critérios de elegibilidade para fazer o exame anual por tomografia computadorizada (TC) do tórax.

Vigilância de nódulo pulmonar previamente detectado

Recomendação é que todos os exames possíveis sejam adiados durante a pandemia. (Fonte: Shutterstock)

No caso de pacientes que já tiveram nódulo pulmonar detectado, com diâmetro menor que 8 milímetros (categoria 3 do Lung-RADS), maior que 8 mm de diâmetro médio ou detectado pela triagem de categoria 4 do Lung-RADS, é aceitável adiar a tomografia de vigilância por três meses a seis meses.

O mesmo período de postergação do procedimento é orientado para pacientes que devem fazer TC do tórax de vigilância para detectar um nódulo de vidro fosco incidentalmente detectado ou com nódulo sólido incidentalmente detectado, com a probabilidade de que a malignidade seja menor que 10%.

Avaliação de nódulos pulmonares intermediários e de alto risco

Pacientes com nódulo sólido ou parcialmente sólido detectado incidentalmente com diâmetro maior que 8 mm (categoria 4 da Lung-RADS), com probabilidade de malignidade entre 10% e 25%, podem ser reavaliados com TC em aproximadamente três meses a seis meses. Caso a probabilidade de malignidade seja de 65% a 85%, é recomendável avaliar o paciente com tomografia por emissão de positrões (PET) e/ou biópsia não cirúrgica, para garantir a necessidade de prosseguir com o tratamento.

Se a estimativa de probabilidade de malignidade for maior que 85%, deve-se evitar mais testes de diagnóstico e tomar uma decisão de tratamento empírico; ou seja, ressecção cirúrgica ou radioterapia estereotática.

Câncer de pulmão de células não pequenas em estágio clínico I

O tratamento de câncer de pulmão de células não pequenas do estágio clínico I pode ser atrasado, após considerar avaliação, taxa de crescimento, avidez FDG/PET do tumor primário e saúde e aptidão geral do paciente.

Interessou-se pelo assunto? Conheça o Summit Saúde, um evento que reúne as maiores autoridades do Brasil nas áreas médica e hospitalar. Acompanhe as notícias mais relevantes do setor pelo blog. Para saber mais, é só clicar aqui.

Fonte: RSNA.

Gostou? Compartilhe!